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Restaurantes passam fome

Vazios, muitos restaurantes suíços lutam para sobreviver. Keystone

Volume de negócios da gastronomia suíça estagnou em 22 bilhões de francos no ano passado. Ao mesmo tempo, o número de estabelecimentos aumentou.

Para as associações do setor as perspectivas para o ano são péssimas, sobretudo depois que o limite de consumo de álcool para automobilistas abaixou para 0,5 miligramas.

“Os restaurantes suíços estão vivendo uma competição sem piedade”, afirma Klaus Künzli, presidente da Gastrosuisse, o sindicato helvético de gastronomia e hotelaria. “10 mil restaurantes estão sobrando no mercado”

Cada vez são abertos mais estabelecimentos na Suíça: só no ano passado o número deles aumentou em 690, comparado com os números de 2003. O faturamento no setor, que responde por 216 mil empregos, estagnou em 2004 na faixa dos 22 bilhões de francos, sendo que a maior parte foi gerado na gastronomia (15,5 bilhões) e o resto na hotelaria (6,5 bilhões).

Outra descoberta é a rotatividade: no ano passado, pouco mais de um quarto de todos os restaurantes mudaram de dono. No total 590 deles fecharam suas portas. Muitos vivem praticamente no limite das suas finanças.

Menos álcool para os motoristas

Os representantes do setor não vêem o futuro com muito otimismo. Desde que o governo suíço reduziu os limites de consumo de álcool no início do ano para 0,5 miligramas para cada 100 mililitros de sangue, os negócios vão de mal a pior.

Segundo uma pesquisa realizada pela Gastrosuisse, no primeiro trimestre do ano os restaurantes venderam 10% a menos de bebidas alcoólicas do que no mesmo período do ano passado. Essa queda representa uma perda considerável, pois um quinto do faturamento no setor veio no ano passado do consumo de vinho, cerveja e destilados.

Künzli espera que o consumidor volte a encher seu copo durante o ano. “Os drásticos controles realizados pela polícia terminaram por aterrorizar o cliente”. Também as campanhas publicitárias têm influenciado consideravelmente o comportamento nos estabelecimentos.

Área para não-fumantes é voluntária

A introdução de uma entrada obrigatória no momento do pedido de um prato, o chamado “pane è coperto” como existe há anos na Itália, não é considerada uma opção ideal para recuperar o dinheiro perdido, declara o presidente da Gastrosuisse. A receita dos restaurantes deve, na sua opinião, crescer através de novas idéias e bom serviço.

A grande preocupação do setor é o excesso de leis e regulamentações. Uma delas é o pedido de introdução de espaços reservados para pessoas não fumantes. “Na nossa opinião, o gastrônomo deve decidir por si só se ele cria ou não esse espaço”, declara Künzli.

Restaurantes demais

Na Suíça não faltam restaurantes. No total, pouco mais de 30 mil estabelecimentos estão em funcionamento. O número corresponde a 250 habitantes para cada local.

Na gastronomia helvética, os restaurantes são o tipo preferido de negócio (41%). Depois vem o hotel com restaurante (12%) e restaurantes do campo (9%).

Cerca de um quarto de restaurantes oferecem cozinha típica do país. Batata-frita e bife de porco é o prato preferido dos suíços. Todos os estabelecimentos permanecem abertos na sexta-feira e apenas três quartos também no domingo.

swissinfo com agências

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