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UBS tem novo presidente no Brasil

Depois da crise, o maior banco suíço procura novos horizontes.

Depois da crise, o maior banco suíço procura novos horizontes.

(Keystone)

Um ano e meio após vender sua participação no banco Pactual e praticamente selar sua saída do mercado brasileiro, o banco suíço UBS está de volta com força total ao país.

Iniciada em abril, com o ainda não concluído processo de compra da corretora Link Investimentos, a mudança de rumo do banco suíço no Brasil foi concluída na semana passada com o anúncio dos nomes do novo presidente do UBS Group Brasil e de dois novos diretores que assumirão o comando do UBS Investment Bank e da UBS Brasil Corretora de Valores.

O novo presidente do UBS Group Brasil é o experiente executivo Lywal Salles, de 64 anos. Oriundo do banco Itaú, o maior banco privado brasileiro, Salles atuava como presidente dos conselhos do Banco Itaú Europa Internacional e da Itaú Europa Securities, quando trabalhou pela expansão internacional da empresa brasileira. Antes de sua passagem pelo Itaú, Salles ocupou diversas posições de alto escalão no Citibank Group.

Agora responsável por toda a linha de negócios do UBS no Brasil, Salles atuará em contato direto com o chairman do UBS Américas, Robert Wolf, e com o diretor do UBS Investment Bank na América Latina, Raúl Esquivel. A nomeação de Salles revela que a opção de “construir uma posição forte no Brasil é uma prioridade para o UBS", segundo Wolf: “Com sua sólida economia em crescimento e com a expansão da base de riqueza, vemos um forte potencial para nossas áreas de negócios no Brasil”, disse o executivo.

Para o cargo de diretor do UBS Investment Bank no Brasil foi convidado Eduardo Centola, de 42 anos. Bacharel pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Centola tem larga experiência no mercado de investimentos, onde já atuou como diretor dos bancos Goldman Sachs e Merrill Lynch. Antes de ingressar no UBS, Centola trabalhava como presidente para as Américas do Standard Bank Group.

O terceiro novo nome da direção do UBS no Brasil é Daniel Mendonça de Barros, 40 anos, que assumirá a presidência da UBS Brasil Corretora de Valores assim que o Banco Central brasileiro der a autorização para a compra da Link Investimentos, empresa da qual é um dos sócios. Formado no Unibanco, onde atuou na área de gestão de fundos, Barros comandará as áreas de ações, títulos e renda fixa do UBS no Brasil.

Compra da Link

A principal tarefa de Barros, entretanto, será mesmo comandar o processo de integração da Link, que é a maior corretora do Brasil, ao UBS Group. Para ser concluído, o processo de compra ainda aguarda uma autorização final do Banco Central. Na avaliação da direção do UBS no Brasil, no entanto, esta autorização é questão de tempo e o negócio deve ser oficialmente concluído até meados de dezembro.

Segundo uma nota divulgada pelo banco, “a Link Investimentos tem forte presença no mercado brasileiro de ações, análise de ações, derivativos de ações, produtos de câmbio cotados em bolsa, produtos de commodities e renda fixa”. A nota afirma ainda que, após a conclusão do processo de compra da corretora, “o UBS passará a ter mais de 300 funcionários no Brasil”.

Gestão de patrimônio

Oficialmente, a volta do UBS ao mercado brasileiro aconteceu em 21 de setembro, quando o banco suíço reiniciou as suas operações de gestão de patrimônio no país sob o comando da diretora-executiva Fernanda Pasquarelli, a mesma que foi responsável pela implementação do negócio em 2002. A intenção do banco é adotar no Brasil a metodologia global do UBS Wealth Management, onde os recursos dos clientes são monitorados de acordo com seu perfil de risco e retorno, visando proteção patrimonial de médio e longo prazo.

Com 150 anos de atuação neste mercado, o UBS é o segundo maior gestor de patrimônio do mundo, tendo obtido um lucro de cerca de US$ 2,57 bilhões no segundo trimestre de 2010. No Brasil, a intenção da direção do banco é também assumir um papel de liderança: “O UBS só investe em países onde vislumbra estar entre os cinco maiores players. E o Brasil, com um crescimento econômico consistente, está entre os mercados prioritários para investimento do banco”, afirma Fernanda Pasquarelli.

Correção de rumo?

A decisão do UBS de voltar a fortalecer sua presença no Brasil é uma mudança de rumo que indica que o banco suíço pode ter se equivocado ou se precipitado em suas análises sobre o mercado brasileiro durante a crise econômica global que teve início em 2008. Seguindo a orientação de se desfazer de seus ativos em várias partes do mundo como forma de abrandar os efeitos da crise, o UBS decidiu vender no Brasil o Pactual ao seu ex-sócio André Esteves, de quem havia adquirido o banco.

A venda do Pactual foi criticada por parte dos analistas de mercado, que a consideraram precipitada. Agora, ao confirmar sua volta em força somente um ano e meio após anunciar a retirada, o UBS reforça essa impressão. Para o economista-chefe do UBS Wealth Management, Andréas Hofert, no entanto, tudo é questão de oportunidade: “Hoje temos um mundo diferente de antes da crise e agora os objetivos são mais realistas, com foco na preservação do patrimônio dos clientes”, disse em entrevista ao site da revista Exame na internet.

História conturbada

A nomeação de Lywal Salles como seu novo presidente no Brasil pode representar para o banco suíço UBS o final feliz de uma história recente que é um tanto conturbada no país. Em 2007, um executivo do UBS, Luc Mark Depensaz, foi preso em São Paulo pela Polícia Federal sob a acusação de evasão de divisas no âmbito de uma operação que implicou também nas prisões de executivos dos bancos Crédit Suisse e Clariden Leu. Depensaz logo foi solto e pôde retornar à Suíça, mas a imagem do UBS sofreu um baque no mercado brasileiro.

Pouco mais de um ano depois, com a chegada da crise econômica global, o UBS decidiu vender sua participação no banco brasileiro Pactual, que havia comprado em maio de 2006. A decisão, no entanto, foi acompanhada de muita polêmica, e chegou a ser comentado no mercado financeiro que a venda seria uma retaliação da direção do UBS ao sócio brasileiro André Esteves, dono do Pactual, que teria tentado se aproveitar da fragilidade do UBS durante a crise para assumir o controle internacional do banco. A direção do UBS, no entanto, jamais quis comentar esse boato.

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