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Banco Central suíço tem um problema com homens?

Presidente do Conselho Administrativo do Banco Nacional Suíço, em frente a uma galeria de fotos dos principais executivos da instituição. © Keystone / Gaetan Bally

Há problemas no Banco Central da Suíça (SNB). Críticos alegam discriminação de gênero.

Este conteúdo foi publicado em 17. setembro 2020 - 10:00
Fabio Canetg

O mais flagrante é a proporção exagerada de homens no Departamento III, responsável pela implementação da política monetária. Para cada 46 diretoras e vice-diretores, há apenas quatro vice-diretoras, o que corresponde a uma quota de mulheres de apenas nove por cento.

Pouca promoção de mulheres

Em todos os departamentos, 117 dos 145 cargos de gerência no SNB são ocupados por homens, ou seja, 81%. Em comparação, o Banco Central Europeu (BCE) emprega 69% de homens nos cargos de chefia. O Federal Reserve dos Estados Unidos emprega 57%.

Situação no SNB deve melhorar? Não.

As mulheres são sistematicamente descartadas para as promoções internas no SNB. Desde a virada do milênio, a instituição nomeou 57 funcionários para postos na alta gerência. Destes, 84% eram homens. Nos últimos 20 anos, apenas três mulheres (e 25 homens) deram o salto de carreira para se tornarem diretores do banco.

Trabalho em tempo integral favorece carreiras de homens

Problemático por duas razões.

Em primeiro lugar, os currículos das mulheres tendem a ser analisados de forma mais crítica do que a dos homens. Especialistas denominam esse efeito de "preconceito de gênero". O problema poderia ser combatido com a criação de uma comissão de contratação de pessoal com base na igualdade de gênero. Mas o Banco Nacional não tem uma comissão semelhante.

Em segundo lugar, os homens do SNB se beneficiam do fato de trabalharem quase exclusivamente em tempo integral (87%). Enquanto isso, mais da metade das mulheres trabalha em tempo parcial (55%). Esta divisão patriarcal do trabalho favorece os homens, porque os funcionários em cargo de chefia, trabalhando em tempo integral, tendem a classificar os candidatos para empregos em tempo integral melhor do que os concorrentes em tempo parcial. Existe também um termo técnico para este efeito: "favoritismo em grupo".

Os processos de empregos criados pelos homens favorecem assim os candidatos masculinos. Como resultado, o domínio masculino se reproduz.

Conferências do SNB como reunião de clube masculino

A predominância dos homens também é marcante na conferência anual do SNB.

O critério mais importante para o convite de participação em uma conferência é geralmente a qualidade da pesquisa acadêmica. Pesquisa de alta qualidade são produzidas em universidades nos EUA, entre outras. Ali, cerca de 75% de todas as cátedras de economia são atualmente ocupadas por homens. Entretanto, 94% dos homens convidados para uma conferência são homens.

No SNB, portanto, não só há significativamente mais homens do que mulheres, mas também uma ordem feita por homem que favorece sistematicamente homens. O que as lideranças do SNB fazem para combater os abusos?

Mulheres talentosas deixam o SNB

Praticamente nada.

A liderança do SNB não vê necessidade de garantir mais igualdade de gênero em cargos de gestão com programas de promoção das mulheres e metas vinculativas. O SNB, portanto, contrasta com o BCE, que, apesar de sua proporção significativamente maior de mulheres na administração, anunciou a intenção de promover pelo menos 50% de mulheres no futuro.

A ignorância da liderança da SNB sobre sua problemática cultura masculina significa que muitas mulheres talentosas acabam procurando sua sorte em outros países. Isto é injusto para as mulheres que gostariam de ter tido uma carreira na Suíça.

Mas a discriminação de gênero também tem um impacto negativo sobre a política monetária do país: se os candidatos forem promovidos consciente - ou inconscientemente - com base no sexo (masculino) em vez de habilidades, isso prejudica a capacidade do banco central de conduzir uma política monetária adequada a médio prazo.

Amanda Bayer é a delegada de igualdade do Federal Reserve nos EUA. Ela diz: "O primeiro passo para uma solução é admitir que existe um problema".

swissinfo.ch confrontou a assessoria de comunicação do SNB com as anomalias descritas acima. A resposta foi: "Não iremos responder à questão."

Ainda mais?

No podcast de política monetária da swissinfo.ch, o autor Fabio Canetg conversa com a jornalista Patrizia Laeri sobre como os problemas de gênero no SNB e possíveis formas de corrigi-lo

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Fabio Canetg escreveu o artigo com o apoio de Sophie Guignard.

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