Suíça - teste para o populismo europeu?

Philip Schaufelberger

Os debates principais geralmente se concentram em como frear ou combater "a ascensão do populismo". Seria a solução dar a palavra aos políticos, permitir o debate e até o voto na democracia direta ou o risco é grande demais?

Domhnall O'Sullivan e Philip Schaufelberger (ilustração)

O jornalista alemão Ralf Schuler argumenta que os populistas deveriam ter espaço no debate política e até ser uma forma de revigorar a democracia.

Em todo caso, ignorá-los não funciona, especialmente na era digital, afirma. "Populistas abrem seu espaço próprio na internet, onde constroem as próprias verdades".

A instabilidade política nas democracias ocidentais ao longo do último século esteve quase sempre ligada ao populismo. A busca de uma "cura" para o que as forças estabelecidas veem como um abuso das instituições democráticas é ainda mais antiga. 

Por que é que o debate é tão difícil e tão duradouro? 

Um problema é que a demagogia está nos olhos de quem a vê. Populismo é um termo complicado. Como não pode ser medido, o que nos resta muitas vezes são algumas poucas definições, a maioria concordando que se trata de um estilo político que coloca uma "elite" moralmente falida contra um "povo" oprimido, ignorado ou enganado.

Quanto às políticas, os críticos dizem que os populistas prometem soluções simplistas para problemas complexos como a imigração, a diversidade cultural e a mudanças na sociedade. Os populistas dizem que a palavra é um termo usado por todas as elites para rejeitar os argumentos que não lhe agradam.

Mas importante que semântica é o debate: IDEA, um grupo de pesquisa sueco, descobre que os períodos em que os populistas chegam ao poder são momentos de declínio em muitos aspectos da saúde democrática. Quem sofre é a liberdade de expressão ou a própria sociedade civil.

Vivemos em um desses períodos: embora o populismo possa ter chegado ao seu auge, segundo um estudo da Comissão Europeia, a situação geral é que tais partidos tiveram uma triplicação do eleitorado nas últimas duas décadas.

E, portanto, mesmo que a ideia de governar com grupos como o Reagrupamento Nacional (França ou o Partido pela Liberdade (Holanda) pareça assustadora para muitas pessoas de pensamento político moderado, a escolha pode faltar.

Exemplo suíço

Quando se trata de falar sobre política, a Suíça costuma ser um exemplo único: embora seja vista como um modelo de estabilidade e, por vezes, como campeã mundial da democracia (direta) o país alpino tem seus momentos populistas.

Nas últimas três décadas a Suíça viveu a ascensão do Partido do Povo Suíço (SVP, na sigla em alemão), cuja força parlamentar cresceu de 12% em 1991 para 29,4% em 2015.

Apesar dos grandes ganhos nas eleições do ano passado feitos pelos partidos ecológicos, rotulados de populistas no passado, o SVP continua a ser a bancada mais forte no Parlamento suíço em 2020.

Como o país conseguiu evitar a instabilidade política e a retórica inflamada do populistas ao contrário do que ocorre nos países vizinhos? Segundo alguns especialistas, o segredo é a democracia direta.

Por um lado, a democracia direta encoraja o populismo, incluindo ideias na agenda política que seriam geralmente bloqueadas sob um sistema diferente. Os cidadãos podem propor leis e votar até quatro vezes por ano em plebiscitos diversos, se sobressaindo aos interesses particulares das elites. 

Mas a democracia direta também estimula o populismo: ela cobra a contribuição dos cidadãos no processo político. Os eleitores, acostumados a votar e deliberar, têm chances de se fazer ouvir: e assim questões prementes "surgem e precisam ser resolvidas", analisa o cientista político Claude Longchamp.

Em outros lugares, os problemas podem ficar sem solução e serem jogados embaixo do tapete, avalia o jornalista Schuler. "(Os movimentos populistas) retomam questões ignoradas pelos grandes partidos, e "convencem as pessoas marginalizadas politicamente dos seus argumentos", diz ele.

Finalmente, é claro, existe a célebre "Fórmula Mágica". Ela explica por que o Poder Executivo na Suíça é sempre formado por representantes dos maiores partidos, seja esquerda ou direita. 

Enquanto populistas são ostracizados em outros países, o SVP tem há muito representantes no Conselho Federal, o corpo de sete ministros que governa o país. Eles pragmaticamente com os outros e conseguem chegar a decisões comuns.

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