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"Muitos alpinistas se arriscam demais"

Bonito, mas perigoso: o pico Matterhorn lidera as estatísticas de acidentes fatais nos Alpes suíços.

(Keystone)

Dois alpinistas que estavam desaparecidos foram encontrados mortos no domingo (1°/8) na base do Eiger, em Grindenwald, nos Alpes do cantão de Berna. Provavelmente eles caíram ao tentar escalar o pico de 3970 metros.

Anualmente cerca de cem pessoas morrem em passeios, escaladas ou expedições nos Alpes suíços. Segundo peritos em segurança, muitas dessas mortes poderiam ser evitadas.

A Suíça é um paraíso para montanhistas e alpinistas. No entanto, ano após ano, para mais de uma centena de pessoas as aventuras nos Alpes terminam de forma trágica, como mostram estatísticas oficiais.

Além de golpes do destino, que podem atingir até os mais experientes, a imprudência, o desconhecimento do terreno e a superestimação de sua própria capacidade podem ter consequências fatais.

As montanhas são cada vez mais acessíveis e frequentadas – a pé, de carro, trem ou teleférico. E neste último grande espaço de liberdade muitos esquecem que a beleza e o perigo moram juntos, como descreve o jornal Le Temps.

"Um pico cônico é também uma faca afiada. Uma bela trilha pode ser um tobogã para a morte. E planícies intactas podem esconder fendas", escreve o diário da Suíça francesa, numa reportagem com o título "A inconsciência, o eterno mal das montanhas".

O Escritório de Prevenção a Acidentes (BPA, na sigla em francês) registrou 5500 acidentes de montanhistas em 2000; em 2007, este número havia subido para 9800. A maioria dos acidentes acontece nos meses de verão - maio a setembro.

"Os números da estatística do BPA mostram claramente que a maioria dos acidentes nas montanhas acontece durante caminhadas. Em média, 6500 montanhistas se acidentam por ano nos pré-Alpes e Alpes suíços - cerca de 30 deles mortalmente. Isso transforma o montanhismo na modalidade esportiva em que mais pessoas morrem na Suíça", informa o BPA em seu sítio na internet (veja estatística atual na coluna à direita).

Números constantes

Segundo o Clube Alpino Suíço (CAS), as organizações de socorro nas montanhas resgataram 2380 pessoas em perigo no ano passado. Esse número não inclui acidentes com paraglider e mountainbike.

No entanto, o número de mortes por acidente nas montanhas, incluindo alpinismo e escalada, mantém-se mais ou menos constante: cerca de uma centena por ano – 112 em 2009 (8% a mais do que no ano anterior).

"Proporcionalmente à frequentação, que tem seu pico em julho, e excluindo semanas excepcionais, esses números não são tão alarmantes", disse Pierre Mathey, vice-presidente da Associação Suíça de Guias de Montanha, ao Le Temps.

O pico Matherhorn ou Cervino (4478 m), cartão postal da Suíça situado no cantão do Valais (sudoeste), lidera a estatística dos acidentes fatais, com uma média de quatro mortes por ano. Outros picos famosos, como Mönch, Jungfrau e Bernina, também estão entre os primeiros colocados.

Bruno Hasler, diretor de formação da CAS, também não vê uma tendência de aumento do número de acidentes. "Quando o sol brilha, mais gente vai para as montanhas e ocorrem mais acidentes", disse à agência de notícia SDA.

Além disso, os esportes de montanha estão em moda, acrescenta. Nos últimos cinco anos, as vendas de botas de esqui se multiplicaram por dez. E o número de sócios do CAS aumentou 30% desde 2000, atingindo a marca de 300 mil pessoas.

Subestimação dos riscos

Segundo alguns especialistas em segurança, a proximidade do socorro, a qualidade do material e a tecnologia disponível – como por, exemplo, equipamentos de GPS – levam tanto os alpinistas quanto os caminhantes de fim de semana a arriscar demais.

Frequentemente, grupos menos experientes seguem os rastos de um grupo acompanhado de um guia. "Se o tempo for bom, isso pode ir bem. Caso contrário, essas pessoas ficam em má situação", diz o guia Patrick Torrent, responsável pela Casa de Resgate Francisco Xavier, em Sion (sudoeste).

Mathey e Torrent explicam que "se pode subestimar os riscos objetivos (quedas de pedras, mau tempo) e os riscos subjetivos (preparação, condição física, técnica)". Isso vale especialmente para trilhas bastante elevadas que cruzam geleiras ou escarpas.

Metade das vítimas são estrangeiros

Segundo o especialista em segurança Ueli Mosimann, cerca de 50% das vítimas de acidentes nas montanhas são estrangeiros; no verão, são quase 70%.

Ele disse ao portal Tagesanzeiger.ch/Newsnetz que raramente o problema é o equipamento. "Pelo contrário: muitos alpinistas carregam material demais que não precisam. E eles frequentemente se superestimam."

Mosimann faz algumas recomendações para reduzir os riscos de acidentes. "O mais importante além da condição física é uma boa preparação. É preciso informar-se sobre a distância e o grau de dificuldade da rota, considerar os perigos e ver isso no contexto da situação atual do tempo. Se necessário, é preciso renunciar, o que é difícil para muita gente."

O BPA, por sua vez, recomenda nunca fazer caminhadas nas montanhas sozinho, só colocar o pé na trilha com sapato apropriado e equipamento completo, bem como adaptar a rota às suas próprias habilidades.

Geraldo Hoffmann, swissinfo.ch (com agências e jornais)

Nova estatística

Segundo a estatística 2010 de acidentes não ligados ao trabalho, publicada
nesta terça-feira (3/8) pelo Escritório de Prevenção a Acidentes (BPA, na sigla
em francês), nos anos de 2004 a 2008, em média, 302.200 pessoas se lesionaram durante a prática de esportes na Suíça (93.090 em esportes de inverno, 91.090 jogando bola).

Nove entre dez vítimas de acidentes esportivos nas montanhas são
montanhistas. O montanhismo é o esporte mais difundido no país. Pessoas entre 46 e 64 anos são as mais atingidas por acidentes nesse tipo de esporte. Nos demais esportes, a faixa etária entre 26 e 45 anos é a mais atingida.

Do total de 179 pessoas mortas, em média, nos anos de 2007 e 2008 durante a prática esportiva, 82 morreram nas montanhas. A metade das vítimas eram
montanhistas, a outra metade morreu em escaladas, no alpinismo ou e outras modalidades de esportes de montanha, informou o BPA.

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