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Um terço das empresas suíças já foram espionadas

Muitas empresas suíças investem grandes somas em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias, o que desperta interesse por parte dos competidores estrangeiros. © Keystone / Christian Beutler

A Suíça atrai espiões: centros de pesquisa de renome, organizações internacionais e tecnologia de ponta empregada pelas empresas estão na mira de concorrentes. Pela primeira vez, um estudo mostra a extensão do problema.

Este conteúdo foi publicado em 31. janeiro 2020 - 12:00

Um exemplo típico de espionagem industrial: alguém entra em contato com um funcionário de empresa suíça através das redes sociais e faz perguntas sobre os métodos de produção. Mais tarde, competidores lançam produtos similares no mercado e os vende a preços muito abaixo do original. Resultado: prejuízos e até ameaça de existência.

Esses exemplos têm se tornado cada vez mais comuns. A espionagem industrial aumentou significativamente nos últimos anos. Por falta de dados a dimensão do problema era desconhecida. Muitas empresas não revelam às autoridades que foram espionadas, seja por medo de prejudicar sua reputação ou admitir falhas nos seus sistemas de segurança.  

 Até que ponto faltam dados confiáveis para a Suíça. Muitas vezes, as empresas nem percebem que foram espionadas. Ou abstêm-se de relatar às autoridades por medo de perda de reputação.

Um terço afetado

Os serviços de inteligência da Suíça investem agora na prevenção e, para tal, encarregaram o Instituto de Direito Penal e Criminologia da Universidade de BernaLink externo a realizar uma ampla investigação sobre a espionagem industrial na Suíça.

O estudo, recentemente publicadoLink externo, mostra fatos surpreendentes: um terço das empresas pesquisadas nos setores industriais mais sensíveis afirmou ter sido vítima de espionagem industrial pelo menos uma vez. Onze por cento dela chegaram a correr risco de falência devido às atividades ilegais.  
Os resultados coincidem com uma pesquisa realizada na Alemanha, onde 1/3 das pequenas e médias empresas declararam já ter sido vítimas da espionagem industrial.

Até então não se conhecia a dimensão do problema na Suíça. "A mensagem mais relevante da nossa pesquisa é que o país também está sendo atingido e de ampla forma", afirma Irene Marti, do Instituto de Direito Penal e Criminologia.

Não apenas a grande indústria é espionada: muitas das vítimas são pequenas e médias empresas. Em sua maioria, elas atuam nos setores de engenharia mecânica e industrial, farmacêutica e biotecnologia. Porém outras áreas até então menos visadas como a construção civil, informática, telecomunicações, editores, tecnologia espacial e indústria de defesa também são particularmente afetadas pela espionagem industrial.

Quem espiona?

Segundo Marti, na maioria dos casos é difícil identificar de onde veio o ataque, principalmente se os ataques vieram através da internet. "Os responsáveis nessas empresas revelaram que, em grande parte dos casos, funcionários da empresa, por vezes até ex-funcionários, estavam envolvidos nos casos descobertos. Por vezes eles cooperavam com os concorrentes", explica Marti. Em dez por cento dos casos, a espionagem era promovida por um concorrente internacional. Criminosos são em sua maioria originários da Suíça, Alemanha, China ou Itália

Qual o risco trazido pela espionagem?

Segundo Marti, a espionagem industrial representa uma séria ameaça à Suíça, especialmente quando põe em risco os desenvolvimentos futuros: "As tecnologias de informação são cada vez mais diversas. Se os dados internos e a comunicação empresarial se digitalizam, as possibilidades de espionagem se tornam mais amplas e mais fáceis de se realizar."

Os serviços de inteligência helvéticos consideram importantes as ameaças trazidas pela espionagem industrial. Por isso lançaram em 2004 o ProphylaxLink externo, um programa de prevenção e conscientização voltado às empresas. 

"Com base na pesquisa, dados concretos e confiáveis sobre o número de casos, autores, danos reais e setores afetados foram disponibilizados pela primeira vez", afirma Lea Rappo, porta-voz do Serviço de Inteligência da ConfederaçãoLink externo (SRC, na sigla em francês). Os resultados tornaram possível para o NDB direcionar seu programa ainda mais às necessidades do parque industrial suíço e proteger os seus dados.

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