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Instalação de artistas suíços faz sucesso no Rio

"Sonho da Planta do Escritório", de Gerda Steiner e Jörg Lenzlinger

É impossível, para quem entra na sede do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) no Rio de Janeiro, ficar indiferente àquela obra de arte. No início, experimenta-se um certo estranhamento, mas aos poucos os olhos e os sentidos vão sendo conquistados por um grande prazer estético e pela sensação de bem-estar.

A obra em questão, batizada como "Sonho da Planta do Escritório", é uma instalação criada pelos renomados artistas plásticos suíços Gerda Steiner e Jörg Lenzlinger, e está fazendo enorme sucesso entre os cariocas.

A peça criada por Steiner e Lenzlinger é mesmo fantástica. A instalação foi feita dentro da ampla e aristocrática rotunda central do CCBB, ocupando-a quase por completo. São 30 metros de altura e doze metros de largura, numa obra construída com materiais diversos como folhas, galhos, flores, pedaços de madeira, pano, plástico e isopor, entre outros.

O efeito visual é belíssimo, sobretudo se o visitante se deitar sobre uma das camas instaladas em baixo da "planta monstro" e deixar seus pensamentos se perderem em contemplação.

A instalação "Sonho da Planta do Escritório" é a principal atração da exposição "Trópicos: Visões a Partir do Centro do Globo", que chegou ao Rio de Janeiro no dia 4 de março e permanecerá aberta à visitação no CCBB até 4 de maio.

A exposição foi organizada pelo Instituto Goethe do Brasil, em parceria com o Museu Etnológico de Berlim, e faz parte da Kulturfest Estação Alemã 2007/2008 (Festival de Cultura Alemã no Brasil). Antes de chegar ao Rio de Janeiro, a exposição passou pelo CCBB de Brasília, onde esteve de outubro do ano passado a fevereiro deste ano.

A mostra "Trópicos" é composta por 130 obras de arte antiga pertencentes ao acervo do Museu Etnológico de Berlim e oriundas da Ásia, da África, da Oceania e das Américas.

Completam a exposição outros 87 trabalhos contemporâneos, criados por 21 artistas de diversos países e divididos em esculturas, pinturas, desenhos e até mesmo vídeos. Com inspiração na obra do antropólogo Claude Lévi-Strauss, a mostra foi organizada a partir de quatro temas: Natureza e Paisagem, Antepassados e Imagens Humanas, Poder e Conflito e Cores e Instrumentos Musicais.

Diretor do Instituto Goethe, o alemão Alfons Hug explica a exposição, da qual é um dos curadores: "A mostra 'Trópicos' é uma justaposição de arte antiga e arte contemporânea sobre essa região do mundo que muitas vezes é associada somente à pobreza e à violência.

O discurso sobre os trópicos tem sido focado normalmente em questões ecológicas, políticas e econômicas. Nosso objetivo é mostrar a riqueza cultural existente nos trópicos, e também seu valor estético. O Museu Etnológico de Berlim nos ajudou muito, oferecendo 130 obras-primas", diz.

Processo criativo

Hug comemora o sucesso que a instalação criada pelos artistas suíços está fazendo no Rio de Janeiro: "Gerda Steiner e Jörg Lenzlinger realmente fizeram uma pesquisa muito profunda nos últimos anos, tanto na África, como na Ásia e no Brasil.

No Rio e em Brasília, eles vieram duas ou três vezes para estudar a fauna e a flora do país. Fizeram duas instalações, uma em Brasília e outra no Rio, sempre levando em consideração o espaço local", diz. O curador da mostra ressalta a originalidade da obra dos suíços: "A planta é uma mistura de objetos orgânicos, como cipós, plantas e flores, e objetos inorgânicos, como todo tipo de material encontrado nas feiras e até mesmo nos desfiles de carnaval".

O processo de criação da instalação "Sonho da Planta do Escritório" também foi muito original. A mistura entre objetos e materiais de origens diversas, já presente em outras instalações do casal de suíços, se repetiu de forma alegre e inusitada.

Quando estiveram no Rio de Janeiro trabalhando em sua criação, Steiner e Lenzlinger puderam ser vistos por diversas vezes em busca de materiais nas lojinhas e brechós do Saara, tradicional ponto de comércio popular localizado no centro da cidade e próximo ao CCBB.

Talento suíço

Gerda Steiner e Jörg Lenzlinger são artistas reconhecidos em todo o mundo. Trabalham juntos desde 1997 e, desde então, vêm realizando obras - sobretudo as instalações - que têm feito sucesso em diversos países. A primeira parceria da dupla a ganhar notoriedade foi a instalação "Lift-Up", que misturava fotos de pessoas tiradas em todo o mundo com outros materiais. Na Suíça, sua instalação mais conhecida chama-se "L'Appareil Natal", e foi exibida durante a exposição nacional Expo02 Suisse.

Outros grandes sucessos de Steiner e Lenzlinger são as instalações "Jardin Tombant", exibida no Festival de Veneza (Itália) em 2003, e "Whalebalance", exibida no Watarium de Tóquio (Japão) em 2004.

Esta última, que misturava folhas, raízes, ossos de peixes e até mesmo pedaços de uma baleia morta, é considerada um marco da arte moderna entre os japoneses. Os dois artistas também já fizeram instalações em cidades como Madri, Sevilha (Espanha), Cidade do Cabo (África do Sul) e Tel-Aviv (Israel), entre outras.

Procurados pela swissinfo para comentar a obra "Sonho da Planta do Escritório" instalada no Rio de Janeiro, os artistas suíços responderam de uma forma que mostra como sua arte deve ser apreciada muito mais de uma maneira sensitiva do que racional ou explicativa: "Ao invés de comentar a obra, nós preferimos propor a você que vá se deitar sob a 'Planta', para observar, pensar e, quem sabe, até dormir um pouco. Depois, escreva sobre o que o você sentiu", disse Gerda Steiner.

swissinfo, Maurício Thuswohl, Rio de Janeiro

Experiência

Gerda Steiner nasceu em 1967, na pequena comuna de Ettiswil, no cantão de Lucerna. Estudou nas escolas de artes de Lucerna (1984) e da Basiléia (1987/88).

Sua primeira experiência no exterior aconteceu numa temporada de intercâmbio artístico em Paris (França) em 1993, seguida por outra em Montreal (Canadá) dois anos depois. Em 1999, quando já trabalhava em dupla com Jörg Lenzlinger, Steiner fez uma residência artística no Queen's College de Melbourne (Austrália).

Jörg Lenzlinger nasceu em 1964, na comuna de Uster, no cantão de Zurique. Entre 1985 e 1988 estudou na Escola de Artes Aplicadas de Zurique, de onde partiu para ganhar bagagem artística no exterior.

Em 1996, fez uma residência no Exploratorium de San Francisco (Estados Unidos). A experiência se repetiu em 1999, no Queen's College de Melbourne (Austrália), onde Lenzlinger fez residência ao lado de sua parceira Gerda Steiner.

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