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Swiss made Grandes expectativas para bolsistas angolanos

Entre os estudantes da Universidade de Ciências Aplicadas de Zurique (ZHAW) deste semestre está um grupo exclusivo de Angola. Jovens que conseguiram garantir uma vaga em um curso bem cotado para torná-los responsáveis pelas decisões em seu país.

Cesar da Cunha (à esquerda) e Irene Cabral (à direita) têm grandes esperanças com a formação realizada na Suíça.

(swissinfo.ch)

Mais de 700 pessoas se inscreveram no novo programa de bolsas "Futuros líderes em Angola", e 46 foram escolhidos para viajar de Angola até a cidade suíça de Winterthur para participar de um curso de seis meses em finanças e gestão de ativos.

Graças ao petróleo, Angola tem experimentado um boom econômico nos últimos 12 anos, desde o fim de três décadas de uma guerra civil brutal. A ex-colônia portuguesa, no entanto, enfrenta muitos desafios, entre eles corrupção, um sistema de saúde precário e educação negligenciada. Este último teve um impacto sobre a força de trabalho de Angola, que não consegue suprir suas necessidades em mão de obra especializada com seus nacionais.

O programa é um esforço para resolver essa lacuna de conhecimento e é liderado e financiado pelo Fundo Soberano de Angola, dirigido por José Filomeno de Sousa dos Santos, filho do presidente do país.

Os estudantes que participam do programa ZHAW devem aprender uma gama ampla de assuntos financeiros, da análise de equidade e métodos de pesquisa à simulação de gestão de portfólios. O objetivo, de acordo com o fundo, é que os estudantes recebam uma "profunda compreensão" da gestão de ativos, graças à formação na Suíça, um centro financeiro mundial.

"Grande oportunidade"

"É uma grande oportunidade para mim", diz Cesar da Cunha, 27 anos, que se formou em Administração de Empresas na Argélia com uma bolsa do governo angolano. "A Suíça é muito avançada por causa do seu sistema de ensino", comenta.

Da Cunha está esperançoso de "ver algumas pessoas desta classe se tornar membros do governo ou futuros líderes em Angola graças a este programa".

Sua colega de classe, Irene Cabral, 26 anos, que se formou em Administração de Empresas na África do Sul antes de trabalhar em um banco em Angola, disse para swissinfo.ch ser grata por receber a bolsa de estudos.

"É um sonho para todos nós, conseguir participar deste programa", diz Cabral, que ambiciona um dia se tornar executiva de uma empresa.

Desafios de Angola

O sistema de ensino em Angola melhorou desde o fim da guerra. O número de crianças que frequentam a escola primária, por exemplo, subiu de 2 milhões, em 2002, para 6 milhões, em 2013. O país vem abrindo escolas e formando mais professores nos últimos anos.

No entanto, o país ainda tem muito o que progredir. Apenas um terço das crianças em Angola terminam o ensino primário, um índice muito abaixo de outros países africanos de acordo com a UNESCO. As crianças passam, em média, apenas 4,7 anos no sistema de ensino. Quando se trata de educação superior, Angola precisa ainda superar outros obstáculos. Um relatório de 2011 do grupo de reflexão inglês Chatham House considerou a qualidade do ensino baixa e as taxas pagas muito altas.

"Apesar de nosso progresso, ainda precisamos ampliar o acesso à educação, o que acreditamos ser fundamental para a prosperidade econômica de todos e é por isso que estamos investindo nela", declarou dos Santos, presidente do fundo, por email.

"O programa Futuros Líderes em Angola tem o objetivo estratégico de estabelecer competências de gestão necessárias ao gerenciamento eficiente dos recursos do país", explicou dos Santos. "Os estudantes têm agora acesso a uma competência mundial e vão adquirir uma compreensão profunda das indústrias de sucesso em todo o mundo", garante.

Passagens, alojamento, livros, seguros, e a taxa de matrícula são pagos pelo fundo. O fundo fez um concurso internacional para o programa de bolsa de estudos e a empresa de consultoria suíça Uniqua ganhou, e, por sua vez, escolheu a ZHAW para sediar o programa.

Os estudantes angolanos nos bancos da faculdade suíça.

(swissinfo.ch)

Os 46 alunos, com idades entre 25 e 35 anos, vêm de diferentes origens sociais e acadêmicas. Dez deles estudaram no exterior, enquanto que outros dez nunca viajaram para fora do país, de acordo com Maya Gadgil, que supervisiona o programa na Escola de Management e Direito da ZHAW. Um terço dos alunos são mulheres.

Todos deixaram algo para trás em Angola para poder estudar na Suíça, seja trabalho ou família. Da Cunha, por exemplo, se casou um mês antes de sua partida. Estar longe de sua esposa, que está grávida, vem sendo a "parte mais difícil" da experiência. 

Vontade de ter sucesso

O programa da bolsa dura de 22 agosto a 24 fevereiro e as últimas quatro semanas acontecem em Angola, incluindo a segunda série de exames e a cerimônia de formatura. Os estudantes fazem vários módulos na ZHAW focados em finanças, bem como temas de gestão, tais como estratégia, marketing e ética, todos realizados em inglês. Os alunos terão que passar por exames em todos os módulos para receber o "Certificado do Programa" no final de seus estudos.

"Eles são muito inteligentes, estudantes bem disciplinados, com uma vontade muito grande de ter sucesso aqui", disse Daniel Seelhofer, vice-diretor da Escola de Management e Direito da ZHAW, em Winterthur. "Afinal de contas, esse é o futuro deles em Angola".

Os estudantes veem isso em termos ainda mais amplos. Cabral e da Cunha estão animados em poder usar a oportunidade para ajudar seus colegas angolanos. Apesar da enorme riqueza - Angola tem uma das maiores reservas mundiais de diamantes e petróleo - existe uma grande desigualdade no país. Angola se classificou na 149ª posição de 187 países do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, em 2013. A esperança média de vida, por exemplo, é de apenas 51,9 anos de idade. A Suíça, o lar temporário dos estudantes, ocupa o terceiro lugar no mesmo índice da ONU.

"Esse tipo de oportunidade não é só para mim ou para os meus colegas", disse da Cunha, que trabalhou como consultor da empresa de consultoria Accenture, em Angola, e sonha com um futuro na política. "É para todo o país", disse.

Cabral concorda que é "uma oportunidade de ajudar outras pessoas... Eu posso dizer para o governo que é isso que precisamos. Precisamos de educação, de um sistema de saúde e que a riqueza do país seja bem distribuída".


Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch

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