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Ossos medievais encontrados em catedral de Zurique

Os operários ainda não encontraram o final do fosso cheio de ossos humanos.

Um achado macabro na mais conhecida igreja de Zurique: arqueólogos descobriram frente à "Grossmünster" uma fossa contendo milhares de ossos.

Os restos mortais vêm do tempo da Reforma Protestante, no século XVI, quando os religiosos esvaziaram os ossuários das igrejas católicas por considerá-los contrários à "verdadeira" fé.

Foi um grande susto para os operários. Ao começar a escavar um buraco para a instalação de um novo container subterrâneo para detritos no canteiro de obras da famosa "Grossmünster", a catedral da Igreja protestante em Zurique, atualmente em reforma, eles depararam com uma grande quantidade de ossos humanos. Logo eles perceberam que os restos mortais eram uma camada de vários metros abaixo da superfície.

Os arqueólogos do Departamento de obras civis de Zurique foram chamados e trataram de tranqüilizar os trabalhadores. As ossadas são originárias da Idade Média e não é uma surpresa que elas sejam encontradas durante escavações num terreno tão marcado pela história. "Esse espaço frente à igreja serviu durante muitos séculos como cemitério", explica Andreas Motschi, responsável de projetos no setor de arqueologia do governo municipal.

Apesar da justificação histórica, mesmo os especialistas consideram surpreendente a quantidade de ossos. No primeiro buraco aberto, com cinco metros de comprimento e dois e meio de largura, estão expostos centenas de crânios, mandíbulas, costelas, tíbias, fêmures e outros ossos humanos. Sua disposição é caótica e praticamente não há terra preenchendo o espaço entre eles. A Impressão é que toneladas de ossos foram jogadas de uma só vez no lugar.

Muito trabalho pela frente

"Ainda não sabemos a profundidade dessa camada de ossos na fossa", analisa Motschi.

Já para o chefe do setor de arqueologia de Zurique, Dölf Wild, a hipótese que explica o surgimento dos ossos é menos macabra. Muito provavelmente os restos mortais foram depositados na fossa frente à igreja depois da Reforma Protestante, em 1524.

Zurique, assim como outras cidades que ainda eram católicas antes da revolução religiosa que sacudiu a Europa no século XVI, vivia tradições ainda vividas em países como a Itália. Uma delas é a dos ossuários, lugar onde fiéis depositam restos mortais de familiares nas catacumbas das igrejas para lembrar-se da transitoriedade da vida.

Com o final do Catolicismo na Suíça, os ossuários perderam sua função e foram esvaziados. Além da fossa encontrada, os arqueólogos de Zurique acreditam que existiriam mais duas outras fossas repletas de ossos.

Por isso hipótese de um massacre ocorrido durante os anos caóticos que sucederam a Reforma Protestante é considerada descartada.

Outros objetos encontrados

Pouco acima da camada de ossos, os arqueólogos encontraram esqueletos intactos. O fato mostra que depois dos fragmentos dos ossuários terem sido jogados nas fossas, o terreno passou a ser utilizado como cemitério.

Na camada superior os especialistas ainda encontraram curiosos objetos como um dado, uma figura de mulher e pedaços de um colar. Dölf Wild explica que eles não devem ter sido colocados nas tumbas por alguma tradição, mas que teriam sido perdidos simplesmente por visitantes do cemitério.

Nas próximas semanas a fossa com os restos mortais estará aberta para visitação. Depois os ossos serão retirados pelos serviços funerários municipais e enterrados como mandam as tradições cristãs.

swissinfo, Alexander Thoele

Breves

A área ocupada pela "Grossmünster" abrigou inicialmente um convento, construído por volta de 870 d.c. No século XI outra igreja teria sido construída no local. A atual construção foi iniciada em 1100 e concluída em 1220.
As duas torres características da "Grossmünster" datam de 1487 e 1492.
Durante a Reforma Protestante, o reformador Huldrych Zwingli conseguiu retirar em 1524 da igreja seus altares e outras imagens religiosas.
A igreja foi completamente reformada em 1845. Em 1913-15 ela sofreu reformas internas.

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Reforma Protestante

Foi um movimento que começou no século XVI com uma série de tentativas de reformar a Igreja Católica Romana e levou subsequentemente ao estabelecimento do Protestantismo.

Esse movimento resultou na divisão da Igreja do Ocidente entre os "católicos romanos" de um lado e os "reformados" ou "protestantes" de outro; entre esses, surgiram varias igrejas, das quais se destacam o Luteranismo (de Martinho Lutero), as igrejas reformadas e os Anabaptistas. A Reforma teve intuito moralizador, colocando em plano de destaque a moral do indivíduo (conhecedor agora dos textos religiosos, após séculos em que estes eram o domínio privilegiado dos membros da hierarquia eclesiástica). Sua principais figuras foram Jan Huss (1370-1415), Martinho Lutero (1483-1546) e João Calvino (1509-1564). A resposta da Igreja Católica Romana foi o movimento conhecido como Contra-Reforma. Texto: Wikipédia em português

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