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Jubileu


Noite brasileira também foi especial nos 50 anos do Montreux Jazz


Por Claudinê Gonçalves, Montreux


O Montreux Jazz Festival terminou nesta madrugada de domingo. Para a comemoração dos 50 anos da manifestação, criada por Claude Nobs e dois outros amigos, a programação foi ainda mais intensa nos 16 dias do festival. A noite brasileira não ficou atrás e foi mais eclética do que habitualmente. 

Hamilton de Holanda (à esquerda) foi uma espécie de fio condutor: tocou sozinho com a banda e um pouco com todos os artistas, como aqui com Ivan Lins. (MJF/LIonel Flusin)

Hamilton de Holanda (à esquerda) foi uma espécie de fio condutor: tocou sozinho com a banda e um pouco com todos os artistas, como aqui com Ivan Lins.

(MJF/LIonel Flusin)

Montreux hoje é conhecida nos cinco continentes, mas 50 anos atrás era uma pacata cidadezinha sem distração às margens do lago Léman, com exceçao de uma ou outra pista de esqui frequentada no inverno por turistas ingleses. Foi assim que o cozinheiro de formação Claude Nobs e dois outros amigos que gostavam de música começaram a organizar alguns concertos para se divertirem porque não havia nada do gênero. Posteriomente, Claude Nobs diria que a intenção era que Montreux se tornasse conhecida nos Estados Unidos.

Nesta edição dos 50 anos, Claude Nobs não é mais desse mundo (faleceu em 2013), mas sua imagem esteve mais presente do que nunca durante durante dos 16 dias do festival que teve uma programação ainda mais rica do que nunca. 

Foi o caso também da noite brasileira dedicada a Claude Nobs, grande admirador da música brasileira, presente no festival, com raras exceções, desde 1978.

Para o jubileu do Montreux Jazz Festival, a noite brasileira foi mais eclética do que nunca, com a presença de uma banda que acompanhou todos os artistas: João Bosco, Ivan Lins, Hamilton de Holanda, Elba Ramalho, Martinho da Vila, Maria Rita, Vanessa da Mata e Ana Carolina. Como em todos esses anos, o organizador do encontro foi Marco Mazola.

O bandolinista Hamilton de Holanda foi uma espécie de fio condutor do espetáculo. Tocou primeiro sózinho com a banda e depois um pouco com cada um, principalmente com Ivan Lins. Ambos já se apresentaram em São Paulo. Antes de entrar no palco em Montreux. Hamilton dissse para swissinfo.ch: "estou muito feliz de estar aqui e de tocar com artistas que são meus ídolos. Quero aproveitar o máximo". Ele também falou do fato de ter gravado discos com pianistas. Sorri e diz que "depois do bandolim, o piano é o instrumento mais bonito e combina bem com o bandolim". Ele tem um filho que começa a estudar piano e espera tocar com ele. "Já toquei com meu pai e com meu irmão, falta tocar com meu filho".

Abraço a Claude Nobs

Jõao Bosco disse para swissinfo.ch que "Montreux lhe traz muitas lembranças: o disco que Elis gravou aqui, o disco que gravei em 1983 com Caetano e Ney Matogrosso, Nana Caymi e tantos outros momentos maravilhosos aqui. Agora este é especial pelo cinquentário do festival e a noite brasileira tem essa dedicação de dar um grande abraço ao Claude Nobs, criador do festival e grande incentivador da noite brasileira. Pra mim também é especial participar do espetáculo com Maria Rita - já disse a ela - porque trabalhei tantos anos com a mae dela e me lembro dela garotinha ainda. Econcontrá-la aqui e nessa trajetória bonita que ela tem feito é muito bom. Esse festival acaba sendo uma esquina em que você encontra pessoas queridas de várias gerações".  

Maria Rita disse estar estar muito honrada em se apresentar em um espetáculo  com grandes artistas que trabalharam muito tempo com a mãe dela, especialmente João Bosco e Ivan Lins.  "São todos músicos pelos quais tenho tanta admiração e perto deles ainda estou engatinhando".

Ivan Lins lembrou que "Claude Nobs sempre gostou de música brasileira e nós estamos qui para homenageá-lo, de uma certa maneira, por ele ter dedicado tanto tempo e espaço para a música do nosso país. É um espetáculo que nós estamos todos muito horados de fazer". A respeito de tocar com Hamilton de Holanda, Ivan diz que é muito tocar com um músico exuberante".  Ouças as entrevistas com vários artistas brasileiros:

O Brasil em pedaços

Elba Ramalho lembrou que já esteve em Montreux outras vezes em que dividia o palco com dois ou três artistas brasileiros. "Desta vez, o Brasil está divididido em pedaços de sua musicalidade e, no final, estão todos juntos. É um espetáculo muito diversificado e isso é maravilhoso. Acho quem ganha é o público". 

Marco Mazola, que praticamente produziu todas as noites brasileiras em Montreux, diz "estar emocionado porque Claude Nobs gostaria muito de estar presente nesta edição. Eu e ele já vinhamos conversando dos 50 anos do festival. Então consegui fazer entender aos artistas a importância de estarem aqui. Não foi fácil, pois tivemos de ensaiar no Brasil, a Elba mora no nordeste, o Ivan em Lisboa, mas é um grande acontecimento. E enquanto o Festival de Montreux estiver no meu coração, eu vou continuar e ajudar no que for preciso. Eu gostei muito dessa forma de uma banda só no palco e mais artistas porque representa melhor o Brasil e não os shows que já estão na Europa e que todo mundo vê. Esta forma é um espetáculo só pra cá.

Veja alguns dos melhores momentos do jubileu:








swissinfo.ch

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