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"Não queríamos ficar muito tempo"

Operários italianos descansam durante pausa em fábrica suíça (foto: Jakob Tuggener, Limmat Verlag Zürich)

Exposição fotográfica na prefeitura de Zurique homenageia imigração italiana na Suíça depois da 2a Guerra Mundial.

138 fotos documentam cenas de despedida no sul da Itália, o cotidiano nas fábricas, os acidentes nos canteiros de obras e as primeiras pizzarias nas cidades suíças.

A pausa durante a dura jornada de trabalho numa fábrica em Zurique é um momento de descanso e prazer para o operário. O sorriso no rosto, a barba mal-feita e a boina na cabeça: essa é a imagem de um típico imigrante italiano na Suíça dos anos 60.

Essa e mais 137 fotos são parte da exposição "Il lungo addio" (A longa despedida), que foi aberta em 27 de fevereiro na prefeitura de Zurique e vai até 23 de abril. O evento é uma homenagem aos cinqüenta anos de imigração italiana na Suíça depois de 1945.

A história começa em estações de trem nas províncias pobres do sul da Itália como Calábria, Sicília, Nápoles ou Apúlia. Homens e mulheres esperam, sentados em cima de malas e caixas de papelão, a locomotiva chegar. Seu destino é Milão e depois Chiasso, a porta de entrada na Suíça para os imigrantes vindos do sul.

A odisséia continua nas imagens que mostram médicos examinando os viajantes, poucos minutos depois deles terem desembarcado dos trens. Depois da aprovação, os saudáveis eram levados aos canteiros de obras e fábricas espalhadas por toda Suíça e ávidas pela mão-de-obra barata vinda do sul.

Despedida

“Essas pessoas abandonaram a sua terra por necessidade”, explica Dieter Bachmann, diretor do Instituto Suíço em Roma e curador da exposição. “Nos seus povoados não havia trabalho e muitos chegavam a passar fome”.

Depois do final da 2a Guerra Mundial, a Suíça ainda era um dos poucos países que dispunha de um parque industrial intacto. Na Itália, pelo contrário, mais de dois milhões de desempregados lutavam para sobreviver. Para evitar tensões políticas, o governo italiano decidiu incentivar a imigração. Em 1947, 105 mil italianos chegaram na Suíça e um ano depois, mais 102 mil.

Nos anos cinqüenta, o acelerado crescimento econômico continuou a atrair cada vez mais imigrantes. Na época os italianos chegaram a corresponder a pouco mais de 49% da população de estrangeiros. A população italiana cresceu até 1975. Nesse ano, o governo suíço recenseou 573.085 italianos.

Tragédia

A vida dos trabalhadores italianos na Suíça também escondia riscos, sobretudo nos grandes canteiros de obra.

Uma das tragédias mais conhecidas ocorreu em Mattmark, no cantão de Wallis. Em 30 de agosto de 1965, uma avalanche de meio milhão de metros cúbicos de lama, gelo e pedras desabou sobre os barracões de operários, que trabalhavam na construção de uma grande barragem no local. O acidente custou a vida de 83 pessoas, dos quais 57 eram italianos. Fotos realizadas na época mostram cenas da tragédia. Hoje apenas uma placa lembra do ocorrido.

Integração

O escritor Max Frisch resume em poucas palavras o drama dos estrangeiros que vieram colaborar com o milagre econômico suíço: - “Nós chamamos mão-de-obra, e vieram pessoas”.

Muitos dos imigrantes acreditavam que iriam passar apenas alguns anos no país dos Alpes. O sonho era trabalhar, economizar e poder voltar o mais rápido possível à Itália, com os bolsos repletos de francos.

A realidade é que os anos se transformaram em décadas. Seus filhos nasceram na Suíça, aprenderam o idioma local, integraram-se e não quiseram retornar à terra de origem dos pais. Para muitos representantes da primeira geração de imigrantes, a Itália passou a ser apenas um país de férias.

A exposição prova que os italianos não só trouxeram sua força de trabalho, mas também sua cultura: cenas de comunhão, festas familiares, o primeiro concurso de canto em Zurique, a primeira equipe de futebol, campeonatos de ciclismo e as primeiras pizzarias.

Hoje em dia, a mozarela é o queijo mais consumido na Suíça e a pizza, um dos pratos favoritos.

swissinfo, Alexander Thoele

Breves

As fotos da exposição "Il lungo addio" foram publicadas em livro pela editora Limmat Verlag, de Zurique.

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