Navegação

Menu Skip link

Funcionalidade principal

Cineasta quer contar histórias entre o Brasil e a Suíça

Cena de "Estranhos"

Festejada no Brasil e nos festivais internacionais de cinema espalhados pelo mundo, a retomada da produção cinematográfica brasileira tem um de seus protagonistas que mora e trabalha na Suíça.

Acostumado a transitar pela ponte cultural que liga as cidades de Salvador e Genebra, o cineasta baiano Paulo Alcântara está finalizando às margens do Lago Léman seu primeiro filme longa-metragem, "Estranhos", que foi produzido e filmado na capital da Bahia.

Aos 31 anos, apontado como um dos cineastas mais promissores da nova geração, Paulo Alcântara chega ao sonhado primeiro longa-metragem após produzir e dirigir alguns curtas-metragens e participar de diversas produções no Brasil e na Suíça.

"Estranhos" conta a história entrecruzada de um grupo de pessoas que habitam a grande Salvador e são muito diferentes entre si, mas têm em comum às dificuldades enfrentadas na busca pelo amor e pela felicidade em meio às mazelas urbanas.

Trata-se de um filme de orçamento baixo, se comparado à outras produções, mesmo no Brasil. Seu projeto obteve o direito, por intermédio da Lei Rouanet de incentivo cultural (agora substituída pela Lei do Audiovisual) de captar junto à empresas até um milhão de reais, dos quais R$ 600 mil já foram conquistados no edital de 2005 da Petrobras.

Batalha por recursos

O custo inicial da produção é estimado em R$ 1,2 milhão, o que significa dizer que metade do orçamento ainda precisa ser captado."A parte financeira realmente é a mais difícil. É complexo ter que trabalhar com pouco dinheiro, economizando ao máximo e fazendo com que cada centavo valha cinco vezes mais", lamenta Alcântara.

Após muitas noites mal-dormidas e oito meses de idas e vindas entre Genebra e Salvador, o cineasta está feliz com o trabalho realizado e se conforma com as dificuldades lembrando que, no Brasil, "filmar é difícil até para alguns diretores experientes e veteranos".

No momento, os produtores de "Estranhos" correm para conseguir mais dinheiro para o filme: seja no Brasil, com o restante que ainda pode ser captado pela Lei Rouanet, seja na Europa, através da inclusão de novos parceiros: "Estamos fazendo contatos na Espanha, na França e na Alemanha", conta Alcântara que, envolvido com a finalização do filme, afirma que "ainda não teve pernas" para tentar contatos efetivos com eventuais parceiros na Suíça: "Seria muito bom conseguir algum investidor por aqui", diz.

Montagem em Genebra

Enquanto aguarda a entrada de novos recursos, Paulo Alcântara se dedica na Suíça à montagem de "Estranhos", trabalho que está realizando em parceria com o jornalista Wolgrand Ribeiro, também brasileiro residente em Genebra e sócio do cineasta na produtora Nhengatu. No momento, eles acabam de finalizar a montagem "ponta a ponta" (montagem integral do roteiro) e agora vão partir para os cortes e eventuais adições.

Em seguida, a produção do filme retornará ao Brasil, onde serão realizados os trabalhos de edição de som, pela produtora Estúdio Base, e de escolha e gravação da trilha sonora, que ficará a cargo do diretor musical André Moraes, de São Paulo. O objetivo de Alcântara é concluir "Estranhos" a tempo de incluir o filme nos festivais do ano que vem no Brasil e na Europa.

A partir daí, sua preocupação será garantir a exibição para o maior número possível de expectadores: "Após a finalização, o principal passará a ser conseguir um bom distribuidor, essa é nossa maior preocupação", diz.

"É preciso haver maior colaboração"

O cineasta almeja realizar em breve uma co-produção Brasil/Suíça, mas lamenta que ainda não existam mecanismos que facilitem o contato bilateral entre produtores e financiadores dos dois países: "Seria, por exemplo, muito complicado para transformar 'Estranhos' numa co-produção", diz.

Ele espera que isso mude no futuro: "Acho que pode haver muito mais colaboração entre os dois países, como, por exemplo, a assinatura de um tratado bilateral de co-produção. A comunidade brasileira na Suíça é muito grande e também existem muitos suíços vivendo no Brasil Os laços culturais entre os dois países são históricos".

Desde que realizou em 2003 o curta-metragem documentário "Entre Deux Mondes" (Entre Dois Mundos) sobre brasileiros que vivem na Suíça - filme que teve ótima acolhida na Bienal da Imagem e do Som de Saint-Gervais, em Genebra - Alcântara tem em mente novos projetos que contam histórias que envolvem suíços e brasileiros.

Novos projetos

Pedindo desculpas por não poder adiantar detalhes de seu próximo projeto, ele conta que, após finalizar "Estranhos", pretende filmar "um longa de ficção que se passa entre o Brasil e a Suíça".

Outro projeto é a realização de uma série de ficção para a televisão que conte a história de brasileiros que vivem em Genebra e suas aventuras: "São projetos ainda no início, mas que estão se desenvolvendo satisfatoriamente", afirma.

Enquanto não cai de cabeça nos próximos trabalhos, Alcântara segue agitando na Suíça, onde integra o projeto digital Meetopia e, através da produtora Nhengatu, participa da elaboração de um programa cultural para a tevê: "Falará de cultura em geral e será voltado para o público de língua francesa", diz.

swissinfo, Maurício Thuswohl, Rio de Janeiro.

Roteiro e elenco baianos

O roteiro original de "Estranhos" foi escrito pelo peruano-espanhol Santiago Roncagliolo, que vive em Madri e em seu texto narrou os encontros e desencontros de imigrantes latinos na capital espanhola.

Adaptada por Carla Guimarães para a realidade de Salvador, na Bahia, a história resultou num novo roteiro, que ganhou cores e temperos tropicais. O diretor Paulo Alcântara também produz o filme ao lado de Carla e da produtora-executiva Solange Lima, da Araçá Azul.

À exceção da mineira Mariana Muniz, todo o elenco de "Estranhos" é composto por atores baianos ou com carreira estabelecida na Bahia. Durante as filmagens, pôde se perceber as boas performances de atores experimentados, como Jackyson Costa ou Caco Monteiro, entre outros.

Alcântara aposta no sucesso de Costa como o Professor Clemente na microssérie "A Pedra do Reino", baseada na obra de Ariano Suassuna e exibida recentemente pela TV Globo, para chamar a atenção do público no Sul e no Sudeste do Brasil para o seu filme.

Aqui termina o infobox

"Amores Impossíveis"

"Estranhos" conta vários casos de "amor impossível" na capital baiana, como o triângulo entre o desempregado Luís (Jackyson Costa), a ex-prostituta Flor (Mariana Muniz) e o violento marido desta, Walmir (Caco Monteiro). Ou, a inocente primeira paixão que arrebata os adolescentes Neuzinha (Larissa Libório) e Antônio Fagundes (Edwin Muniz), que fogem de casa para viver seu sonho.

Outro triângulo envolve a professora primária Amparo (Círia Coentro), dividida entre os assédios do diretor de sua escola, Gaspar (Tom Carneiro), e do açougueiro Rubens (Agnaldo Lopes), mas violentada pelo alcoolismo e pela crueldade do ex-marido, que não a deixa ver a filha. Para completar a série de "amores impossíveis", a tumultuada relação entre os bandidos Tonho (Ângelo Flávio) e Geraldão (Nelito Reis), que protagonizam as cenas mais ousadas do filme.

Aqui termina o infobox


Links

Neuer Inhalt

Horizontal Line


subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.

swissinfo.ch

Banner da página Facebook da swissinfo.ch em português

×

Destaque