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Olimpíadas de inverno


Novo Museu Olímpico abre suas portas para Sochi


Por Michèle Laird


Obras de arte do lado de fora do museu aguardam os visitantes. (AFP)

Obras de arte do lado de fora do museu aguardam os visitantes.

(AFP)

O Museu Olímpico de Lausanne reabriu após uma reforma de 23 meses, justo a tempo para os Jogos de Inverno de 2014 em Sochi. Em uma exposição deslumbrante de proezas tecnológicas, o museu celebra a glória dos Jogos Olímpicos e desvia as controvérsias que o englobam.

Embora se autodenomine como museu, o edifício deslumbrante às margens do Lago Léman foi renovado para o que poderia ser melhor descrito como um templo em honra dos Jogos Olímpicos, modelado por uma Disneylândia digital.

Construído em 1992, o museu originalmente continha uma homenagem cronológica à história dos Jogos Olímpicos. Depois de uma renovação de dois anos (e 61 milhões de dólares), a estrutura reencarnou na forma de uma cápsula do tempo, com todo o equipamento eletrônico e os efeitos tecnológicos do século XXI.

Em uma seção, imagens tridimensionais permitem que os visitantes experimentem os jogos originais em Olímpia, na Grécia Antiga. Em outros lugares, as ideias que moldaram os Jogos Olímpicos modernos escapam na forma de um caleidoscópio da mente do fundador, o Barão Pierre de Coubertin.

O lado imaginário é imenso, às vezes até um pouco kitsch, como quando a chuva escorre pela janela do escritório de Coubertin. O objetivo é tocar a emoção.

Sede do Comitê Olímpico

Lausanne, às margens do Lago Léman, tem acolhido o Comitê Olímpico desde 1915, quando o fundador dos Jogos Olímpicos modernos, o francês Pierre de Coubertin, transferiu a sede de Paris para lá.

As cores dos cinco anéis olímpicos são as cores das bandeiras dos países-membros originais de 1914.

Existem atualmente 204 comitês olímpicos nacionais, mais países do que nas Nações Unidas.

Imersão total

Em um hemiciclo no coração do edifício, um mosaico gigantesco de telas mostra atletas prestes a entrar em ação.

"Com esta técnica de imersão total, estamos dentro da cabeça dos atletas, estamos convidando os visitantes a experimentar as emoções deles", explica a curadora do museu olímpico, Frédérique Jamolli.

O diretor do museu, Francisco Gabet, conta que esta foi uma escolha ‘editorial’: "As pessoas vêm aqui atrás de emoção". Perguntado se ele não tinha medo de que a tecnologia se tornasse o centro das atenções, ele respondeu que as imagens são fortes o suficiente para falar por si mesmas. "Queremos que as pessoas sintam a terra, a grama, a emoção", disse.

A renovação

O Museu Olímpico foi originalmente concebido pelo arquiteto mexicano Pedro Ramírez Vázquez, membro do Comitê Olímpico Internacional, e pelo arquiteto suíço Jean-Pierre Cahen. O museu foi inaugurado em 1993 e foi nomeado Museu Europeu do Ano em 1995.

Ele reabriu suas portas ao público no dia 21 de dezembro de 2013, após uma renovação de 23 meses projetada pelo escritório de arquitetura suíço Brauen & Wälchli.

O espaço de exposição quase dobrou de tamanho, incluindo um espaço para 2 exposições temporárias por ano. O espaço de exposição permanente contém 300 telas e mais de 1.500 itens icônicos.

O Museu Olímpico renovado foi batizado "TOM" um acrônimo para "THE Olympic Museum” (‘O’ Museu Olímpico). Há mais de 60 outros museus olímpicos pelo mundo.

O campus olímpico inclui um Centro de Estudos Olímpicos (Olympic Studies Centre) e instalações para conferências, bem como uma zona de aprendizagem para as crianças.

Roteiro

A visita começa na parte superior do edifício e desce os três andares em forma de espiral. "Nós planejamos isso como um filme, com um roteiro e cenários diferentes para cada tema", explica o diretor. Há um tema principal por andar.

O primeiro, dedicado ao "Mundo Olímpico" (sua história), mostra o movimento olímpico se posicionando claramente como uma das melhores coisas que já aconteceu para a humanidade. Somos apresentados aos grandes homens que contribuíram para a organização de ambos os jogos antigos e modernos.

"Precisávamos mostrar que a aventura olímpica pertence aos atletas, mas que eles também não estão sozinhos", diz Jamolli.

Esta seção procura também destacar a criatividade dos arquitetos, designers, urbanistas e artistas que ajudaram a moldar os jogos. Não é mostrado, no entanto, os diversos elefantes brancos deixados para trás quando as cidades-sede foram incapazes de manter as infraestruturas glamorosas que tinham construído com pressa. Também não há menção sobre as consequências financeiras de longo prazo que sobra aos países organizadores.

O segundo andar é uma viagem através dos "Jogos Olímpicos" e é a única celebração dos grandes atletas, sem os quais as Olimpíadas não existiriam. O equipamento deles conta a história e filmes mostram seus momentos de glória.

"Este é o lugar onde a competição pode ser experimentada de verdade", diz a curadora.

A terceira seção é rotulada "Espírito Olímpico" e analisa os ingredientes que são necessários para fazer um campeão, mas contorna as questões éticas que eles devem confrontar.

"O que nós gostaríamos de explicar é que o movimento olímpico não é só os Jogos Olímpicos, também é uma lente para observar a sociedade", diz Jamolli.

Passando a tocha

Em uma orquestração de eventos, o dia em que o museu foi inaugurado também foi o dia em que o presidente de 12 anos, Jacques Rogge, entregou a chave olímpica para o seu sucessor, Thomas Bach, seu vice-presidente de dez anos.

Nascido na Alemanha, Bach, medalha de ouro de esgrima e advogado de profissão, foi recentemente eleito presidente do Comitê Olímpico Internacional em meio a alegações de que seus laços com os mundos corporativo e árabe são estreitos demais para garantir a sua independência.

"Um dos pilares dos Jogos Olímpicos é este museu", anunciou Bach pela primeira vez como presidente, momentos antes de cortar a fita.

Na vitrine de Lausanne não há nenhum sinal - ainda - de algumas questões urgentes que o presidente olímpico enfrentará agora, entre as quais as recentes leis homofóbicas da Rússia, a agitação social no Brasil gerada pelos gastos com a Copa e os Jogos Olímpicos de 2016, o conluio de juízes olímpicos, as numerosas mortes em canteiros de obras que competem contra o relógio e a crescente presença dos meios de comunicação social, que já levou à suspensão de dois atletas por tecladas de mau tom.


Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch



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