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Pressão aumenta nas estações de esqui suíças

Esquiadores com máscaras em Verbier na segunda-feira (30) - as pistas ainda estarão abertas durante o Natal? Keystone

As esperanças das estações de esqui suíças de receber turistas estrangeiros durante as férias de Natal poderão ser frustradas em breve: a França e a Áustria querem evitar que seus cidadãos pratiquem esqui no exterior impondo quarentenas obrigatórias.

Este conteúdo foi publicado em 03. dezembro 2020 - 07:15
swissinfo.ch/fh

O Primeiro Ministro francês Jean Castex disse na quarta-feira que seu governo obrigaria os cidadãos a ficar isolados durante sete dias após as férias de esqui no exterior. Pontos de controle seriam instalados nas fronteiras com a Suíça e a Espanha.

A medida será implementada se a Suíça e a Espanha não fecharem seus destinos de esportes de inverno até janeiro, como fez a França, disse ele.

Castex disse que a conclusão a ser tirada disto é que as pessoas não devem ir esquiar na Espanha ou na Suíça. Segundo ele, os trabalhadores fronteiriços não seriam afetados.

A Áustria, assim como a Suíça, recusou-se até agora a fechar suas estações de esqui durante as férias. Entretanto, ao impor uma quarentena de dez dias aos viajantes de áreas de alto risco, a Áustria pretende limitar seriamente o turismo durante este período.

A medida visa evitar que o vírus seja transportado para o país por austríacos ou turistas do exterior, disse o chanceler Sebastian Kurz na quarta-feira.

A Alemanha passou a considerar a Suíça uma área de risco desde 24 de outubro. Por conseguinte, quem vem do país alpino tem que entrar em quarentena por dez dias.

O Presidente do Conselho Italiano de Saúde, Franco Locatelli, disse que a decisão da Suíça de manter as estações de esqui abertas foi decepcionante. Ele disse ao La Stampa que esperava que as estações de esqui suíças fossem fechadas até o final do ano. Caso contrário, ele disse que iria pedir uma quarentena para as pessoas que retornassem à Itália.

Nos últimos dias Simonetta Sommaruga, que detém a presidência rotativa da Suíça este ano, tem tentado encontrar uma solução para o problema e tem mantido conversações com Castex e o primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte, entre outros.

Pomo da discórdia

O que não facilita o trabalho de Sommaruga é uma aliança de partidos centristas que na quarta-feira exortou o governo a não impor medidas drásticas às estações de esqui e regiões montanhosas durante o período de festas. Uma declaração nesse sentido será apresentada ao parlamento na quinta-feira.

Representantes de todas as principais organizações e regiões turísticas advertiram o governo para ter cuidado com novas medidas de coronavírus nas regiões montanhosas. O governo deveria deixar a liderança para os cantões afetados, disseram eles.

O pomo da discórdia é um projeto de decreto que o governo enviou aos cantões para consulta há alguns dias. De acordo com esta proposta, as estações de esqui suíças devem, em princípio, permanecer abertas. Entretanto, a fim de evitar grandes multidões, medidas como restrições de capacidade ou fechamento antecipado para restaurantes e bares devem ser aplicadas.

"A economia é importante demais"

Por sua vez, as estações de esqui suíças estão se preparando para as férias de final de ano, apesar da pressão de seus vizinhos para fechar até que a última onda de coronavírus passe.

O Ministro da Saúde Alain Berset propôs limites à capacidade dos teleféricos de esqui no Natal e no Ano Novo, mas os operadores de teleféricos e as regiões montanhosas já esperam que muitos visitantes estrangeiros fiquem longe durante o período festivo com restrições adicionais.

Eloi Rossier, prefeito de Bagnes, logo abaixo da estação de esqui suíça de Verbier, reconheceu sentir o clima pesado de outros países, mas disse que a economia de esqui de sua cidade era importante demais para simplesmente cancelar a temporada, especialmente dadas as medidas que a estação estava tomando para manter as pessoas seguras.

Ele espera até 45.000 pessoas durante o Natal e o Ano Novo, menos do que o normal devido a muitos cancelamentos.

"Há um aspecto econômico que não podemos negar. É extremamente importante", disse Rossier. "Mas não é o esqui que é perigoso para transmitir o vírus, mas o que vem depois do esqui, o 'après-ski' [aperitivos e festas, n.d.r.]. Aqui tomamos medidas extremamente rigorosas para limitar [...] os riscos".

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