Jovens suíços no exterior visam expandir rede

"Conhecer os jovens suíços no exterior e seu entusiasmo me aquece o coração", disse o ministro suíço das Relações Exteriores, Ignazio Cassis (à direita, de terno azul). Foto tirada no Congresso dos Suíços do Estrangeiro, ocorrido em 2019 em Montreux. ASO/Adrian Moser

O Parlamento dos jovens suíços do estrangeiro retoma suas atividades com uma nova visão. O foco é a educação e a participação ativa de seus membros.

Os fundadores do Parlamento dos Jovens Suíços do Estrangeiro (YPSA, na sigla em inglês) não poderiam imaginar os inúmeros obstáculos que surgiriam durante os primeiros quatro anos de existência da organização. "A primeira dificuldade é a distância entre os membros", analisa o presidente demissionário Roberto Landolina.

Enquanto Skype, WhatsApp e redes sociais como Facebook, Instagram, YouTube e Meetup facilitam a comunicação em escala global, os jovens da chamada "Quinta Suíça" (Suíços do exterior) que participaram do projeto tiveram que reconhecer que, por si só, tais canais não são suficientes para criar uma comunidade global. 

Para crescer, a comunidade de jovens suíços no exterior precisa mudar de rumo, diz Landolina. Durante estes primeiros meses, ele acompanhará o novo conselho eleito no final do ano passado para a legislatura 2020-22. 

O YPSA é o "Parlamento dos Jovens Suíços do Estrangeiro". Foi fundado em 2015 com o objetivo de criar uma comunidade em rede que permitisse aos suíços com idades de 15 a 35 anos, em todas as partes do mundo, de estabelecer contatos, trocar informações, compartilhar experiências, formar grupos em seus países de residência e organizar eventos e projetos. 

O YPSA foi fundado com o apoio da Organização dos Suíços no Estrangeiro (ASO) e está representado no Conselho dos Suíços no Estrangeiro. O YPSA é independente e funciona de forma autônoma. 

O Parlamento é apartidário, apóia a educação política da juventude suíça no estrangeiro e é membro da organização da Parlamentos de Jovens Suíços (DSJ).

A cada dois anos os membros da YPSA elegem um conselho de 8 a 13 pessoas para representar e promover os seus interesses, e para coordenar suas atividades. 

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"Queremos fazer deles uma comunidade não apenas em número, mas também de ideias", enfatiza Landolina. O estudante italiano de tecnologia espacial da Escola Politécnica de Turim trabalha em projetos com a Agência Espacial Europeia (AEE). 

Landolina e a presidente recém-eleita, Jacqueline Siffer, que vive nos EUA, já trabalharam juntos no ano passado para definir as metas e a estratégia da YPSA para o período entre 2020 e 2022.

Roberto Landolina foi o presidente do Parlamento Jovem até o final do ano. swissinfo.ch

Ficar conhecido e oferecer oportunidades 

Para conectar os jovens suíços ao redor do mundo, "precisamos primeiro alcançá-los para que possam interagir com o YPSA e, dessa forma, se tornar membros ativos e formar grupos individuais em seus países ", diz Landolina. Para isso, o YPSA deve poder contar com o apoio de redes de contatos já estabelecidas entre suíços no estrangeiro.

Porém tais redes "não existem em todos os países ou não estão suficientemente desenvolvidas". Nos últimos anos, a liderança do YPSA tem tentado resolver este problema através dos consulados e embaixadas suíças. "Graças ao empenho do ministério suíço das Relações Exteriores (EDA), convites são enviados aos jovens suíços no exterior através das representações suíças para que possamos conhecê-los e tentar envolvê-los em nosso processo", diz Landolina. 

No entanto, a cidadania comum suíça por si só não é suficiente para convencer os jovens suíços no exterior a participar do YPSA: "A comunidade deve provar que tem algo a oferecer", enfatiza o estudante. 

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Para tanto, os membros do conselho tiveram a ideia de incentivar seus jovens pares a se tornarem ativos na comunidade e de "oferecer-lhes a oportunidade de desenvolverem "soft skills", ou seja, aquelas habilidades que são cada vez mais exigidas dos jovens de hoje como o trabalho em equipe, a capacidade de analisar uma situação e depois resolver um problema". 

O sistema educacional suíço como catalisador 

Landolina está convencido de que os jovens estão muito interessados em questões de educação e formação. Especialmente em relação à Suíça. "Na minha experiência pessoal, 80% dos jovens procuram informações sobre educação. Muitos já me perguntam como ela funciona na Suíça", diz Landolina. 

A satisfação desta demanda deve, portanto, ser uma grande prioridade para o YPSA. Mesmo que este não seja o único campo de atividade. O novo conselho compartilha desta opinião e já começou a trabalhar nesse sentido. 

Uma série de aproximadamente dez minutos de entrevistas online com personalidades e especialistas de várias áreas está agora sendo desenvolvida. As perguntas têm de ser formuladas pelos membros da comunidade. Eles devem também ser encorajados a participar com sugestões e iniciativas de vários tipos. 

Cooperação externa 

O conselho já tem várias ideias para projetos futuros. No entanto, devido à falta de recursos financeiros, o YPSA não tem atualmente capacidade para realizar eventos e workshops. Para superar este obstáculo, a diretoria está tentando estabelecer relações com outras instituições já consolidadas. 

O YPSA já começou a avançar nessa direção. Desde o último encontro de suíços do exterior que vivem na Itália, realizado em Palermo em maio de 2019, "estabelecemos uma cooperação não oficial com duas grandes associações de jovens universitários, a 'Junior Enterprises'". Eles funcionam como um elo de ligação entre o mundo universitário e o mundo do trabalho em várias áreas de atividade", diz Landolina. 

Grupos específicos de trabalho 

Mas os jovens suíços do estrangeiro ainda devem se conscientizar de que a chave para se estabelecer uma comunidade viva e em crescimento já está em seu poder: a participação ativa. O conselho do YPSA criará grupos de trabalho para promover a participação. 

Um grupo de trabalho irá se encarregar da comunicação. Seu objetivo será melhorar a presença do YPSA nas redes sociais. Estas são ferramentas fundamentais para o trabalho e para o fortalecimento da comunidade de jovens suíços no exterior. Por outro lado, o Conselho para a Expansão da Comunidade tentará criar o maior número possível de grupos em diferentes países. 

O relançamento do YPSA já começou. Cabe agora aos jovens suíços de todo o mundo mostrar que estão abertos à ideia e embarcar nesse trem.

Suíços no estrangeiro

Segundo os registros do Departamento Federal de Estatísticas (BFS, na sigla em alemão), 760.200 cidadãos suíços estavam registrados até o final de 2018 em uma representação diplomática ou consular suíça no exterior.

Esse número corresponde a 10,6% de todas as pessoas com a nacionalidade suíça. Um quinto dos suíços no estrangeiro têm pelo menos 65 anos de idade, 6% têm mais de 79. 

Mais de 62% dos suíços no estrangeiro vivem na Europa: 464 mil residem em um país da União Europeia (UE) ou da EFTA e 357 mil em um país limítrofe à Suíça.

A França é o país com o maior número de residentes (197.400). Seguem-se a Alemanha (90.400), Itália (49.600), Reino Unido e seus territórios europeus (35.700) e Espanha (23.800).

Em todos os países mencionados, o número de suíços que vivem no estrangeiro aumentou, com o maior aumento no Reino Unido (+2,7%) e o menor na Itália (+0,1%). 

Em relação aos continentes, além da Europa, os suíços do estrangeiro se estabeleceram na América do Norte (16%), América do Sul (8%), Ásia (7%), Oceania (4%) e África (3%).

Os países de residência mais comuns fora da Europa são os Estados Unidos (80.400 pessoas), Canadá (40.000), Austrália (25.100) e Israel (20.200).

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