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Literatura de Cordel é mostrada na Suíça

José Honório da Silva durante conferência em Genebra. swissinfo.ch

Convidado pela Associação Raízes - que promove a língua e a cultura brasileira em Genebra - o poeta pernambucano José Honório da Silva fez uma série de palestras na Suíça.

Este conteúdo foi publicado em 07. outubro 2005 - 11:57

Ele ficou surpreendido e feliz pelo interesse que constatou em suas apresentações.

"É um orgulho e um prazer para mim estar falando de nossa arte na Europa, terra onde tudo começou na época dos trovadores e menestréis medievais" afirma José Honório da Silva.

O poeta pernambucano está na Suíça para uma série de conferências em que fala da história e dos gêneros do Cordel e ilustra suas preleções com leitura de folhetos seus e de outros poetas. "Não é conferência, que eu não sou catedrático, é mais um diálogo", explica o recifense.

Dom ou aprendizado?

Ele começou a escrever em 1984, aos 21 anos, e tem, até agora, quarenta títulos. Formou recentemente, com outros poetas pernambucanos, a União dos Cordelistas de Pernambuco - UNICORDEL - para restaurar a tradição oral do Cordel e promover sua comercialização.

"No auge do Cordel, nos anos 40 e 50, as tiragens eram de 5 mil exemplares e os folhetos eram distribuidos em todo o nordeste", afirma.

O envolvimento de José Honório com o Cordel começou muito cedo, com a avô, que tinha uma mala cheia de folhetos. "Ele já enchergava mal e eu então lia os folhetos para ele", relembra. Meu pai também fazia versos mas não escrevia", acrescenta.

Quanto à questão do dom para fazer verso, o pernambucano diz não ter muita certeza: "acredito que existe uma certa propensão mas a leitura do Cordel, o convívio com a sonoridade das palavras e o ambiente, acho que é isso que faz o cordelista", explica José Honório.

O cibernético

José Honório da Silva foi um dos primeiros cordelistas a utilizar a internet e as novas tecnologias a serviço do Cordel. "É interessante porque a composição eletrônica permitiu fazer tiragens menores e redução de custos de publicação dos folhetos".

O poeta recifense explica sempre em suas preleções a diferença entre o Cordel e o Repente. "Os dois são primo-irmãos mas o Cordel é escrito, pensado, uma atitude solitária, enquanto o Repente é feito na hora, oralmente, de improviso, a partir de um tema ou de um mote dado pelo público, e geralmente cantado".

Como existe Cordel onde existem nordestinos e os nordestinos estão em quase em todo o Brasil, fica difícil quantificar o número de poetas. "Só na UNICORDEL, em Recife, somos quinze. Em Recife e nas adjacências existem cerca de 30 poetas que publicam regularmente. Em Pernambuco, calculo que haja entre cincüenta e cem. Mas tem muita gente que escreve e não publica ou publica esporadicamente", afirma José Honório.

Quanto à viabilidade econômica, ninguém consegue viver de escrever Cordel. "Comheço um só caso, o do Lampião, em Recife, que vive de vender Cordel. Ele compra e revende desde menino e diz que criou a família vendendo folheto", conta José Honório.

Ele cita ainda outros grandes poetas brasileiros como Carlos Drumond de Andrade, João Cabral de Melo Neto e Vinícios de Morais, que tinham outra atividade. "Com o Cordel não é diferente", conclui José Honório.

swissinfo, Claudinê Gonçalves

Breves

- Cordel é sinônimo de barbante, e o nome Literatura de Cordel vem da maneira como os folhetos eram vendidos, pendurados.

- O Cordel é portanto escrito enquanto o Repente é feito de improviso, oralmente, em público.

- Nos dois casos, a métrica é bem estrita em estrofes de seis, sete, oito ou dez versos.

- A tradição vem dos trovadores medievais europeus e praticamente desapareceu no Velho Continente.

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