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Giacometti, o artista de bronze, de tinta e de lápis.

Obra de Giacometti: "Le Chien", 1951, Fundação Maeght.

(swissinfo.ch)

Museu de Arte em Ravenna, na Itália, expõe 100 desenhos, pinturas e esculturas de Alberto Giacometti, um dos artistas suíços mais conhecidos no mundo.

Mais de três anos foram necessários para reunir obras vindas de coleções privadas, da Fundação Maeght de Saint-Paul, da Kunsthaus de Zurique e Guggenheim.

Alberto Giacometti nasceu, viveu e morreu, ao seu tempo, entre as idades da Pedra e do Bronze. Das brincadeiras da infância transcorrida nas montanhas de Val Bregaglia, em Borgonovo, no cantão suíço de Grigioni, às esculturas contemporâneas produzidas no seu atelier na França e que o fizeram famoso no mundo inteiro passaram-se 65 anos, entre 1901 e 1966.

As ranhuras irregulares das paredes de granito perto da casa dos pais, em Stampa, se transformaram numa espécie de impressão digital que impregnaria a natureza de toda a sua obra. E boa parte dela está exposta na maior mostra jamais feita ao artista em solo italiano.

O Museu d’Arte, na cidade de Ravenna, reúne 100 desenhos, pinturas e esculturas de coleções privadas, da Fundação Maeght de Saint-Paul, da Kunsthaus de Zurique e Guggenheim. Elas cobrem todas as fases daquele que fez da própria vida um incansável ato de criação ao buscar uma nova relação entre o objeto e o espaço, entre a imagem real e o seu reflexo filtrado pela emoção.

“Eu e Jean-Louis Prat, da Fundação Maeght, trabalhamos juntos para a realização desta mostra por quase três anos”, afirma o diretor artístico do museu e um dos curadores, Claudio Spadoni. “E o mais difícil não foi trazer as obras da Fundação Maeght, envolvida no projeto desde o início, mas sim ter as obras de fundações como Guggenheim proprietária da peça “Femme égorgée”, que nunca tinha sido emprestada, ou de Kunsthaus de Zurique que normalmente não deixa sair objeto algum, e de outros colecionadores e galerias privadas. Colocar juntas algumas peças que em exposições anteriores jamais tinham sido vistas lado a lado, foi o nosso principal problema”, diz Cláudio Spadoni, um dos curadores da mostra.

Talento nato. E antes de tudo vem o desenho

Alberto Giacometti trazia no sangue o talento para as artes plásticas. O seu pai, Giovanni Giacometti, era um pintor neo-impressionista muito admirado na Suíça e, por sua vez, primo de Augusto, outro companheiro de cavaletes e pincéis.

Em 1913, com apenas 12 anos de idade, o pequeno Alberto pinta o seu primeiro quadro e logo depois esculpe os bustos dos irmãos mais novos Bruno, Diego e Ottilia. O futuro do menino se desenha mais nítido quando ele freqüenta a Academia de Belas Artes de Genebra, em 1919. Era já a ante-sala da Académie de la Grande Chamière, em Paris, seu destino três anos depois. E durante todo o tempo rabiscava, rabiscava em qualquer superfície branca ou colorida.

O jovem artista desembarca na cidade-luz em meio à efervescência cultural dos anos vinte. Na sua primeira temporada francesa conhece o outro lado da sua rigorosa educação calvinista. Rompe com as regras da Academia e embarca numa vida social bastante agitada. Freqüenta artistas como Joan Mirò e se interessa pela arte africana. Giacometti não se cansa de tentar retratar a essência dos objetos. Por isso mesmo os esculpe e os pinta à memória.

A escultura “Tete qui regarde” (1927-29), que o projetou no cenário artístico internacional è desta época e está presente na exposição. Este percurso o aproxima do surrealismo de André Breton. Corre o ano de 1930 e ele adere ao movimento já adotado por Salvador Dali e grava em bronze a peça “L’Objet invisibile” (1934-35), também presente na mostra.

Durante o período, o artista suíço conhece Picasso e Samuel Beckett. Giacometti continua pesquisando o movimento e a impossibilidade de retratá-lo até o rompimento com o grupo, dez anos depois.

Nos anos da Segunda Grande Guerra, o artista retorna à Suíça, seu país natal. Somente em 1945 ele voltaria à França. Não por acaso, a Paris de Giacometti, está presente na exposição através dos desenhos realizados para o livro “Paris sans fin” (1959), em que o artista ilustra a lápis os lugares e as pessoas mais amigas e amadas. As imagens são quase como borrões de situações do dia a dia do artista, rabiscos de fragmentos das cenas esculpidas na sua memória.

Giacometti grava humanidade em bronze

“Alberto Giacometti traduziu em escultura o destino do homem do nosso século. Acho que ele deu um novo conceito de espaço à escultura e que, antes talvez, não fosse o mesmo. Nesta exposição podemos ver de perto a sua relação com o movimento do surrealismo, a sua ruptura e o seu retorno às figuras. Giacometti tentava saber quem era ele e onde ele estava”, acrescenta Jean-Louis Prat, curador da exposição.

A mostra em Ravenna revela porque a sua obra despertava a atenção de personalidades como Jean-Paul Sartre, Simone di Beauvoir e Peggy Guggenheim, todo hipnotizados pela capacidade e pela liberdade expressiva de Giacometti. Um raro documentário, uma filmagem realizada pela televisão suíça em 1963 no atelier do artista, está em exibição em uma das salas do Museu d’Arte.

A exposição começa com o quadro “Portrait de jeunne fille” (1921), testemunha em óleo sobre tela do seu aprendizado. Na pintura, Giacometti parece fazer questão de mostrar não os olhos do modelo, mas sim o olhar dele. Esta seria uma linha mestra do trabalho do artista como se verifica, anos depois e intacta, no retrato do irmão na obra “Portrait de Diego” (1954), um emaranhado de linhas curvas, círculos, elipses que deformam propositalmente a figura real. Alberto Giacometti desfoca a nitidez como o vento muda um reflexo sobre a superfície da água.

Inquietações existenciais

Este tipo de representação imaginária da realidade também está nas esculturas, suas grandes e pequenas obras-primas. São 38 no total de diferentes tamanhos, mas unidas pela desconstrução da formas. Da “Grande Femme II (Femme debout II) (1960), com 277 cm de altura à “Figurine dans une boîte entre deux boîtes qui sont deux maisons”(1950), com apenas 127 cm impressionam da mesma maneira. Todas as figuras parecem que escaparam de uma hecatombe ou foram extraídas de um sítio arqueológico etrusco.

As peças em bronze de Giacometti refletem as suas inquietações existenciais e representam, principalmente, o período mais fértil da sua produção artística, aquele entre 1950 e 1965, pouco antes de morrer em Coira.

As suas esculturas são sutis e, a uma certa distancia, parecem sombras, como a “Le Chien”(1957) e “Le Chat” (1951). São cabeças e/ou corpos inteiros, normalmente nus, de homens, mulheres e animais, estilizados, esbeltos e moldados ao bel prazer da memória, sem nenhum compromisso com a realidade concreta. De frente elas poderiam bem estar de perfil. E o mais impressionante: a força da imagem das esculturas de Alberto Giacometti è tão grande que, diante de algumas esculturas, è quase patético a inversão de papéis: o visitante deixa de ser o admirador da obra e mais parece ser observado por ela.

swissinfo, Guilherme Aquino em Ravenna

Breves

A mostra acontece no Museu d’Arte, na via Roma 16, cidade de Ravenna, Itália. Telefone: 0039 0544 482035. Datas: 10 de outubro de 2004 a 20 de fevereiro de 2005.

Em dezembro será apresentado no teatro Rasi di Ravenna o espetáculo "Retrato Frontal, um diálogo entre Giacometti e James Lord".

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