Suíços mostram inovações em Milão
Duas escolas suíças de Arte e Design, além de empresas do setor, participam da Salão Internacional do Móvel de Milão.
O evento é o mais importante do gênero e mostra as tendências do que teremos dentro de casa.
O Salão Internacional do Móvel, em Milão, é o principal evento do design mundial. Arquitetos e designers de quase todos os países se lançam na conquista do espaço e delimitam novas fronteiras e formas para os objetos e lugares nossos de cada dia.
Seleção de participantes
Uma corrida na qual a imaginação e a sensibilidade são as forças motrizes. Muitos produtos nascem e morrem durante esta grande quermesse. Outros ganham vida longa e o mercado, se caem no gosto de um empresário disposto a investir no projeto. Da cabeça do criador à casa do consumidor, passando pela prancheta e linha de produção, existe uma distancia muito grande a ser percorrida.
Empresas suíças consolidadas como a Dirart SA, com sede em Lugano; Nives Zanotto e Zanotto SA, de Zurique; e Lorenzoni SA Transportes Internacionais, de Chiasso, apresentam suas novas propostas e serviços junto com os concorrentes de 35 países. Mas um dos pontos altos do evento é uma perspectiva do futuro.
Por isso, todos os anos, o Salão Internacional do Móvel tem uma sessão dedicada aos jovens designers de todos continentes. Ela se chama Salão Satélite e conta 440 participantes, sendo 155 italianos e 285 estrangeiros, selecionados por uma comissão composta de notáveis do setor.
Restaurante do futuro
Os novos produtos são apresentados ao grande público em 160 stands. Maquetes ou protótipos em escala real dão asas a idéias mirabolantes. Estão lá de cabides para CDs, passando por uma mesa composta de emaranhado e galhos de árvore ao capô de um Fusca transformado em poltrona.
O Departamento de Desing Interior IN3, da Universidade de Arte e Design de Basel, apresentou um projeto sobre a interatividade entre os objetos e o espaço. O desafio dos estudantes foi criar, a partir de um desenho traçado em uma caixa de papelão, diferentes formas de elementos e dispô-los da melhor maneira possível no ambiente.
“Queremos mostrar quais são as possibilidades ideiais para se ocupar um espaço, seja ele qual for e mostrar como os objetos interagem entre si e com o vazio”, explica o professor Frédéric Dedelley, a swissinfo. Um exercício de reflexão que tem grande utilidade, por exemplo, na composição cenográfica de um espetáculo.
O Salão Internacional do Móvel tem também as suas portas abertas para os restaurantes do futuro criados por estudantes de design de nove países, entre eles a Suíça. O consumidor de hoje quer saber aonde e como vai se sentar à mesa amanha. A sessão se atende pelo sugestivo nome de Dining Desing e tem como objetivo servir o alimento, a moda e o design em um mesmo prato.
Se depender dos alemães, o futuro é o “fast-food” urbano com jeito de piquenique. Nasce então o “quic-nic”, em que se celebra o ritual de comer com atenção e integração à natureza, mesmo que a cestinha com o sanduíche e o refrigerante seja de papel, pelo menos ela deve ser estampada com desenhos de palha. Já os finlandeses apostam num restaurante todo branco, imaculado, quase suspenso no tempo e no espaço.
Galerias e centros culturais participam
Já a interpretação suíça é mais leve e aberta. Os alunos da Escola Cantonal de Arte de Lausanne, do Departamento de Design Industrial, ganham destaque com um restaurante móvel, o “Roll Away”. Ele cabe dentro de uma camionete e pode ser transportado e montado em qualquer espaço ao ar livre ou não.
O restaurante itinerante é simples e prático. Ele é composto por rolos de papelão ou tecido como o algodão. Uma vez abertos, eles têm mil e uma utilidades: servem de tenda, de toalha de mesa e cobrem o chão e as paredes laterais. A mesa, na verdade uma grande bancada, foi elaborada a partir de módulos independentes e podem variar de tamanho, assim como as cadeiras e as estruturas de apoio.
“Por acaso ele tem um ”toque” oriental, mas não foi esta a intenção. A idéia foi elaborar as condições ideais para montar e criar um espaço para se comer bem em qualquer lugar. E, dependendo do evento, as estampas e as cores dos tecidos podem variar entre si”, conta a swissinfo a estudante Sibylle Stockli.
Só um pequeno detalhe: a cozinha não está prevista no projeto. Por isso, antes de armar o seu restaurante no parque da esquina ou na montanha mais próxima não se esqueça de preparar o menu antes, em casa.
Mas quem pensa que o Salão do Móvel se restringe à Feira de Milão está enganado. Ele se espalha por dezenas de galerias, lojas e centros culturais da cidade. O Centro Cultural da Suíça, por exemplo, apresenta a mostra do designer Philippe Cramer.
swissinfo, Guilherme Aquino, Milão
O interesse pelo Salão Internacional do Móvel se justifica pelos números:
– 185.000 visitantes;
– 1.900 expositores;
– 3.300 jornalistas;
– 197.000 metros quadrados;
– O Salão vai até 19 de abril.
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