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Suíça tem muito a fazer pela igualdade entre homens e mulheres

Apesar de duas ministras , ainda há poucas mulheres no quadro político suíço. Keystone

A clivagem entre homens e mulheres é mais profunda na Suíça do que na Jamaica ou na África do Sul. Um estudo comparativo coloca a Suíça em 25° lugar entre 115 países

Este conteúdo foi publicado em 29. novembro 2006 - 14:13

As oportunidades econômicas das suíças são insuficientes, constata um estudo global feito pelo Fórum Econômico Mundial (WEF).

A igualdade de oportunidades entre mulheres e homens seria maior na África do Sul do que na Suíça?

Os direitos, o nível de vida, o acesso aos serviços sanitários e à educação não são inferiores na Suíça. "Mas, se comparamos as oportunidades oferecidas aos homens e reservadas às mulheres, parcebe-se que diferença entre os dois sexos é maior na Suíça do que na África do Sul", explica Saadia Zahidi, uma das autoras do relatório Global Gender Gap, do Fórum Econômico Mundial.

A edição 2006 do estudo, realizado em colaboração com a Universidade de Harvard e a London Business School, examina a situação de um grande número de países, totalizando quase 5 bilhões de pessoas.

Os critérios de avaliação foram aplicados a dados provenientes da mesma fonte, a Organização das Nações Unidas.

Os setores em que as disparidades entre homens e mulheres foram constatados são a participação e as oportunidades no mundo econômico (salários, cargos altamente qualificados e de responsabilidade).

Também foram considerados a educação e a formação (média e superior), participação política (representação nas estruturas administrativas e legislativas), e ainda a saúde.

Nem pior nem melhor

Em uma escala de 0 a 10 (0 correspondendo uma situação de inegalidade te 10 à
inegaliade total), a Suécia ocupa o primeiro lugar, com uma taxa de paridade de quase 80%.

O resultado demonstra que mesmo o país mais vigilante em matéria de igualdade de sexos não chega a uma paridade total, embora isso não impeça a Suécia de ser vista como um modelo.

Vários países europeus mas também a Nova Zelândia e as Filipinas estão em 10 primeiros da classificação. A Suíça está em 25° lugar, bem aquém de seus vizinhos como a Alemanha (5°) mas bem à frente da França (70°) e da Itália (77°). Nesses dois países, o ponto fraco é a sub-representação feminina em política e na economia.

Portugal aparece em 32° lugar, Brasil em 67° e Angola em 96°. A Turquia, candidata à União Européia (UE), aparece em 105° lugar na classificação do WEF.

Clivagem ultrapassada

"Com uma taxa global de paridade homens-mulheres superior a 90% em saúde e educação, pode-se considerar que praticamente não há mais diferença entre os sexos", afirma Saadia Zahidi.

"Em contrapartida, a porcentagem cai por volta de 50% em economia e em política. Nesses setores, as mulheres ainda são amplamente sub-representadas", acrescenta a pesquisadora.

A Suíça não é uma exceção a essa regra. O problema da disparidade salarial persiste e as mulheres são apenas parcialmente representadas nas instâncias políticas como os Parlamentos e Exucutivos, nos vários níveis.

Além disso, o Global Gender Gap destaca uma particularidade helvética: segundo o documento, o número de estudantes matriculadas nas altas escolas e universidades suíças é inferior ao de outros países desenvolvidos, onde a tendência é exatamente inversa.

Obstáculos consideráveis

"A Suíça contesta a avaliação feita pela ONU, que não leva em consideração a formação de certas escolas técnicas como de nível universitário", precisa a co-autora do estudo.

Dessa maneira, o resultado parece ligeiramente inferior e a Suíça teria uma classificação melhor, com outros critérios.

Globalmente, os obstáculos encontrados pelas mulheres continuam consideráveis. Se países como os Estados Unidos oferecem mais oportunidades sócio-econômicas (22°) a carreira política continua difícil para as mulheres. O resultado é melhor no Canadá (14°) na clssificação do
Global Gender Gap.

América Latina e países árabes

No conjunto de países latino-americanos, os pesquisadores do WEF constataram apenas uma disparidade relativa entre o acesso aos serviços de saúde e aos estudos entre homens e mulhres.

País por país, a realidade é diferente. Na Argentina tem uma das maiores disparidades salariais entre homens e mulheres, onde estas recebem apenas um terço dos homens pelo menos trabalho.

Nos países árabes, o relatório sublinha que houve importantes progressos nas últimas décadas em matéria de saúde e educação, mais acessíveis às mulheres.

Mas os conhecimentos das mulheres é muito pouco explorado, fato que os autores do estudo deploram, afirmando que, quando a situação das mulheres progressa, o nível de vida de todo o país melhora.

swissinfo, Raffaella Rossello

Breves

O estudo «Gender Gap» 2006 do Fórum Econômico Mundial (WEF) é baseado em critérios novos em relação ao ano passado. A metodologia mudou e um maior número de países foi analisado: 115, num total de 5 bilhões de habitantes, ou seja, 90% da população mundial.

Os 10 primeiros colocados em matéria de igualdade entre homens e mulheres são Suécia, Noruega, Finlândia, Islândia, Alemanha, Filipinas, Nova Zelândia, Dinamarca, Grã-Bretanha e Irlanda.

La Suíça está em 25° lugar, depois da Jamaica e antes da Áustria. A França está em 70° e a Itália em 77°. O Sri Lanka é 13° e a Tanzânia 23°.

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A IGUALDADE em números

Dez anos depois da entrada em vigor da lei sobre a igualdade, as mulheres ganham em média 20% a menos que os homens, nos mesmos cargos, na Suíça.

A disparidade é menor no setor publico: 10%. Chega a 15,7% nas empresas com menos de 50 empregados, 20% nas que empregam até mil pessoas e de 30,8% nas grandes empresas.

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