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Masmorra e dragões


Administrar um castelo como um negócio




Schloss Wildegg (imagepoint)

O castelo de Wildegg é uma atração turística na Suíça.

(imagepoint)


Cavaleiros e dragões no iPad ou num verdadeiro castelo? A disputa é acirrada num momento em que castelos suíços competem no intuito de atrair visitantes. E um Cantão decidiu até apelar para o passado, recriando eventos históricos. Resta saber, porém, se a medida é suficiente para se conseguir um equilíbrio financeiro.

A Argóvia rural. Verdejantes paisagens onduladas, belos vinhedos, e, no alto da colina, o barroco Castelo de Wildegg, fundado no século XIII pelos Habsburgos, a grande dinastia dominante que – talvez não o saiba – tem suas raízes no mencionado Cantão.

O edifício mais tarde foi legado aos Effingers a quem pertenceu durante 11 gerações. A família era muito cuidadosa com tudo – inclusive com sua coleção de porcelana, que permaneceu intata, porque, após as refeições, as donas da casa insistiam em lavar as peças à mão.

Transferido ao Estado suíço pelo último herdeiro, em 1912, o castelo e seus domínios foram passados ao Cantão de Argóvia em 2013. Atualmente é um dos seis locais sob administração do Museu da Argóvia, que inclui, além dos três outros castelos, um mosteiro e um acampamento de legionários romanos (veja Infobox)

História viva

“Registramos aumento de 8% de visitas no ano passado, coisa rara no panorama museológico suíço ou alhures, principalmente porque não se trata de novo museu e não temos, por exemplo, nenhum Picasso,” diz o diretor do castelo, Jörn Wagenbach. No ano passado (2013), houve 245 mil visitantes, um aumento de cerca de 82 mil, em relação a cinco anos atrás.

Esse período de rápida expansão remonta a Thomas Pauli, precedessor de Wagenbach, que assumiu o cargo somente em dezembro de 2013. Pauli não apenas coordenou as atividades dos diferentes locais, como também inventou o bordão “Geschichte am Spielplatz erleben” (algo como ‘viver a História onde ela acontece’, em alemão).

“Sua especialidade foi mostrar lugares autênticos e histórias que apelam para todos os sentidos. Assim se pode ouvir música, encontrar pessoas com trajes medievais, romanos ou barrocos, que poderão guiá-lo através da própria vida e contar histórias personalizadas,” diz Wagenbah

Neste ano, o tema é “Cuidado, contagioso” - um enfoque sobre 2.000 anos de medicina. No Castelo de Wildegg serão abordadas as enfermidades nervosas do século XIX. O de Hallwyl apresenta eventos sobre higiene nos castelos, dos banhos aos toaletes.

Constantes desafios

Cavar sistematicamente temas atraentes é o maior desafio na administração de castelos, diz Wagenbach. Caso contrário, as pessoas não vêm. 

Os castelos precisam oferecer algo a todos – inclusive um oásis de tranquilidade. Mas devem ao mesmo tempo manter-se atualizados. “É um domingo e seus filhos devem decidir, ‘queremos brincar de cavaleiros e dragões em nosso iPad ou queremos visitar cavaleiros e dragões no Castelo de Lenzburg?’ O Castelo de Lenzburg deve dispor de proposta muito boa para ser mais atraente que um jogo no iPad,” observa Wagenbach.

Claro que os museus procuram, ao mesmo tempo, guardar uma autenticidade para não se transformarem bruscamente numa Disneylândia, acrescenta.

Os castelos geram também muitas despesas, principalmente se abrigam um museu. “Trata-se igualmente de um negócio, que custa dinheiro, dinheiro do contribuinte e esta é uma das razões de necessitarmos atentar para nossos objetivos,” diz Wagenbach.

Por isso mesmo, os castelos são alugados para eventos e têm cafés e lojas de presentes. Não é simples coincidência que jörn Wagenbach, cidadão alemão com formação na área cultural, também traz um aporte de 17 anos de experiência em relações públicas e conhecimentos no setor comercial. Entre outras atividades, ele trabalhou para o Aeroporto Internacional de Zurique.

Posição turística

Segundo informe de Suíça Turismo, os visitantes vêm à Suíça sobretudo fascinados pela natureza deslumbrante do país.

Mas o Castelo de Chillon, à beira do Lago Léman, atraiu quase 350.000 pessoas em 2013, 74% do exterior, particularmente da Ásia, indica a agência nacional de turismo, que assinala também crescente popularidade dos festivais medievais.

A concorrência dos Alpes e das cidades, enfrentada pelos castelos, foi confirmada por um relatório encomendado pelo Museu da Argóvia e redigido pelo Instituto Gottlieb Duttweiler. Os castelos não estão associados à Suíça da mesma maneira que os castelos do Loire que evocam imediatamente a França, conclui. Tirando os mais conhecidos, os visitantes de castelos são majoritariamente residentes no território suíço.

Na tentativa de mudar essa situação, Jörn Wagenbach trabalha na introdução de um selo de qualidade para os castelos suíços – daí o interesse do relatório. O projeto ainda engatinha, mas já se imagina haver no país quase vinte locais interessados, diz.

Isto permitirá aos castelos unir recursos, por exemplo, compartilhando exposições itinerantes. “Precisamos de um posicionamento nacional”, insiste Wagenbach.Cavaleiros e dragões no iPad ou num verdadeiro castelo? A disputa é acirrada num momento em que castelos suíços competem no intuito de atrair visitantes. E um Cantão decidiu até apelar para o passado, recriando eventos históricos. Resta saber, porém, se a medida é suficiente para se conseguir um equilíbrio financeiro.

A Argóvia rural. Verdejantes paisagens onduladas, belos vinhedos, e, no alto da colina, o barroco Castelo de Wildegg, fundado no século XIII pelos Habsburgos, a grande dinastia dominante que – talvez não o saiba – tem suas raízes no mencionado Cantão.

O edifício mais tarde foi legado aos Effingers a quem pertenceu durante 11 gerações. A família era muito cuidadosa com tudo – inclusive com sua coleção de porcelana, que permaneceu intata, porque, após as refeições, as donas da casa insistiam em lavar as peças à mão.

Transferido ao Estado suíço pelo último herdeiro, em 1912, o castelo e seus domínios foram passados ao Cantão de Argóvia em 2013. Atualmente é um dos seis locais sob administração do Museu da Argóvia, que inclui, além dos três outros castelos, um mosteiro e um acampamento de legionários romanos (veja Infobox)

História viva

“Registramos aumento de 8% de visitas no ano passado, coisa rara no panorama museológico suíço ou alhures, principalmente porque não se trata de novo museu e não temos, por exemplo, nenhum Picasso,” diz o diretor do castelo, Jörn Wagenbach. No ano passado (2013), houve 245 mil visitantes, um aumento de cerca de 82 mil, em relação a cinco anos atrás.

Esse período de rápida expansão remonta a Thomas Pauli, precedessor de Wagenbach, que assumiu o cargo somente em dezembro de 2013. Pauli não apenas coordenou as atividades dos diferentes locais, como também inventou o bordão “Geschichte am Spielplatz erleben” (algo como ‘viver a História onde ela acontece’, em alemão).

“Sua especialidade foi mostrar lugares autênticos e histórias que apelam para todos os sentidos. Assim se pode ouvir música, encontrar pessoas com trajes medievais, romanos ou barrocos, que poderão guiá-lo através da própria vida e contar histórias personalizadas,” diz Wagenbah

Neste ano, o tema é “Cuidado, contagioso” - um enfoque sobre 2.000 anos de medicina. No Castelo de Wildegg serão abordadas as enfermidades nervosas do século XIX. O de Hallwyl apresenta eventos sobre higiene nos castelos, dos banhos aos toaletes.

ADD VIDEO (a living history event at Hallwyl)

Constantes desafios

Cavar sistematicamente temas atraentes é o maior desafio na administração de castelos, diz Wagenbach. Caso contrário, as pessoas não vêm. 

Os castelos precisam oferecer algo a todos – inclusive um oásis de tranquilidade. Mas devem ao mesmo tempo manter-se atualizados. “É um domingo e seus filhos devem decidir, ‘queremos brincar de cavaleiros e dragões em nosso iPad ou queremos visitar cavaleiros e dragões no Castelo de Lenzburg?’ O Castelo de Lenzburg deve dispor de proposta muito boa para ser mais atraente que um jogo no iPad,” observa Wagenbach.

Claro que os museus procuram, ao mesmo tempo, guardar uma autenticidade para não se transformarem bruscamente numa Disneylândia, acrescenta

Os castelos geram também muitas despesas, principalmente se abrigam um museu. “Trata-se igualmente de um negócio, que custa dinheiro, dinheiro do contribuinte e esta é uma das razões de necessitarmos atentar para nossos objetivos,” diz Wagenbach.

Por isso mesmo, os castelos são alugados para eventos e têm cafés e lojas de presentes. Não é simples coincidência que jörn Wagenbach, cidadão alemão com formação na área cultural, também traz um aporte de 17 anos de experiência em relações públicas e conhecimentos no setor comercial. Entre outras atividades, ele trabalhou para o Aeroporto Internacional de Zurique.

Posição turística

Segundo informe de Suíça Turismo, os visitantes vêm à Suíça sobretudo fascinados pela natureza deslumbrante do país.

Mas o Castelo de Chillon, à beira do Lago Léman, atraiu quase 350.000 pessoas em 2013, 74% do exterior, particularmente da Ásia, indica a agência nacional de turismo, que assinala também crescente popularidade dos festivais medievais.

A concorrência dos Alpes e das cidades, enfrentada pelos castelos, foi confirmada por um relatório encomendado pelo Museu da Argóvia e redigido pelo Instituto Gottlieb Duttweiler. Os castelos não estão associados à Suíça da mesma maneira que os castelos do Loire que evocam imediatamente a França, conclui. Tirando os mais conhecidos, os visitantes de castelos são majoritariamente residentes no território suíço.

Na tentativa de mudar essa situação, Jörn Wagenbach trabalha na introdução de um selo de qualidade para os castelos suíços – daí o interesse do relatório. O projeto ainda engatinha, mas já se imagina haver no país quase vinte locais interessados, diz.

Isto permitirá aos castelos unir recursos, por exemplo, compartilhando exposições itinerantes. “Precisamos de um posicionamento nacional”, insiste Wagenbach.

Financiamento e futuro

O relatório constatou que as propostas são “amplas e diversificadas”, faltando, porém, recursos e modernização em alguns dos castelos.

Cerca da metade deles está em mãos de particulares. Uma parte foi comprada por comunidades locais a particulares para garantir um legado histórico. E atualmente, por exemplo, moradores locais proeminentes do setor do turismo e arquitetura negociam a compra o Castelo de Tarasp, um ponto de referência no Cantão dos Grisões (Leste).

Outros, como os cinco nas imediações do Lago de Thun, já se uniram para melhorar o próprio marketing. “O selo ‘Thunersee Schlosser’ é um verdadeiro marco,” afirma Christina Fankhauser, do Castelo Oberhofen (um dos cinco), no lançamento da temporada de verão. Ela espera que seu castelo, que é muito fotografado, receba mais visitas de verdade.

Precisamos de um ano para chegar ao acordo sobre esse selo, diz Ariane Klein, líder do projeto. Além de um website e uma brochura comum, foram acertados pacotes especiais como volta de barco ao Lago e ingressos para dois castelos.

“Visitantes modernos necessitam mais que um simples museu,” afirma. “Eles já têm tantas escolhas de lazer e, por isso, é importante oferecer algo mais, com um fator de surpresa, para que eles voltem, para um casamento ou um evento empresarial.”

Museu da Argóvia

Castelo  de Wildegg: castelo barroco e jardim

Castelo de Lenzburg: castelo de cavaleiros e dragões

Castelo de Hallwyl: castelo romântico rodeado por vala

Castelo de Habsburgo: residência ancestral dos Habsburgos

Mosteiro de Königsfelden: fundado pela dinastia dos Habsburgos

Vereda do Legionário: acampamento de legionários romanos (parque temático romano)

Outros castelos suíços conhecidos

Castelo de Chillon, na região do Lago Léman: o edifício histórico mais visitado da Suíça.

Residência e posto de pedágio dos Condes de Saboia.

Castelo de Bellinzona, no Cantão doTicino: importante exemplo, nos Alpes, de arquitetura medieval defensiva, tombado pela UNESCO.

Castelo de Thun, no Oberland bernês: castelo do século XII, construído pelos Duques de Zähringen.

Castelo de Gruyères: residência do século XIII unindo 800 anos de história e Aliens vencedores do Oscar pelo já falecido HR Giger.

(Fonte: Suíça Turismo)


Adaptação: J.Gabriel Barbosa, swissinfo.ch

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