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Vistos de trabalho Cantões exigem mais acesso a trabalhadores estrangeiros

Os três cantões econômicos da Suíça exigiram maior acesso aos trabalhadores estrangeiros de fora da União Europeia. Zurique, Genebra e Basileia dizem que suas economias e capacidades de pesquisa dependem de funcionários altamente qualificados.

Students walk on the campus of the ETH Zurich

O cantão de Zurique argumenta que a falta de acesso a trabalhadores qualificados internacionais poderia ameaçar o ranking do seu Instituto Federal de Tecnologia

(© KEYSTONE / GAETAN BALLY)

O número de trabalhadores estrangeiros na Suíça esteve no centro de um feroz debate político e social por algum tempo, culminando em um plebiscito em 2014 para reduzir a taxa de imigração. No ano seguinte, o governo reduziu o número de autorizações de residências de tipos B e L para os imigrantes de fora da UE de 8500 para 6500.

Os protestos liderados por Zurique, Genebra e Basileia forçaram o governo a voltar um pouco atrás, aumentando as autorizações para 7500 neste ano. Mas na terça-feira (29), os três cantões juntaram forças novamente para exigir um retorno para pelo menos o número de 2014 (8500).

Falta de vistos

Os três cantões usaram as alocações iniciais de vistos de trabalhado nos primeiros três meses deste ano e quase esgotaram um lote secundário de reserva.

Eles argumentam que o limite atual das autorizações prejudica muito as empresas multinacionais, startups inovadoras, universidades e institutos de pesquisa na contratação de pessoal altamente qualificado da Índia, Estados Unidos, China e outros países. Isso ameaça o bem-estar econômico da Suíça, prejudicando sua reputação como centro mundial de negócios e pesquisa, disseram os cantões em comunicado conjunto.

Os setores de TI, cleantech, medtech, farmacêutico, financeiro e ciências da vida são particularmente afetados. Se o acesso à força de trabalho estrangeira for limitado, as empresas serão forçadas a mudar projetos de pesquisa e empregos para fora da Suíça, disseram os representantes cantonais.

"Estamos agora em uma situação tensa que cria uma incerteza que está prejudicando nossa economia", disse o secretário estadual de finanças de Genebra, Pierre Maudet, para swissinfo.ch.

Manter a reputação

Sua homóloga de Zurique, Carmen Walker Späh, advertiu que os esforços do cantão para se tornar um centro mundial da tecnologia digital não poderiam resultar em nada se a situação não for aliviada.

"Se o Instituto Federal de Tecnologia (ETH Zurich) quer continuar a ser a universidade de maior ranking da Europa, precisa atrair os melhores talentos do mundo", acrescentou em uma coletiva de imprensa.

Christoph Brutschin, da cidade da Basileia, disse que a reputação há muito estabelecida de sua região como líder mundial em ciências da vida estava ameaçada.

Motores econômicos

Os três cantões afirmam impulsionar um terço do crescimento econômico da Suíça, o que lhes dá uma considerável influência de lobby. Mas com o debate sobre a imigração ainda correndo quente, eles correm o risco de enfrentar uma forte oposição política.

A tentativa do governo de chegar a um acordo entre as exigências da iniciativa de 2014 e suas obrigações de manter as fronteiras abertas aos trabalhadores da UE foi condenada pelo Partido do Povo Suíço (SVP, na sigla em alemão). O partido ameaça lançar outra iniciativa com mais exigências contra a imigração de massa para forçar o governo a agir.

Entretanto, muitas empresas suíças devem em breve ser obrigadas a provar que não há candidatos no país para preencher as vagas antes de contratarem do exterior.

Vistos de trabalho na Suíça

Desde 2002, a Suíça teve um acordo com a UE para abrir fronteiras para trabalhadores da UE ou Estados da Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA) (Islândia, Liechtenstein e Noruega). Um plebiscito suíço de 2014 exigiu restrições à imigração, mas o governo até agora se recusou a impor cotas, o que violaria o tratado da UE de 2002.

Os cidadãos dos países não pertencentes à UE/EFTA devem ter um contrato de trabalho garantido de um empregador, bem como o visto de trabalho adequado antes de entrar no país. Ter só uma oferta de emprego não é suficiente para garantir uma autorização.

Os membros da família de um titular da autorização de residência podem ficar e residir na Suíça, independentemente da nacionalidade. Os membros da família incluem um cônjuge, descendentes menores de 21 anos ou dependentes sobre os quais é concedida custódia ou cuidados, independentemente da idade.

Os 7500 vistos de trabalho disponíveis este ano são autorizações do tipo L, que normalmente duram entre três e 12 meses, ou do tipo B, que tem uma duração de cinco anos.

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Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch

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