"O mundo inteiro precisa dos nossos aparelhos respiratórios"

Centro de produção de aparelhos respiratórios da Hamilton, no cantão dos Grisões, Suíça. Hamilton Bonaduz AG

Aparelhos respiratórios fazem a diferença entre a vida e a morte no tratamento dos sintomas graves da covid-19. A líder mundial do mercado é a empresa suíça Hamilton. Segundo seu diretor-executivo, ela faz o possível para atender a demanda, pelo menos onde a carência é maior.

Este conteúdo foi publicado em 19. março 2020 - 16:30

A empresa médica Hamilton Bonaduz AG no cantão dos Grisões, produz aparelhos respiratórios. Eles são utilizados em unidades de terapia intensiva (UTI) em hospitais e clínicas. A demanda pela última geração dessas máquinas já era difícil de atender até mesmo antes do surto da pandemia. A capacidade de produção foi aumentada. Difícil é selecionar para quem as máquinas serão vendidas.

swissinfo.ch: Como aumentou a demanda pelos aparelhos da Hamilton nesses últimos tempos?

Andreas Wieland: A nossa empresa já tinha crescido muito. No ano passado o crescimento foi de 20%. No ano antorior,30%. Mas agora a procura é muito maior. O mundo inteiro necessita dos aparelhos.  

swissinfo.ch: Quantos aparelhos você produzia antes da pandemia surgir? E quantos poderia vender hoje?

A.W.: Podemos agora vender tudo o que fabricamos ao longo do ano passado inteiro, ou seja, entre 1.500 e 2.000 unidades.

swissinfo.ch: Quais são as características especiais desse equipamento?

A.W.: A nova geração desses aparelhos tem a chamada ventilação em circuito fechado. Isto significa que só é necessário colocar a máscara no paciente ou entubá-lo. O dispositivo então faz tudo o que é necessário, de forma totalmente automática, com base na pressão, volume, mecânica pulmonar e outros parâmetros que medem, por exemplo, as funções cardíacas e pulmonares.

Isso alivia o médico de ter que verificar repetidamente se o dispositivo está configurado corretamente ou se precisa de reajuste. Além disso, proporciona segurança adicional, especialmente em países onde a experiência do pessoal médico não corresponde ao nível existente neste país.

"Trabalhamos dia e noite, sábado e domingo." 

End of insertion

swissinfo.ch: Morrer devido à essa virose é, ao contrário do que muita gente imagina, muito doloroso. De que forma os aparelhos ajudam os pacientes?

R.W.: De fato, o vírus causa tanto muco nos pulmões que o paciente sufoca lentamente. Se os pacientes forem intubados e ventilados, muitos deles podem ser salvos, mas é claro que não todos.

swissinfo.ch: Como é possível trabalhar, sabendo que muitas pessoas poderão morrer se não forem produzido um número suficiente de aparelhos?

R.W.: Estamos plenamente conscientes disso e trabalhamos dia e noite, incluindo o sábado e o domingo. Cheguei a solicitar ao governo uma licença para trabalho aos domingos.

Dados gerais

Hamilton Bonaduz AG é uma empresa suíça especializada na produção de aparelhos médicos como automação laboratorial ou tecnologia de sensores. Também é líder mundial de aparelhos respiratórios. Dos 1.400 funcionários, cerca de 500 estão envolvidos na produção dos aparelhos de respiração. Um aparelho de última geração custa aproximadamente 60 mil francos.

End of insertion
Andreas Wieland, diretor-executivo da Hamilton Bonaduz AG. Keystone / Gian Ehrenzeller

swissinfo.ch: E possível nesse momento contratar pessoal adicional para a produção?

R.W.: Estamos a tentar formar funcionários adequados de empresas que tiveram de introduzir o trabalho a tempo reduzido devido ao coronavírus. 

swissinfo.ch: Em quanto é possível aumentar a produção a curto prazo?

R.W.: Antes da pandemia, esperávamos um aumento de 20% nas vendas. Mas agora estamos a aumentar a produção em mais 50%.

swissinfo.ch: E quanto aos fornecedores de componentes? É possível encontrar tudo o que vocês necessitam?

A.W.: Está cada vez mais difícil. Se cada país cuidar de si mesmo, isso também tem um impacto no fornecimento dos nossos componentes. Por exemplo, as autoridades romenas classificaram alguns desss componentes como "dispositivos médicos" e impedem sua exportação à Suíça. Tentamos explicar-lhes que eles não podem ventilar ninguém só com esses componentes.

"Tentamos entregar para onde a necessidade é maior." 

End of insertion

swissinfo.ch: A Hamilton ainda faz entregas no exterior?

A.W.: Fornecemos tanto em casa como no exterior. Na Suíça estamos negociando com alguns hospitais, centros universitários, autoridades da área de saúde e o Exército suíço para atualizar suas exigências na medida do possível.

swissinfo.ch: Quem recebe o equipamento e quem tem o pedido recusado?

A.W.: Entregamos onde a necessidade é maior.

swissinfo.ch: O que isso significa em termos concretos?

A.W.: Um exemplo: as forças armadas americanas encomendaram uma quantidade enorme, mas não entregamos tudo. Descobrimos que na Itália o problema era muito maior. Estabelecemos as prioridades segundo cada caso.

swissinfo.ch: Algum hospital na Suíça não pode ser atendido?

R.W.: Não, nenhum. Porém alguns hospitais ficaram desapontados, mas por outras razões. Um exemplo: se um pequeno hospital regional encomendar dez unidades, mas sabemos que só têm três unidades de terapia intensiva, então eles só recebem três unidades. Isso, pois o equipamento também requer pessoal treinado e uma infraestrutura apropriada.

Conteúdo externo

swissinfo.ch: Você vê uma situação de carência de máquinas respiratórias nos hospitais suíços?

A.W.: Os hospitais na Suíça dispõem atualmente de mil a 1.200 aparelhos. Presumo que esse número não seria suficiente se a pandemia for tão grave como na Itália.

"As pessoas na Itália também são muito importantes. Por isso fazemos tudo o que podemos para cuidar delas".

End of insertion

swissinfo.ch: E as entregas na Itália? Você tem equipamento suficiente para os pacientes do nosso país vizinho?

A.W.: As pessoas na Itália também são muito importantes para nós. Por isso fazemos tudo o que podemos para cuidar delas.

swissinfo.ch: Já morreram pacientes na Itália que poderiam ter sido salvos com seus aparelhos?

A.W.: Não temos capacidade para cobrir a enorme demanda na Itália. Sei que muitas pessoas, especialmente idosos, estão morrendo sem podido ter sido atendidos. Alguns dos profissionais de saúde já nem sequer têm máscaras de proteção.

swissinfo.ch: A Alemanha proibiu fabricantes nacionais de exportar material de proteção e segurança. Como você reagiria se o governo suíço tivesse a mesma ideia?

A.W.: O governo federal poderia nos proibir de exportar com base na Lei de emergência. Mas protestaríamos contra isso. Se eles nos deixarem fazer o nosso trabalho, e nos apoiarem, faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para conseguir material suficiente para toda a Suíça.

Conteúdo externo

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Partilhar este artigo