Yayoi Kusama ganha retrospectiva inédita na Suíça aos 96 anos
Aos 96 anos, Yayoi Kusama recebe sua primeira grande retrospectiva na Suíça, na Fondation Beyeler. Conhecida por suas obras imersivas e pontos coloridos, a artista japonesa revela também em suas criações profundas marcas de sofrimento psíquico, em uma mostra que reúne 300 obras de sete décadas.
Alguns céticos afirmam que a popularidade de Yayoi Kusama deriva principalmente de suas obras que fazem sucesso nas redes sociais. Os pontos coloridos chamados “Polka Dots” em inglês, e que aparecem como padrões por toda parte em paredes, roupas e estruturas sinuosas, são sua marca registrada. Uma espécie de piscina visual de bolinhas para os amantes da arte. Vibrante e instantaneamente reconhecível.
De fato, os “Polka Dots” recebem os visitantes logo na entrada da Fundação Beyeler: esferas prateadas flutuam no espelho d’água de nenúfares. Kusama as criou pela primeira vez em 1966 para a Bienal de Veneza. Não como uma artista oficialmente convidada, mas num ato de empoderamento pessoal.
Impacto do seu trabalho
Na diagonal atrás das esferas prateadas no lago de nenúfares encontra-se uma caixa espelhada: uma das duas salas de espelhos infinitos. São salas completamente espelhadas, que incorporam elementos como luzes coloridas. Os espelhos nas paredes, no chão e no teto criam um espaço infinito, dando a sensação de flutuar em um universo repleto de estrelas coloridas. É uma obra de arte verdadeiramente imersiva.
O jornal britânico “The Guardian” nomeou Yayoi Kusama a artista mais popular do mundo. Mas, como todos sabemos, tudo tem seu preço, inclusive a fama. No caso de Kusama, isso significa que a obra de arte em si fica obscurecida pelos pontos. Isto porque os “Polka Dots” de Kusama estão longe de ser uma brincadeira.
O motivo dos pontos, assim como outros padrões que se repetem por toda a superfície, remonta às alucinações que Yayoi Kusama teve quando jovem.
Arte como autoterapia
A arte tornou-se um meio de libertação e autoterapia para Kusama. Em 1957, ela foi para Nova York, onde obteve grande sucesso. No entanto, retornou ao Japão em 1972, onde vive em um hospital psiquiátrico desde então; a seu próprio pedido.
A exposição na Fundação Beyeler celebra Yayoi Kusama como uma superestrela sensível e apresenta 300 obras que abrangem sete décadas. Muitas das peças da mostra têm um aspecto sombrio e opressivo.
Na década de 1950, ela criou pinturas a óleo em tons marrom-avermelhados que parecem vislumbres de um interior sombrio e visceral. A partir da década de 1970, surgiram colagens surreais, algumas com qualidades de pesadelo. Ao longo da exposição, encontramos obras que revelam claramente as profundas feridas emocionais da artista.
Angústia mental e autopromoção
A criança traumatizada em Yayoi Kusama é tangível, palpável e comovente na exposição. Menos visível é o fato de que Kusama também era extremamente crítica da sociedade. Na década de 1960, ela organizou happenings com forte teor sexual e protestos políticos, por exemplo, queimando bandeiras americanas.
A artista sabia como chamar atenção e era muito astuta nos negócios. Em um certo momento, ela teve sua própria linha de moda, que também era vendia na loja de departamentos Bloomingdale’s, em Nova York.
A turbulência interior e a autopromoção não são necessariamente mutuamente exclusivas. A exposição poderia ter explorado esse aspecto com mais detalhes. Apesar dessas falhas, definitivamente vale a pena visitá-la, tanto para quem já conhece a obra de Kusama quanto para quem a descobre pela primeira vez. E, é claro, também para qualquer pessoa que goste de passear por exposições com o celular e tirar selfies. Handy im Selfie-Modus durch Ausstellungen flanieren.
A exposição “Yayoi Kusama” na Fundação Beyeler em Riehen, em Basileia, pode ser visitada até 25 de janeiro de 2026.
Adaptação: DvSperling
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