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Morre o ex-presidente da "Comissão Bergier"

Bergier durante a exposição "História e Memória: a Suíça durante a Segunda Guerra Mundial", em Zurique (4/12/04)

(Keystone)

O historiador e sociólogo Jean-François Bergier, ex-presidente da comissão que investigou as relações da Suíça com a Alemanha nazista, morreu nesta quinta-feira (29/10), aos 77 anos de idade.

A informação foi divulgada pela rádio pública da Suíça francesa (RSR) e confirmada por um membro da família. Bergier era considerado um especialista em história da economia suíça e dos Alpes.

Bergier fez doutorado na Universidade de Genebra, onde, em seguida, foi professor de História Econômica e Social. De 1969 a 1999, ele exerceu essa função no Instituto de História da Escola Politécnica Federal de Zurique.

Ele tornou-se conhecido além das fronteiras suíças no final de 1996, quando, após o escândalo dos "fundos esquecidos" de vítimas do Holocausto (veja link à esquerda), foi nomeado pelo governo para presidir a Comissão Independente de Especialistas encarregada de analisar o papel da Suíça na Segunda Guerra Mundial.

Durante cinco anos, este grêmio investigou as relações políticas e econômicas da Suíça com o Terceiro Reich. Em 22 de março de 2002, a comissão apresentou os resultados no chamado "Relatório Bergier".

Crítica às elites suíças

Em alguns de seus relatórios preliminares, por exemplo no relacionado à política para refugiados, a comissão fez críticas em parte severas ao comportamento da então Suíça oficial e à sua elite política e econômica.

Por isso, ela – e indiretamente também Bergier – recebeu elogios, sobretudo do exterior, mas também duras críticas de representantes de partidos da direita e da geração da Segunda Guerra Mundial.

"Ilusão de ótica"

Muitos suíços disseram que o relatório da comissão foi duro demais com o país. Alguns se sentiram traídos. Em entrevista à swissinfo.ch, em maio de 2005, Bergier disse que isso era "uma ilusão de ótica".

"O relatório só tratou de certos pontos críticos. Sublinhamos os méritos da neutralidade que ajudou a preservar nossas instituições, os valores fundamentais aos quais nosso país era apegado", afirmou.

"Mas, para isso, foram feitos certos compromissos, que podemos chamar de erros, como a política dos refugiados. Constatamos que a economia às vezes foi mais longe do que era indispensável com as potências do Eixo. Mesmo se era difícil avaliar a situação naquela época, alguns não perceberam a tempo até que ponto se envolviam", acrescentou.

Cinco anos depois da apresentação do relatório, ele contou que a comissão trabalhou sob pressão do início ao fim. Perguntado se seu trabalho conseguiu reconciliar os suíços com seu passado, Bergier respondeu:

"Espero que eles tenha se conscientizado de seu passado. Que tenham se conscientizado de que seu país não era completamente imaculado, como frequentemente foi descrito. Que a realidade é um meio-termo", disse à swissinfo.ch em março de 2007.

swissinfo.ch com agências

Breves

- Jean-François Bergier nasceu a 5 de dezembro de 1931 em Lausanne.

- Em 1969, foi nomeado professor de Históri na Escola Politécnica Federal de Zurique (EPFZ).

- Fez pesquisas em história econômica, social e cultural da Suíça e de outros países alpinos, da Idade Média aos dias atuais.

- Em 1999, ele foi escolhido para presidir a Comissão Independente de Especialistas encarregada de estudar o papel da Suíça durante a Segunda Guerra Mundial.

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