Nova técnica de radioterapia pode revolucionar tratamento do câncer

A pesquisadora da PSI Serena Psoroulas com a instalação experimental que ela usa para testar a nova técnica de radiação FLASH. Paul Scherrer Institute/Mahir Dzambegovic

O Paul Scherrer Institute (PSI) testou uma nova técnica de radiação ultra-rápida e de alta dose usando prótons que, segundo os cientistas, poderiam revolucionar a terapia do câncer e poupar aos pacientes muitas semanas de tratamento.

Este conteúdo foi publicado em 29. setembro 2020 - 06:30
swissinfo.ch/fh

Os pesquisadores do Centro de Terapia de Prótons (CPT) do PSI em Villigen, no norte da Suíça, estão pesquisando se uma técnica de irradiação curta, pontual e de alta dose, conhecida como FLASH, também é adequada para a irradiação de prótons. Ela se baseia em um tratamento preciso de radiação 3D desenvolvido no instituto chamado "spot-scanning".

Em uma estreia mundial, pesquisadores do PSI, em colaboração com o Hospital Universitário de Lausanne (CHUV), testaram a técnica em um paciente para tratar um tumor de pele maligno, disse o instituto em uma declaração na segunda-feira (28).

Com FLASH, é aplicada uma taxa de dose de radiação de até 1.000 gray por segundo - cerca de 100 vezes maior do que nos tratamentos habituais. O teste foi aprovado pela Academia Suíça de Ciências Médicas.

Os pesquisadores do CHUV utilizaram feixes de elétrons para o teste do paciente, que só são adequados para tumores muito superficiais. Em contraste, os prótons usados no PSI também atingem tumores no interior do corpo e podem ser parados precisamente no local do corpo onde devem ter seu efeito máximo sobre as células cancerígenas.

"Se pudermos alcançar a alta precisão e o bom resultado da terapia com prótons com irradiação FLASH sem danificar os tecidos saudáveis, isto seria um enorme passo à frente", disse o responsável do CPT, Damien Weber.

"Se o princípio funcionar, os pacientes teriam que vir apenas algumas vezes para o tratamento com radiação, idealmente apenas uma a cinco vezes. As consultas de tratamento que se abrem como resultado estariam disponíveis para outros pacientes com câncer".

Mais testes

Devido à irradiação extremamente curta, é até possível usar a técnica FLASH para tratar tecidos nos pulmões, disse o Instituto Paul Scherrer.

Entretanto, muitos anos de desenvolvimento técnico e testes ainda são necessários antes que o processo possa ser usado regularmente nos pacientes, acrescentou o instituto.

"Mas antes de tudo, precisamos de evidências de que a irradiação de prótons com a técnica FLASH não danifica o tecido corporal saudável", disse Weber.

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