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Integração Suíços e estrangeiros aprendem a conviver por meio da arte

O Maxim Theater em Zurique é um espaço que permite dar voz aos estrangeiros e unir cidadãos de vários países, sem hierarquia ou preconceitos. 



Atualmente 80 pessoas são ativas no Maxim Theater, em Zurique.

Atualmente 80 pessoas são ativas no Maxim Theater, em Zurique.

(Heidi Arens/Theater Maxim)

A integração é um caminho de mão dupla e deve ser almejada tanto por estrangeiros quanto suíços, até mesmo quando em seus países de origem. Seguidora desse conceito, a suíça Claudia Flütsch coordena o Maxim Theater, centro cultural que promove a convivência e entendimento por meio de atividades como música, teatro e, obviamente, aulas de alemão. A filosofia de valorização cultural das diferentes nacionalidades desconstroi o mito de poder do cidadão suíço em sua terra. No Maxim o que conta é a tolerância e o mútuo entendimento: afinal de contas, diversidade enriquece e colore a vida, mas coordenar pessoas muito diferentes é desafio para todas as nações e não exclui cidadão de locais receptores de imigrantes. 

Filosofia

O Centro Cultural aplica a filosofia na prática. Alunos suíços de teatro encenam com os estrangeiros, que nem sempre dominam a língua alemã com maestria. Nesse processo, todos expoem suas dificuldades e os seus diferentes significados para vários aspectos da vida. Com isso, a comunicação melhora e se estabelece uma relação de empatia com o outro, que por ser de outra nacionalidade, pensa e age de forma diferente. “Esse exercício é muito importante. O Suíço tem que aprender como se comunicar com outras culturas. Comer em restaurante tailandês ou japonês é fácil, mas lidar com pessoas de costumes distintos é muito mais desafiador”, explica Claudia, que está a frente do Maxim Theater há nove anos.

De acordo com o suíço Manoel Zuber, esse encontro de diferentes culturas é muito interessante, tanto para sua vida pessoal, quanto para o entendimento de diversas formas de fazer arte. “É curioso observer como pessoas trazem em sua bagagem diferentes formas de expressão no palco devido aos históricos. Mas mais enriquecedor ainda é a possibilidade de ouvir, por suas vozes, impressões do seu país e da sua sociedade. Como um local, eu não teria a oportunidade de me aproximar da realidade dos estrangeiros e sentir os seus dramas e alegrias”, explica Manoel, que integra o grupo há três anos.

Claudia Flütsch é coordenadora do Maxim Theater há nove anos.

(Theater Maxim)

Sem limitações

Atualmente o teatro conta com 80 pessoas ativas. Não existe limitação de conhecimento da língua alemã, de conhecimento de técnicas teatrais ou idade. É claro que não dá para atuar sem falar nenhuma palavra de alemão. A ideia é inclusão; portanto, as portas estão abertas a todos. O teatro aceita estudantes de 18 anos até quando a pessoa se sentir bem para atuar. De acordo com Claudia, projetos de turmas infantis de teatro também seriam benvindos. Além de dois a três grupos de teatro por ano, as atividades se dividem em três grupos de atuação: Aprender alemão interpretando no Teatro, Aprender alemão Cantando e Pais de crianças pequenas vão ao teatro e cantam com seus filhos. De acordo com a definição da página na internet, o Maxim é um engajado teatro da cidade de Zurique, onde artistas de todo o mundo podem interpretar juntos, em um processo artístico que integra diferentes experiências e dá voz aos estrangeiros.

Para a brasileira Magali Kriebel, o uso de técnicas teatrais com objetivo de conhecimento do outro mexeu profundamente com ela, chegando a redefinir sua vida na Suíça. “O fato de eu escutar outros pontos de vista, como os de pessoas que imigraram em situações muito difícies, e de suíços que abrem seus corações para nos entender, me fez repensar na minha relação com esse país. Hoje eu estou mais aberta a compartilhar minhas dificuldades e a novas oportunidades”, revela Magali, que a partir dessa experiência se tornou coordenadora de eventos do Cebrac (Centro Brasil Cultural), onde realiza encontros voltados à arte como o Mistura Fina.

O Teatro existe desde 2006 e por lá já passaram mais de 400 pessoas, de 50 nacionalidades distintas. A idéia do Maxim surgiu com a experiência de vida observada no Kreis 4, em Zurique, onde mais de 150 nacionalidades convivem harmoniosamente. A tolerância inspirou Claudia Flütsch e um colega de trabalho a criar um grupo de atores, com o objetivo de levar, por meio da arte e da prática da improvisação, mensagens de tolerância e convivência com diferenças. Claudia é formada em montagem de palco e coordenção cultural, mas traz em sua bagagem a vontade de ultrapassar barreiras e fazer nações trabalharem juntas por amor à arte. O trabalho é árduo. A coordenadora tem que pensar em novos projetos, conseguir patrocínio e ainda fazer o Maxim ficar conhecido no país. O Maxim é apoiado pelo governo suíço e por empresas.  

Fonte inesgotável de aprendizado

O teatro tem sido usado como ferramenta de promoção de multiculturalismo, melhoria na educação, inclusão social e até coadjuvante no tratamento de algums problemas de saúde. De acordo com o doutor em Teoria da Literatura, Celso Cisto, o texto dramático é um grande  arsenal para experimentação de papéis, inclusive sociais, que podem ser usadas para melhora da oralidade, resolução de conflitos.

No Brasil, o Teatro do Oprimido - um dos mais famosos movimentos desse área - foi lançado em 1986 pelo teatrólogo Augusto Boal no Rio de Janeiro. O Teatro do Oprimido é um centro de pesquisa e difusão, que desenvolve metodologia específica de experimentação, análise e sistematização de exercícios, jogos e técnicas teatrais. O método ficou famoso e tem sido usado por outros países.

Depois de exilado pelo regime militar, o teatrólogo Augusto Boal se dedicou a pesquisar formas teatrais que pudessem ser úteis para oprimidos e oprimidas, criando condições para ultrapassarem o papel de consumidores de bens culturais e assumirem a condição de produtores de cultura e de conhecimento.

A filosofia vai de encontro ao que é feito no Maxim, que usa o improviso na interpretação com o objetivo de buscar um pouco de cada um na problemática da cena, que muitas vezes é a questão de muitos dos atores no palco. Os temas do Maxim geralmente falam sobre preoconceito, problemas dos estrangeiros na Suíça e até mesmo sobre diferentes interpretações dentro do mesmo tópico. No ultimo ano, os integrantes do teatro estiveram debruçados sobre o tema felicidade e o que isso significa para cada um.

De acordo com estudo publicado no jornal Mente, Cérebro e Educação, em 2011, a integração de Artes em práticas de ensino provam em pesquisa baseada no cérebro que têm o poder de melhorar a compreensão e retenção a longo prazo. Por exemplo, quando os alunos criam histórias, imagens ou outras expressões não-verbais do conteúdo que eles estão aprendendo - um processo pesquisadores chamam de elaboração - eles também estão ajudando a melhor incorporar as informações.


Para se inscrever, acesse a página http:www.maximtheater.ch

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