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Petróleo também causa preocupação na Suíça

Na Suíça, a gasolina já subiu 20 centavos por litro. Keystone

Como em toda parte, a gasolina o óleo diesel e o óleo bruto para calefação estão em alta desde o início do ano. Pairam incertezas sobre a retomada do crescimento econômico.

O barril de petóleo bruto está na casa dos 45 dólares mas, por enquanto, os especialistas refutam o alarmismo.

A alta do petróleo começa a pesar também no bolso dos suíços. A gasolina sem chumbo 95 (a mais utilizada) já subiu 20 centavos por litro desde o início do ano e está sendo vendida a 1,50 franco.

A alta também é sensível para o óleo bruto usado nas caldeiras de calefação de todos os prédios e casas, durante o inverno, que já subiu 10 centavos por litro.

A tal ponto que a alta do precioso ouro negro pode afetar a retomada do crescimento econômico, segudo a Secretaria Federal de Ecônomia (SECO). “Nada indica que a retomada do crescimento será paralizada pelo preço do petróleo”, podera Aymo Brunetti, economista-chefe da SECO.

Ele acrescenta que o impacto sobre a inflação também será pequeno e que economia suíça ainda não atingiu o pico do seu ciclo atual de crescimento.

Economia menos dependente

Os economistas concordam, no entanto, que a situação atual nada tem a ver com as crises dos anos 70 e 80, em que também houve alta dos preços mas a economias ocidentais eram mais dependentes do petróleo do que atualmente.

No entanto, isso não impede que a alta prossiga. Terça-feira, em Nova York, o barril ultrapassou a marca dos 45 dólares e depois caiu um pouco, no fechamento.

Há pelo menos duas causas para a alta atual. A demanda está em alta devido o crescimento da China mas também à retomada do crescimento nos Estados Unidos e na Europa.

Ao mesmo tempo, a oferta está diminuindo por conta da situação no Iraque, ao caso da gigante russa Ioukos, ameaçada de falência, e da tensão na Venezuela devido o referendo presidencial de domingo.

Emmanuel Gautrot, analista do Banque Pictet, em Genebra, afirma que, no Iraque, “as sabotagens aos poços de petróleo continuam e o nível de produção atual (2 milhões de barris por dia) ainda é inferior aos 3 milhões de antes da guerra”.

Ele afirma ainda que, na Rússia, “ninguém sabe como vai terminar o caso da Ioukos” e que, na Venezuela, “pode haver greve do setor petroleiro, dependendo do resultado do referendo presidencial”.

50 dólares

Certos especialistas acham que o barril vai chegar a 50 dólares até o final do ano. Outros são mais prudentes.

“A curto prazo (nos próximos dois meses) a volatilidade deve continuar forte”, estima Emmanuel Gauttrot, analista do Banco Pictet. “O barril pode chegar pontuamente a 50 dólares mas não acredito que possa se estabilizar nesse preço”.

A médio prazo (6 meses a 1 ano) Gautrot acredita em baixa do preço “em torno de 35 a 40 dólares, principalmente e houver solução na Rússia e na Venezuela”. Ele diz ainda que os atores não comerciais (setor financeiro) estão especulando com os preços.

O consumidor é quem paga

No final das contas, é o consumidor quem paga, lembra Daniel Sieber, patrão da empresa de distribuição de óleo bruto Oel-Pool.

“Na Suíça, como no resto do mundo, a alta dos preços beneficia os produtores como Shell, Esso e BP. Para os comerciantes e distribuidores, a situação atual é difícil”, explica.

Na espectativa que os preços caiam, muitos consumidores não compram o óleo de calefação. Quando o outono chegar, muita gente vai ter de abastecer as caldeiras, prevê Sieber.

Suíços e europeus não estão mal

Analista no Crédito Suíço (segundo maior banco suíço), Jeremy Baker observa que os consumidores suíços e de outros países europeus estão em melhor situação do que os americanos.

De fato, a fraqueza atual do dólar, cotado a 1,25 franco suíço, neutraliza parte da alta do petróleo.

“Se fosse em 2000, com o dólar a 1,80 fr, a gasolina não estaria custando 1,50 mas 1,65 o litro”, afirma Baker.

A curto prazo, ele calcula que alta das taxas de juros nos Estados Unidos poderá provocar a alta do dólar e, portanto, do petróleo.

swissinfo

A 1,47 francos, o preço da gasolina é dividido assim:
47 centavos para compra do produto refinado;
15 centavos para distribuição, incluindo 1 a 5 centavos da margem dos postos;
85 centavos de impostos.
Segundo a agência internacional de energia, a demanda mundial cresce 3,2% este ano.

– O preço do barril passou de 45 dolares terça-feira, em Nova York, depois recuou com a notícia da retomada das exportações pelo Iraque, apesar das ameaças de sabotagem no sul do país.

– O Iraque exporta cerca de 1,7 milhões de barris por dia, através dos terminais de Bassorah e Khor.

– A receito de queda da produção global no Oriente Médio e na Rússia (devido às incertezas da empresa Iokos).

– Há ainda as tensões na Venezuela devido o referendo de domingo e as tempestades tropicais no Golfo do México, que perturbam o transporte.

– Na Bolsa de Nova York, o barril chegou a 45,04 dólares terça-feira, depois fechou a 41,28

– Certos analistas consideram essa baixa temporária e estimam que o barril pode chegar a 50 dólares até o final do ano.

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