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Brasileiros pesquisam remédios do futuro

Da esquerda para a direta: Francisco, Edvan, Kelner e Emerson, no laboratório em Basiléia. swissinfo.ch

Alguns dos futuros medicamentos da indústria farmacêutica suíça Novartis poderão ter um toque brasileiro.

Este conteúdo foi publicado em 22. fevereiro 2005 - 14:14

Durante alguns meses, quatro engenheiros químicos da Universidade Federal de Pernambuco trabalham, de alguma forma, no ponto inicial do processo de descoberta e de produção de medicamentos.

"Os compostos serão analisados e depois de comprovada a eficácia poderão dar origem a um novo medicamento da empresa", explica Francisco Teixeira, de 23 anos.

Francisco é de Caruaru, Pernambuco, região agro-pecuária do nordeste do Brasil. "Minha cidade fica longe dos maiores centros econômicos de meu país e trabalhar aqui foi uma grande oportunidade profissional porque me apontou outras possibilidades", diz.

Outras condições de trabalho

Antes do estágio, sua carreira estava mais voltada para a área petroquímica, mas agora Francisco pretende fazer pós-graduação na Europa.

"Aqui há todo o suporte que a pesquisa precisa", diz Emerson Venceslau, de 24 anos. De acordo com ele, a disponibilidade de materiais e a necessidade da empresa de obter resultados rápidos estimulam os pesquisadores.

"Temos todos os reagentes ou equipamentos que precisamos e isso faz com que a pesquisa avance, conseqüentemente, pode-se tomar decisões em menores espaços de tempo".

Essa foi uma grande mudança para os novos engenheiros. Acostumados a trabalhar com universidades, não foram poucas as vezes que viram projetos de pesquisas serem interrompidos por falta de verba ou de equipamentos.

Eles estão no lugar certo e na hora certa. Atualmente a Novartis investe cerca de 3,5 bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento num total de 75 projetos de novos medicamentos.

Estágio com bolsa-auxílio

"Trabalhar na indústria é uma responsabilidade grande porque o que sintetizamos agora poderá ser ou não uma arma contra algumas doenças", diz Edvan Cordeiro de Lima, de 24 anos.

Para todos eles, é bem diferente pesquisar moléculas numa indústria e não mais na universidade. A seriedade é a mesma, mas na escola dificilmente as pesquisas saem dos limites acadêmicos. Na vida real, chegam aos pacientes.

"Nosso trabalho só irá aparecer daqui uns 10 anos", explica Kelner França, de 27 anos. É verdade. A pesquisa de um novo medicamento leva muito tempo até que chegue ao paciente.

Depois de detectada a reação positiva de determinada molécula contra algum mal, é preciso seguir vários passos, como a fase de testes em animais e, posteriormente, a clínica, onde o produto é utilizado em pacientes.

Os estagiários recebem uma bolsa-auxílio, moradia e aulas de alemão para que se integrem à comunidade, mas na empresa usam mais o inglês para se comunicarem com os colegas de trabalho.

A vantagem da experiência

"Outra vantagem de um estágio como esse é a experiência que adquirimos não só profissional, mas de vida", diz Kelner, de Recife, que também teve de se adaptar não só ao clima mais frio, mas também à cultura européia.

Um de seus primeiros desafios na Suíça foi ter de explicar que Kelner é seu nome e não sua profissão – Kellner significa garçom em alemão.

Mas o bom humor, a simpatia e o jeitinho brasileiro sempre o ajudaram a lidar com a situação - dentro e fora dos laboratórios.

swissinfo, Lourdes Sola, Basiléia

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