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Beleza e Altruísmo Miss Suíça usa fama para 'comercializar' boas causas

Rainhas de beleza falam em "fazer a diferença" durante o concurso, mas muitas vezes acabam se tornando rostos de marcas famosas. Duas vencedoras do concurso de Miss Suíça são a exceção, usando a celebridade para promover projetos sociais.

Laetitia Guarino (à esquerda) não passou apenas a coroa de Miss Suíça para Lauriane Sallin, mas também a motivação para se envolver em projetos humanitários

Laetitia Guarino (à esquerda) não passou apenas a coroa de Miss Suíça para Lauriane Sallin, mas também a motivação para se envolver em projetos humanitários

(Keystone)

"Eu realmente tinha medo de ir para a Índia, pois algumas partes do país são muito, muito pobres", conta a ex-Miss Suíça Laetitia Guarino para swissinfo.ch.

A jovem de 24 anos foi convidada pela ONG suíça Terre des Hommes para passar uma semana no leste da Índia, visitando vários projetos destinados a melhorar a vida das crianças locais. Isso incluiu visitar crianças vulneráveis em uma zona de prostituição e as que sofrem de desnutrição em áreas rurais. Guarino até pediu a sua mãe para que lhe acompanhasse para dar um suporte emocional, mas depois de chegar na cidade indiana de Kolkata ela logo ficou à vontade com a reação das crianças.

"Eu vi muitas crianças em Kolkata que não tinham instrução, banheiros, cuidados médicos e foi muito triste ver aquilo. Mas foi muito bom ver a reação das meninas indianas quando eu dizia que era a Miss Suíça", diz Laetitia Guarino.

Os concursos de beleza são vistos como um caminho para o sucesso na Índia e o país já teve quatro Miss Mundo e duas Miss Universo desde a década de 1990. A maioria delas acaba ingressando na indústria cinematográfica indiana, se tornando ainda mais bem sucedidas e influentes.

Guarino não é a única rainha de beleza suíça que sai de sua zona de conforto. A atual Miss Suíça, Lauriane Sallin, esteve no Brasil para um evento ligado aos Jogos Olímpicos do Rio e se ofereceu para visitar um projeto que visa reabilitar jovens infratores. Uma prisão para meninas menores no Estado do Ceará lhe causou a maior impressão.

"No começo, você vê essas meninas tímidas, mas depois você ouve o que elas fizeram e fica sabendo que algumas já até mataram pessoas. Fiquei chocada com o contraste", diz Lauriane Sallin.

A jovem de 23 anos ficou chateada ao ver prisioneiras que só conheciam a vida nas favelas, cercadas de violência e drogas, enquanto em outras partes da mesma cidade havia segurança, boas escolas e esperança para o futuro. Ela considera uma chance poder ver uma parte diferente da sociedade brasileira e entender por que a violência é um dos maiores problemas do Brasil, algo que ela sente que só poderia ter feito graças ao seu papel de Miss Suíça.

"Não é apenas uma questão de ser bonita, mas mostrar que você pode usar esta beleza para fazer algo. Como embaixadora você tem a possibilidade de se tornar um tipo de microfone para essas pessoas e dizer aos outros por que os projetos para ajudá-las são tão importantes", diz.

Chamar a atenção

As viagens à Índia e ao Brasil deixaram uma impressão duradoura, tanto para Laetitia Guarino como para Lauriane Sallin. Laetitia Guarino está atualmente estudando medicina no Hospital Universitário de Lausanne, na região oeste da Suíça. Visitar hospitais públicos na Índia expôs a Miss à medicina sem frescura.

"Na Suíça, temos um sistema de medicina elitista com muitos exames e diagnósticos extras. Uma coisa que eu aprendi na Índia é que também é necessário se concentrar na pessoa e usar métodos de diagnóstico simples", diz Laetitia.

A ex-Miss também acredita muito no poder das mídias sociais para chamar a atenção dos jovens para o que está acontecendo em partes desfavorecidas do mundo.

"Na Índia, fiz vários vídeos todos os dias explicando o que estava fazendo lá. Esse tipo de comunicação é o que ajuda as ONGs a transmitirem sua mensagem", diz.

Para Lauriane também, sua visita ao Brasil revelou o potencial que tem a Miss Suíça para influenciar as pessoas.

"É importante se perguntar o que representa ser Miss Suíça. Para mim, é uma mulher forte, responsável e que está ciente de que suas palavras e ações podem influenciar outras pessoas", diz.

A estudante de história da arte e francês tem algumas dicas para as organizações que procuram aumentar o perfil de seus projetos e angariar apoio público.

"As pessoas não querem ver imagens chocantes. Você precisa falar sobre soluções para gerar empatia e apoio", aconselha.

Terre des Hommes reconhece que apostar em Laetitia e Lauriane para despertar o interesse por seus projetos foi uma boa jogada. Um comunicado de imprensa sobre o trabalho da organização em Mosul, no norte do Iraque, foi visto cerca de 300 vezes, mas o da visita de Lauriane ao Brasil recebeu cerca de 1300 visitas, de acordo com a porta-voz Ivana Goretta.

"As pessoas estão saturadas de fotos do Iraque ou de outras regiões problemáticas do mundo. Ter uma celebridade fotogênica como a Miss Suíça ajuda a reavivar o interesse, especialmente entre os meios de comunicação", diz Goretta.

Miss Suíça

Os concursos de beleza existem na Suíça desde a década de 1920, mas o concurso de Miss Suíça só começou em 1951. As concorrentes têm que ser cidadãs suíças residentes no país, com idade entre 18 e 28 anos e ter pelo menos 1,68 de altura. A Miss Suíça 2016, Lauriane Sallin, receberá um salário anual de CHF120.000.

Nos últimos anos, o concurso sofreu reveses significativos. Em 2011, a televisão pública deixou de patrocinar o evento por causa dos baixos números de audiência. Em 2012, o concurso teve que ser cancelado devido à falta de financiamento.

 

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Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch

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