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União Européia pressiona Suíça

Policial alemão controla veículos vindos da Suíça no posto fronteiriço da Basiléia (7.03).

(Keystone)

A ausência da Suíça na União Européia começa a trazer grandes dificuldades para o país dos Alpes. Pressão aumenta na área fiscal, com risco de taxação das reexportações.

Ao mesmo tempo, Alemanha abandona política liberal nas fronteiras e torna controles mais severos. Resultado: filas gigantescas nos postos fronteiriços.

Muitos suíços estão começando a se sentir vítimas das próprias decisões tomadas no passado.

“Com a negativa dada à proposta de integração ao Espaço Econômico Europeu (recusada em plebiscito popular em 1992) e a escolha do caminho das negociações bilaterais com a União Européia, nós estamos nos manobrando cada vez mais para o isolamento”, afirma o deputado Josef Leu, do Partido Democrata Cristão, durante a interpelação emergencial ocorrida ontem (16.03) no Parlamento.

Os motivos de tanto alarme são os fatos ocorridos nos últimos meses, que mostram a posição frágil da Suíça dentro da Europa.

Decisões que vão custar caro

Em 19 de fevereiro, as autoridades suíças descobriram quase por acaso, graças aos contatos feitos por autoridades alfandegárias de alguns países vizinhos, que a União Européia havia decidido cobrar impostos sobre as reexportações a partir de primeiro de março.

O que parecia apenas um detalhe fiscal, significa um duro golpe na economia suíça. Uma empresa como a Bally, que fabrica sapatos finos na Itália e depois traz os produtos para sua sede em Caslano, na Suíça, onde eles são embalados antes de serem reexportados para diferentes países da Europa, poderia ser uma das primeiras vítimas. Com as novas regras, os sapatos chegarão de 8 a 17% mais caros nas lojas em Barcelona, Paris ou Berlim.

Os protestos da Suíça foram enérgicos, mas não chegaram a surtir o efeito desejado. As autoridades européias concederam apenas um prazo maior. A taxação das reexportações entrará em vigor a partir do início de junho.

Bilaterais

Na imprensa suíça especula-se que a introdução das taxas é um meio de pressão da UE sobre a Suíça, para que ela ceda em alguns pontos nas negociações para o acordo bilateral II.

Uma das maiores dificuldades é a recusa da Suíça de ceder na questão do segredo bancário, um fato visto com olhos críticos por muitos países europeus, devido aos problemas de evasão fiscal nos países onde os impostos são elevados como é o caso da Alemanha.

Apesar das desavenças, um acordo geral com a União Européia é de importância fundamental para a Suíça. Em 2003, as exportações suíças nos países-membros foram de 100 bilhões de francos e as importações de 123 bilhões de francos. Um terço das importações vieram da Alemanha.

Alemanha poderá ajudar a Suíça

O medo iminente de medidas unilaterais da EU leva o governo suíço a procurar aliados nos países vizinhos.

Durante o debate ocorrido ontem (16.03) no Parlamento, Joseph Deiss, ministro da Economia e atual presidente da Confederação Helvética, revelou ter entrado em contato com o chanceler alemão Gerhard Schröder, que o convidou para uma visita a Berlim em abril.

O representante do governo suíço irá não só discutir sobre a ameaça da taxação das reexportações, como também outros problemas que envolvem a Suíça e países da União Européia: o acirramento dos controles feitos nas fronteiras alemãs com a Suíça, que tem provocado filas quilométricas nas alfândegas, e as restrições para os aviões que pousam no maior aeroporto suíço em Zurique, de sobrevoar o espaço aéreo no sul da Alemanha.

“Nós iremos insistir sobre o fato de que a Suíça é um parceiro importante da União Européia, com quem no ano passado chegamos mesmo a ter um déficit da balança comercial de 22 bilhões de francos”, ressalta Deiss.

“Porém nós não podemos deixar de nos perguntar, se não foi um erro histórico de ter recusado a adesão ao Espaço Econômico Europeu (EEE), que nos traria muitas vantagens na situação atual”.

De qualquer maneira, as autoridades suíças lembram do acordo de livre-comércio de 1972. Caso a ameaça da taxação das reexportações se concretize, o país pretende recorrer na Organização Mundial do Comércio.

Problema nas fronteiras com a Alemanha

Desde cinco de março, a Alemanha decidiu abandonar a política liberal nas suas fronteiras com a Suíça.

Atualmente, veículos e pessoas são controlados com perícia prussiana, o que chega a provocar, como já ocorreu na Basiléia na primeira semana de março, filas de até 13 quilômetros.

Ante aos protestos suíços, as autoridades alemães apenas responderam que estão cumprindo à risca as regras definidas no acordo de Schengen, que prevê controles reforçados nas fronteiras externas dos países da União Européia.

A segunda rodada de acordos bilaterais prevê a entrada da Suíça no acordo de Schengen.

swissinfo, Alexander Thoele


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