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Acionistas furiosos atacam direção do UBS

Peter Kurer sucede Marcel Ospel na presidência do conselho de administração do banco.

(Keystone)

Um clima de tensão marcou a assembléia geral do UBS nesta quarta-feira (23/04), em Zurique. Acionistas exaltados xingaram aos gritos a direção do maior banco da Suíça, abalado pela crise financeira nos EUA.

Antes de eleger o novo presidente e aprovar uma nova capitalização do banco, muitos deles pediram a demissão coletiva do conselho de administração e o corte de 50% das bonificações pagas aos executivos.

Os acionistas do UBS aproveitaram a assembléia geral ordinária para um acerto de contas com a diretoria do banco, responsabilizada por perdas de 40 bilhões de dólares em especulações no mercado imobiliário dos EUA.

Cinqüenta dos 4.211 acionistas presentes em Zurique discursaram – e eles colocaram a boca no trombone. Em meio a xingamentos, vários deles pediram a renúncia coletiva do conselho de administração.

Alguns acionistas estavam tão furiosos que ignoraram o tempo de cinco minutos concedido a cada orador. O presidente demissionário do conselho de administração, Marcel Ospel, foi um dos principais alvos dos ataques.

Ele foi perguntado várias vezes, porque não revelava o pacote de indenizações que havia recebido para deixar o cargo. Ospel desconversou e manteve o segredo, justificando que o assunto está sendo investigado pela Comissão Federal dos Bancos (CFB), que controla o sistema bancário suíço.

Salsicha com mostarda



O pequeno acionista Rudolf Weber, conhecido por intervenções inusitadas nas assembléias do banco, trouxe um pacote de salsichas para Ospel, "porque ele agora não vai ganhar mais tanto dinheiro", ironizou. Ospel estava preparado para este ataque e sacou uma bisnaga de mostarda do bolso.

A principal munição para os acionistas foi fornecida pelo relatório apresentado pelo UBS à CFB. Um resumo do documento publicado na última segunda-feira comprova um fracasso total, desde a direção do banco, passando pelas instâncias de controle, um falso sistema de incentivos aos executivos e até falta de competência de alguns diretores.

Dominique Biedermann, diretor da fundação Ethos, que representa um grupo de acionistas, elogiou o conselho de administração pela divulgação do relatório da crise. "Agora é urgentemente necessário rever a composição do conselho", emendou.

Presidente transitório

Para realizar essa reforma, Biedermann pediu a convocação de uma assembléia extraordinária para o segundo semestre deste ano. Ele reclamou da falta de especialistas em finanças no grêmio eleito pelos acionistas e disse que a Ethos apóia Peter Kurer como "presidente transitório".

Alem de ter pouca experiência no setor bancário, o jurista Peter Kurer foi criticado por seu envolvimento com a falência da Swissair, em 2001, quando passou de advogado da companhia aérea para os quadros do UBS, no momento em que o banco negou uma injeção financeira prometida para a Swissair.

No mesmo ano, Kurer trocou o escritório de advocacia Homburger, de Zurique, pelo UBS. Como advogado, orquestrou grandes fusões, como as da Ciba-Geigy e Sandoz para formar a Novartis. Desde 2002, é membro da diretoria do UBS.

O acionista Luqman Arnold, que comandou o banco em 1999 e o abandonou por divergências com Ospel, disse que Kurer "é membro do conselho de administração responsável pelo fiasco do UBS".

Apesar das críticas e por falta de candidato alternativo, os acionistas elegeram Kurer para suceder Ospel por 585,5 milhões dos 676,9 milhões de votos. Um total de 44,9 milhões de votos foram contra o novo presidente do UBS. Além disso, os acionistas aprovaram um aumento do capital do banco em 15 bilhões de francos suíços.

É a segunda capitalização do UBS neste ano. No início de fevereiro passado, um fundo estatal de Cingapura e um investidor da Arábia Saudita haviam injetado 13 bilhões de francos no banco.

swissinfo com agências

Dados importantes

Criado pela fusão em 1997 da Sociedade de Bancos Suíços (SBS) com o União de Bancos Suíços, o UBS é o maior banco suíço e segundo no mundo.

Os problemas do banco, que se tornaram públicos nos últimos 11 meses, remontam a negócios fechados em 2005 e 2006.

Depois de bater recordes de lucros de 2003 a 2006, o banco teve um prejuízo de 4,4 bilhões de francos em 2007 e contabilizou 21,3 bilhões de francos de perdas por conta da crise imobiliária nos EUA.

Em 1° de abril de 2008, o UBS admitiu perdas de mais 19 bilhões de francos em função da crise financeira. Marcel Ospel anunciou sua renúncia à presidência do conselho de administração do banco, formalizada nesta quarta-feira (23/04), com a eleição de Peter Kurer para ser seu sucessor.

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(swissinfo.ch)


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