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Suíca deve pagar indenizações por adoções ilegais do Sri Lanka

Keystone / Anthony Anex

O Comitê sobre Desaparecimentos Forçados (CED) da ONU pediu à Suíça que conduzisse uma investigação imparcial sobre as adoções ilegais feitas no Sri Lanka no passado e que pagasse reparações às vítimas. 

Este conteúdo foi publicado em 12. maio 2021 - 08:15
swissinfo.ch/fh

Em sua revisão do processo suíço sobre desaparecimentos forçados, divulgado na terça-feira, o CED levantou a questão das adoções ilegais de crianças cingalesas que ocorreram há algumas décadas. 

Embora reconheça que a nação alpina aceitou seu fracasso em impedir as adoções ilegais, o comitê disse que um país rico como a Suíça "deveria fazer mais" por essas crianças que agora são adultas. Concretamente, as autoridades suíças foram incumbidas de acompanhar os casos para determinar a gravidade das injustiças cometidas durante aquele período.  

"O Comitê instou o Estado parte [Suíça] a conduzir investigações exaustivas e imparciais para determinar se as crianças adotadas do Sri Lanka durante os anos 80 e 90 podem ter sido vítimas de desaparecimento forçado e remoção indevida, e se outros delitos, tais como falsificação, ocultação ou destruição de documentos de identidade foram cometidos nesses casos", declarou o CED. 

O comitê também recomendou que a Suíça deveria "garantir o direito de reparação a qualquer pessoa que tenha sofrido com tais atos". 

Em dezembro passado, o governo finalmente admitiu que houve excessos nas regulamentações de adoção que levaram a cerca de 900 crianças do Sri Lanka a serem vendidas ilegalmente a pais suíços entre os anos 70 e 90. A admissão e o relatório interno vieram três anos depois de uma interpelação parlamentar que levou a uma investigação sobre as lacunas na supervisão das adoções. 

Outro relatório publicado em fevereiro passado pela Universidade de Ciências Aplicadas de Zurique também revelou a extensão do tráfico, o que levou a cerca de 11.000 crianças cingalesas a serem entregues para adoção em países europeus. 

Rastreamento dos desaparecidos

Também em Genebra, na terça-feira, o ministro suíço das relações exteriores, Ignazio Cassis, prestou homenagem por ocasião do 150º aniversário da fundação da Agência Central de Rastreamento (CTA) do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

A CTA, fundada na Basileia em 1870, é um banco de dados centralizado, dotado de um mandato legal para ajudar no rastreamento das centenas de milhares de pessoas que desaparecem a cada ano em todo o mundo.

Somente na Síria, durante o período do conflito em curso, 100.000 pessoas foram dadas como desaparecidas, disse o CICV. Em 2020, mais de 150.000 casos foram abertos em todo o mundo. E a cada dia, mais de 20 pessoas são reunidas com suas famílias graças ao CTA.

Na terça-feira, Cassis, acompanhado pela secretária de Estado Livia Leu, prometeu continuar o apoio suíço ao mecanismo, e também anunciou novos esforços para formar uma "aliança internacional" para garantir que a CTA, e a questão das pessoas desaparecidas, continue sendo uma prioridade humanitária.

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