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Turismo suíço no Brasil tende a aumentar.

Uma feira para profissionais, sempre com presença do Brasil. swissinfo.ch

O Brasil é destino turístico importante para os suíços. A reativação de vôos charters para o Nordeste e a preocupação crescente de segurança melhoram as perspectivas de aumento de fluxo turístico para o País.

Este conteúdo foi publicado em 31. outubro 2003 - 10:01

Mas há outras explicações.

Nas Américas, o Brasil é a terceira destinação turística dos Suíços, depois dos Estados Unidos e Canadá. Com 56 mil turistas (Estados Unidos 254 mil e Canadá 89 mil) no ano passado, supera o México (45) país bastante visitado.

Fora do continente europeu, o Brasil ocupa a 18ª. posição na lista das principais destinações turísticas, perdendo para EUA (7ª.), Tailândia (10ª.), Egito (14ª.), e Canadá (16ª.). As cifras – da Divisão Federal de Estatísticas – são válidas para o ano de 2002. Mas a situação já esteve melhor para o Brasil, anos atrás.

As distâncias encurtaram

Espera-se agora que com a introdução de 2 vôos fretados (charters), diretos e semanais, para Natal e Fortaleza, aumente o número de turistas. Os vôos charters para o Nordeste significam menos perda de tempo em viagem da Suíça para a região. Um ganho de várias horas, evitando fazer volta por São Paulo ou Rio de Janeiro.

O Nordeste é também servido por vôos diários normais, via Lisboa, pela principal companhia aérea portuguesa.

Outros fatores permitem esperar que esse fluxo aumente, pois se o fretamento de aviões encurtam as distâncias, encurtaram também os preços, afirma Michael Bonin, da empresa Deotur, do Rio de Janeiro, que acolhe turistas suíços.

Bonin estima em menos de 700 dólares duas semanas no Brasil, com vôo fretado, turnê de 5 dias, e estada de 5 a 6 dias numa praia. No preço estão incluídos vôo, traslado e hotel. “A redução é quase da metade do preço”, avalia.

Busca de tranqüilidade

Andy Frick, dono e diretor da agência Brasa, de Zurique, que trabalha com o produto Brasil, lembra os atuais trunfos brasileiros: o país não tem terrorismo, não tem guerra. Isso cria condições para fortalecimento da demanda.

Michael Bonin aponta também que o País passa por fase de estabilidade política e econômica, lembrando que “o turista quer passar férias tranqüilas”.

Ao apontar fatores que “ajudaram o Brasil a se tornar um destino muito interessante”, ele destaca: “Lamento dizer isso, mas a SARS ajudou, a guerra no Iraque ajudou, a antipatia aos Estados Unidos ajudou...”

A impressão de ambos os especialista é que o País tem infra-estrutura turística boa, com hotéis de diferentes qualidades, de todos os preços.

Bonin vê problemas mais graves no asfalto das estradas e das ruas, mas acha que “a hotelaria é boa, a gastronomia excelente, e, o que é importante para os turistas, os preços são muito baixos” (para os padrões suíços).

O “pequeno obstáculo”

Ele gosta de enfatizar um contraste: os suíços partem para o Brasil “receosos com um país do terceiro mundo em que nada funciona”. Mas afirma: “Noventa e sete por cento – temos estatísticas – volta muito alegre e quer repetir a viagem”.

O problema da criminalidade é também relativizado. Para Andy Frick, não passa de “pequeno obstáculo”. É preciso saber comportar-se. Na Europa o perigo pode ser semelhante. E cita o exemplo de Nice: nessa cidade da “côte d’azur” uma rua escura pode ser tão perigosa quanto nos grandes centros brasileiros.

A criminalidade não chega, porém, a abalar a busca de segurança que se tornou critério muito importante no momento de escolher uma destinação de férias.

Busca de regiões desconhecidas

Os vôos que não sejam Charters, começam geralmente pelo Rio de Janeiro, “a porta de entrada” no País. A capital bahiana é o segundo destino mais procurado pelos suíços, o que parece revelar um interesse cultural por uma cidade em que a influência africana é manifesta e a música de evidente riqueza.

Michael Bonin constata que os suíços estão descobrindo um Brasil diferente. “Já não é só Rio de Janeiro, Salvador, Foz do Iguaçu... Não é só Amazonas...”

“Já não é só sol, praia”, confirma Armando Sasselli, “product manager” de uma agência de Zurique que trabalha com o Brasil. Agência que promove destinos como Fernando Noronha, litoral paulista, Ilhéus, e Lençóis (no norte do Maranhão), praticamente desconhecidos pelos turistas suíços.

Turismo sexual

Todo o embelezamento promovido por agências de viagem não esconde o fato de que o turismo sexual existe, em particular para Fortaleza e Recife. Com as conseqüências que se podem imaginar.

E repercute até na Suíça. Muitos turistas deste país trazem sem mais nem menos para casa brasileiras completamente despreparadas para enfrentar uma realidade tão diferente como a Suíça, criando freqüentemente sérios problemas sociais...

Há, porém, tentativas, ainda isoladas, de combater o fenômeno. A Agencia Brasa afirma que há sete anos não coloca mulher na capa de seus catálogos: “só homens e crianças, de propósito”. E Andy Frick, diretor da empresa, estima que com o atual incremento do turismo de família se pode reverter o problema, pelo menos parcialmente.

De nossa parte, sem querer dar lição a ninguém, achamos que o Brasil devia também fazer sua parte. Campanha publicitária de substituição das mulheres apresentadas em cartazes com roupas arrojadas por tucanos não bastam, é claro.

swissinfo, J.Gabriel Barbosa, de Montreux.

Breves

- Os países mais visitados pelos suíços, por ordem decrescente:

- Europa: França, Itália, Espanha, Alemanha e Áustria.

- Américas: EUA, Canadá, Brasil, México e República Dominicana.

- Ásia/Oceania: Tailândia, Cingapura, Austrália, Hong Kong e Indonésia.

- África: Egito, Tunísia, Quênia, Marrocos, África do Sul.

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