Swiss Re se associa a Bradesco Seguros e conquista novo nicho de mercado no Brasil

Após uma negociação que durou um ano e meio, a Swiss Re Corporate Solutions e a Bradesco Seguros anunciaram em outubro a concretização de um negócio de Joint Venture segundo o qual a empresa suíça assumirá toda a área de seguros de grandes riscos da empresa brasileira.

Este conteúdo foi publicado em 22. dezembro 2016 - 11:00
Maurício Thuswohl, Rio de Janeiro
Desastres naturais como o ocorrido na Austrália em 21 de janeiro de 2011 são exemplos de danos cobertos pelas seguradoras. Keystone

O negócio representa a conquista de novos nichos de atuação para a Swiss Re no Brasil, e a empresa agora espera expandir sua atuação em áreas como exploração de petróleo e gás, aviação, transportes, engenharia e grandes riscos empresariais.

A joint venture, que já foi aprovada no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), fará nascer uma empresa que terá logo de início uma carteira de contratos de mais de R$ 800 milhões (R$ 412 milhões da Bradesco Seguros e R$ 396 milhões da Swiss Re). O acordo prevê ainda que a empresa suíça absorverá todos os funcionários da área de grandes riscos da empresa brasileira, além de receber todas as reservas técnicas (valores para arcar com os sinistros) da Bradesco Seguros.

Em entrevista exclusiva para swissinfo.ch, o CEO da Swiss Re Corporate Solutions no Brasil, João Nogueira Batista, fala sobre o negócio:

swissinfo.ch: Como a parceria com a área de grandes riscos da Bradesco Seguros se insere nos planos de expansão da Swiss Re Corporate Solutions no Brasil?

João Nogueira Batista: Este é um passo estratégico fundamental em nosso projeto de expansão. A companhia vinha crescendo nos últimos anos, em uma estratégia de diversificação de uma seguradora em linha para uma seguradora de grandes riscos multilinha. A Swiss Re Corporate Solutions vinha fazendo isso de forma consistente e crescendo em média 15% ao ano, mas tínhamos a clara visão de que, para aumentar nossa penetração no mercado e aproveitar as perspectivas de crescimento da economia brasileira nos próximos anos - estamos falando sempre no médio e no longo prazo, sem as volatilidades de curto prazo – a gente precisava ter condições de estruturar e acessar canais de distribuição diferenciados no mercado brasileiro.

João Nogueira batista Cortesia da Swiss Re

Quando surgiu a possibilidade de fazer essa parceria com a Bradesco Seguros, a transação evidentemente reunia todos os aspectos essenciais para esse negócio ser importante. Ou seja, não só a possibilidade de acesso a canais de distribuição privilegiados, mas também uma parceria societária com o dono desses canais, o que cria um alinhamento de interesses que é muito importante para o sucesso de qualquer estratégia de distribuição. Fora isso, os portfólios já existentes de ambas as organizações eram absolutamente complementares. Com isso, você cria uma companhia que, na partida, já terá o dobro do tamanho que temos hoje, fora a possibilidade de crescimento exponencial a partir do aproveitamento máximo desses canais de distribuição disponíveis. O nosso desafio conjunto daqui para frente é ver como a gente estrutura e otimiza o aproveitamento desse canal fundamental.

swissinfo.ch: Com a conclusão da negociação, a Swiss Re Corporate Solutions entra em um novo nicho de mercado que inclui setores considerados muito promissores no Brasil, como as indústrias aeronáutica e de petróleo e gás. Quais as expectativas e estratégias da empresa em relação a esse novo nicho?

J.N.B.: A companhia vinha se expandindo e se transformando em uma seguradora multilinha. Faltavam ainda linhas de negócio como as que você acaba de mencionar: aviação e óleo e gás, que a gente iria implantar nos próximos anos, até porque temos expertise em nível mundial. Era uma questão de escolher o momento adequado no Brasil. Com essa parceria com a Bradesco Seguros, automaticamente ganhamos não só portfólios, mas também equipes nas quais a gente pode agora investir e acelerar o nosso aproveitamento nesses nichos de mercado que são promissores.

O mercado de aviação no Brasil é um mercado promissor. Também o mercado de óleo e gás, apesar da crise no curto prazo, é um setor que no médio e longo prazo também apresenta oportunidades importantes. São mercados nos quais nós vamos investir fortemente. Em óleo e gás, esse investimento acontecerá na cadeia como um todo. São setores fundamentais na economia brasileira, e a Swiss Re vai poder oferecer gerenciamento de riscos para os diversos players desses setores. A gente acelera também a penetração em alguns produtos que a gente não estava presente ainda. Esse é um benefício da parceria com a Bradesco Seguros, que aumenta o leque de produtos da companhia.

swissinfo.ch: Pode-se dizer que a Swiss Re Corporate Solutions encara com otimismo sua presença no Brasil, apesar da crise política e econômica que o país está vivendo...

J.N.B.: Com certeza. Nós somos um player estratégico nesse mercado e estamos aqui no Brasil para o longo prazo, não para o curto prazo. Estamos acima das volatilidades de curto prazo. Obviamente que os problemas de curto prazo do Brasil afetam os nossos negócios no dia-a-dia, mas nós estamos aqui para ficar, e a própria parceria com a Bradesco Seguros mostra isso. Nós estamos aqui, o grupo Swiss Re está investindo mais dinheiro, mais recursos no Brasil porque a gente acredita no Brasil no longo prazo.

swissinfo.ch: Como será na prática o impacto da absorção dos funcionários da Bradesco Seguros na nova estrutura da Swiss Re Corporate Solutions?

J.N.B.: Isso é muito simples porque nós estamos recebendo um grupo de especialistas da Bradesco Seguros nas linhas de negócio em que eles são fortes e, como os portfólios eram complementares, os especialistas também são complementares. Esse é outro resultado positivo do negócio. Em qualquer processo de fusão e aquisição, principalmente no setor financeiro, grande parte da sinergia é feita em cima da canibalização de recursos humanos. Neste caso, isso não ocorreu porque as pessoas e os portfólios são complementares. Então, nós vamos basicamente passar a ter uma sub sede no Rio de Janeiro, especializada em transporte, aviação e seguro patrimonial, e a sede continuará em São Paulo. Vamos aproveitar ao máximo o potencial que a fusão dos especialistas também traz.

Competências adicionais

Em nota divulgada à imprensa, o presidente da Bradesco Seguros, Randal Zanetti, afirma que a empresa brasileira não vinha conseguindo dar completa atenção ao setor de seguros de grandes riscos, o que irá mudar após a aquisição desta área de negócios pela Swiss Re Corporate Solutions: “Não estávamos tendo foco nesta área e chegamos a conclusão de que o ideal seria firmar uma parceria estratégica que agregasse competências adicionais”, diz.

Após o negócio receber o sinal verde dos órgãos reguladores no Brasil, o que deverá acontecer até o fim do primeiro trimestre de 2017, a Bradesco Seguros passará a deter 40% das ações da empresa suíça no Brasil. Para Zanetti, outras fusões como essa poderão acontecer nos próximos meses no mercado brasileiro: “Com a retomada do ciclo de investimentos no país, as empresas brasileiras precisarão de novas parcerias para assegurar seu crescimento”, diz.

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