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Censura chinesa é tema em Davos

Condoleeza Rice não veio à Davos, mas participou de conferência via satélite. Keystone

O surgimento da China como nova potência no cenário internacional é um dos principais temas de discussão na 36a edição do Fórum Econômico Mundial, que se realiza até 29 de janeiro em Davos.

Este conteúdo foi publicado em 27. janeiro 2006 - 12:49

A surpresa é quando o gigantesco PIB chinês é confrontado com sua visão de democracia. Já os suíços preferem a discrição e reforçam seus laços com o "Império do Meio".

Presidentes de multinacionais, empresários e políticos que participam em 2006 do tradicional Fórum Econômico Mundial em Davos, mais conhecido pela sigla em inglês WEF (idioma oficial do encontro) não evitam debater sobre os problemas sociais que afligem o planeta.

Porém o que lhes interessa nesse ano é um tema muito mais premente para os seus interesses: a ascensão de duas novas potências, a China e a Índia que, com suas taxas de crescimento recorde e população numerosa, promovem uma reviravolta na economia mundial. Só a China cresceu nos últimos vinte e sete anos ininterruptamente a taxas de quase 10% ao ano.

Ao invés de falar de alarme, os participantes do WEF preferem dizer "chance". Muitas das palestras promovidas em Davos visam descobrir se a entrada dos dois países no clube do desenvolvimento é perene, ou se o rápido crescimento não esconde perigos sociais, ambientais e econômicos para todo o planeta.

Os sinais positivos são vários. No encontro "Jobs of the future" (n.r: empregos do futuro), os presentes se perguntam quais países do mundo serão no futuro os campeões da globalização. Nenhuma reposta concreta a pergunta foi dada, mas um dos palestrantes, o professor indiano Jagdish Bagwati, da Universidade de Columbia, dá uma pista:

- Quem diria há quinze anos que a Índia avançaria para se tornar um dos maiores centros de desenvolvimento de software no mundo – afirma.

Censura na internet

A prova que o WEF também pode servir como espaço de crítica ocorreu durante uma coletiva de imprensa.

O vice-premiê chinês Cheng Peiyan, responsável pelo planejamento econômico no governo do país, afirmou que a China pretende duplicar seu PIB per capita até 2010. Com um crescimento de 9,9% do PIB em 2005, o país passou a ser a quarta economia mundial, à frente da França e do Reino Unido, mas ocupa apenas a 107ª posição em termos de renda per capita.

Porém seu espanto ocorreu no momento em que um jornalista perguntou sobre o acordo firmado entre a Google, o conhecido motor de procura na Internet, e o governo chinês, onde a empresa concorda em censurar parte das informações que passam pelo seu portal.

A resposta não tardou e o político ressaltou que uma parte da imprensa americana não tem uma boa opinião em relação à China. Porém Cheng acredita que a situação vai melhorar.

- Democracia é nosso objetivo final. Porém nós precisamos alcançá-la passo a passo. Somos ainda um país em desenvolvimento...Para falar francamente, existem muitos grupos anti-chineses que espalham rumores sobre nossa política despertando suspeitas na população...Precisamos manter um certo controle – conclui.

EUA e a vitória do Hamas

Nesse ano o Fórum Econômico Mundial não está tendo uma presença maciça de chefes de governo como já ocorreu no passado. A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice não pode vir ao encontro, mas participou via satélite de uma conferência em Davos com Elie Wiesel, professor da Universidade de Boston (dir) e Klaus Schwab (esq), fundador do WEF.

No debate sobre a evolução política no mundo, ela ressaltou como estava chocada com inesperada vitória do Hamas (movimento extremista islâmico que defende a luta armada contra Israel) nas eleições legislativas de quarta-feira em Israel.

- Qualquer um que queira governar e o faça com o apoio da comunidade internacional precisa estar de acordo com a proposta dos dois Estados e também precisa aceitar o direito de existência de Israel, além de renunciar à violência – afirmou Rice.

Cartão de crédito para pobres

O WEF também é palco utilizado por algumas estrelas de cinema e do show business para mostrar seu engajamento social. O cantor Bono Vox apresentou o "Red", um novo tipo de cartão de crédito, cujos fundos gerados servirão para apoiar o projeto "Global Fund" de apoio ao combate da AIDS, malária e tuberculose.

- Aqui estamos nós, os figurões na neve, e eu digo isso como sendo um deles. Davos é o lugar ideal para fazer negócios e nós temos um, sobre o qual gostaríamos de falar com os presentes – disse o líder da banda de rock irlandesa U2 aos jornalistas presentes.

O projeto "Red" é apoiado pelas empresas American Express, Giorgio Armani e gigante do vestuário Gap. Esse novo cartão de crédito não terá taxas anuais e um por cento da receita gerada vai para o fundo de ajuda. A partir de 7.500 euros por cartão, a percentagem da doação passa para 1,25%.

Encontros Suíça e China

Moritz Leuenberger, presidente em exercício da Confederação Helvética e atual ministro do Meio-ambiente, Transportes e Comunicação, aproveitou a passagem por Davos para encontrar o vice-premiê chinês Zeng Peiyan. O repórter da swissinfo aproveitou a ocasião para fazer algumas perguntas sobre o relacionamento dos dois países.

swissinfo: Quais foram os resultados do encontro com o vice-premiê Zeng Peiyan?

Moritz Leuenberger: Nós ressaltamos as relações estreitas que já existem há anos entre os dois países. Também exprimimos a vontade de intensificar ainda mais esses contatos. Em nível cultural, econômico, nas questões energéticas - sobretudo em matéria de fontes renováveis de energia - o relacionamento é muito bom. Mas agora queremos abrir mais canais de contato mútuo.

swissinfo: O que significa "abrir mais canais de contato mútuo"?

M.L: Já existem muitos contatos em vários níveis, incluindo também ministeriais. Fixar um objetivo comum para intensificar os relacionamentos entre a China e a Suíça é útil para as negociações bilaterais em todos os níveis.

swissinfo: Nas conversações com o vice-premiê Zeng Peiyan, como o Sr. defendeu os princípios do governo suíço em relação à China?

M.L: Nossa maior preocupação é em relação ao meio-ambiente. A política de defesa do clima não pode ser defendida apenas por um país. Aos nossos olhos, é de vital importância que um país das dimensões da China ratifique o protocolo de Kyoto (nota da redação: como efetivamente ocorreu).

As discussões sobre as questões energéticas, sobre o desenvolvimento econômico em ligação com o objetivo compartilhado de reduzir a poluição da atmosfera, são muitos importantes para nós.

O Sr. também tocou na questão da censura imposta pelas autoridades chineses à Internet?

M.L: Falamos brevemente sobre o assunto.

O encontro trouxe alguns frutos ou os dois países ficaram nas suas próprias posições?

Certo, mas de qualquer maneira essas discussões são úteis. A posição chinesa foi muito diplomática. É necessário saber que Davos não é um evento que irá servir para mudar as posições do governo da China de um dia para outro.

Como a Suíça pode qualificar suas relações com a China?

M.L: Eu diria que a relação é estreita há muitos anos. A Suíça foi um dos primeiros países a reconhecer a China. Essa foi uma ação que até hoje é reconhecida e que tem uma importância considerável para nosso país. Os chineses nunca esquecem de mencioná-la.

Outro exemplo, ainda nesse ano, o concerto do ano novo chinês ocorreu aqui, em Lucerna. Podemos dizer que é extraordinário o fato da China organizar um concerto de tal significado para ela no exterior, na Suíça.

A televisão transmitiu o concerto ao vivo. Isso permitiu que os suíços aproveitassem dessa ocasião única. O relacionamento mútuo entre os dois países é muito forte nas questões culturais.

E quais são os pontos conflitantes entre os dois países, na sua opinião?

Obviamente existem problemas. Porém também muitos pontos de convergência.

swissinfo, Pierre-François Besson e agências

Breves

- O forte crescimento econômico da China e da Índia nos últimos anos colocam as duas potências asiáticas no centro de atenções do Fórum Econômico Mundial (WEF) em 2006.

- A China responde por 5% do PIB mundial e 20% do seu crescimento.

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Fatos

A Suíça reconheceu a China em janeiro de 1950, pouco depois de Mao Tsé-tung ter fundado a República Popular.
O relacionamento dos dois países é considerado positivo, apesar das diferenças em relação ao Tibet.
Nos últimos anos vários membros do governo helvético criticaram a China pela questão dos direitos humanos.

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