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A árvore de natal continua nas escolas

Ninguém quer impedir as escolas de festejar o natal. swissinfo.ch

O debate na opinião pública se estende há vários meses: as comemorações de natal nas escolas estariam ferindo os sentimentos dos muçulmanos? Eles devem ser proibidas? Associações islâmicas dizem que "não".

Este conteúdo foi publicado em 24. dezembro 2006 - 08:01

O tema surgiu desde uma declaração mal-interpretada do presidente da Federação de Docentes Suíços. Ele explica que queria apenas dizer que ninguém na Suíça é obrigado a participar de festas religiosas.

Os então professores na Suíça enfrentam a falta de interesse de muitos alunos por comemorações natalinas. O estresse de natal vivido pelos adultos acaba influenciando as crianças e jovens. Além disso, elas já são expostas a outras festas nas suas associações ou clubes.

De repente, em 2006, as tradicionais festas de natal organizadas de forma individual em cada escola suíça foram questionadas. O que ocorreu?

Em 11 de dezembro, Beat W. Zemp, presidente da Federação de Docentes Suíços declarava ao jornal "Blick" que "velas, decorações e árvores de natal devem ser banidas das escolas".

A frase publicada no popular jornal provocou uma onda de indignação pública. Um país multicultural de fato (mais de 20% de estrangeiros) se perguntava se o natal escolar precisaria ser proibido. O diretor apenas levava em consideração as diferentes religiões de mais de um milhão de imigrantes.

Correção

Os muçulmanos acabaram sendo levados ao centro do debate. Vozes críticas acham que esses grupos teriam pressionado as autoridades escolares. Porém Beat W. Zemp se apressou em corrigir a declaração feita à imprensa.

"Citaram minha palavra de forma incorreta", declarou ele à swissinfo. "O que eu quis dizer é que ninguém pode ser obrigado a participar de uma festa religiosa ou assistir cursos de religião. Esse direito está na nossa Constituição".

Ele lembrou que festejos religiosos na escola permitem aos pais de crianças não-cristãs de pedir dispensa das aulas.

A imprensa helvética deu um grande destaque a um fato ocorrido no cantão de Vaud (leste da Suíça, de língua francesa), quando uma família muçulmana solicitou dispensa de todo o mês de dezembro para os seus filhos. Alguns suíços reagiram alérgicos ao comportamento, perguntando-se até que ponto vai a liberdade religiosa no país.

A maior parte dos jornais suíços tomou parte numa campanha "discreta" em prol do natal escolar. O "Luzerner Zeitung" chegou a colocar como título - "A árvore de natal permanece na escola".

Estragos causados

A partir desse momento em que a polêmica havia sido lançada, nenhuma mídia no país deixava de dar sua opinião ou publicar uma matéria sobre o tema.

Dessa forma, o debate colocou os muçulmanos da Suíça sob pressão.

Na segunda-feira (18 de dezembro), diversas organizações islâmicas fizeram declarações públicas defendendo a manutenção de tradições cristãs e, sobretudo natalinas, nas escolas. Eles defendem que o debate não colabora à paz entre as diferentes religiões.

Crianças não devem ser obrigadas a freqüentar aulas ou participar de ações de uma religião estranha, incluindo também cantar hinos ou declinar poemas natalinos. Porém as organizações islâmicas lembram que nada impede os jovens muçulmanos de participar também das festas religiosas e outras atividades.

Elas conclamam os membros das suas comunidades a se distanciar de qualquer forma de extremismo. Para elas, o importante é não provocar mais polêmica. "As vozes extremas estão querendo colocar cristãos e muçulmanos uns contra os outros".

Natal político

Ismail Amin, presidente da Associação das Organizações Islâmicas em Zurique, declarou à swissinfo: "Acho muito triste que essa discussão tenha sido lançada. Na verdade ela foi inflada pelas mídias. De um pequeno rato, acabaram fazendo um elefante". Para o representante, muitos jornais estão procurando apenas um tema para o período de festas.

Obviamente que muitos muçulmanos vêem de outra forma o caso. "Há muito tempo nossa presença na mídia é marcada pelo negativo", revolta-se Amin. Ele lembra que, cada vez mais, religião está se transformando num tema político na Suíça e no resto da Europa. Sobretudo partidos de direita aproveitam de ocasiões como o natal escolar para inflar ainda mais o debate.

"Eu percebo na minha própria pele que o Islã está sendo transformado de ruim", conclui Ismail Amin, egípcio e ex-professor de filologia árabe na Universidade de Zurique.

swissinfo, Urs Maurer

Fatos

Atualmente 315 mil muçulmanos vivem na Suíça. Eles correspondem a 5% da população.
A maior parte deles é originárias dos países balcânicos (Albânia, Bósnia-Herzegovina, Bulgária, Croácia, Montenegro, Grécia, República da Macedónia, Sérvia e a porção européia da Turquia (Trácia).
Em 1990, 2,2% dos habitantes da Suíça se declaravam muçulmanos.
Em 2000, essa proporção passa para 4,3%.
Na Suíça existem duas mesquitas com minarete: uma em Zurique e a outra em Genebra.
De todos os muçulmanos, apenas 20% são considerados praticantes.

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Natal

O Natal é a festividade que comemora o nascimento de Jesus Cristo. Segundo os crentes, o nascimento do Messias (ou Cristo) estava já previsto no Antigo Testamento. A data convencionada para sua celebração foi o dia 25 de Dezembro, pela Igreja Católica Romana e, o dia 7 de Janeiro, pela Igreja Ortodoxa.

É um acontecimento religioso e socialmente muito importante para as religiões cristãs, juntamente com a Páscoa. Após a celebração anual da Páscoa, a comemoração mais venerável para a Igreja é o Natal do Senhor e suas primeiras manifestações. É encarado universalmente como o dia consagrado à reunião da familia, à paz, à fraternidade e à solidariedade entre os homens.

Nas línguas latinas o vocábulo Natal deriva de Natividade, ou seja, referente ao nascimento de Jesus. Nas línguas anglo-saxónicas o termo utilizado é Christmas, literalmente "Missa de Cristo". Já na língua germânica, é Weihnachten e têm o significado "Noite Bendita".

Na Suíça o natal é um feriado. Em algumas partes do país, 26 de dezembro também é considerado feriado.

Na Igreja católica, 25 de dezembro é considerado feriado religioso desde 336 D.C.

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