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Livro conta história dos suíços do Espírito Santo

Capa do Livro publicado no Espírito Santo, com textos de 1860. swissinfo.ch

A partir de agora, os descendentes dos suíços no Espírito Santo conhecerão parte da vida de seus antepassados que emigraram em meados do século XIX.

Este conteúdo foi publicado em 20. dezembro 2004 - 10:01

O Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, com apoio de swissinfo, publica "Viagem à Província do Espirito Santo", dois textos do Johann Jakob von Tschudi, que esteve duas vezes na região.

Um evento importante para os capixabas descendentes de suíços ocorreu sexta-feira (17.12) em Vitória, capital do Espírito Santo.

Alguns deles estarão entre as mais de quinhentas pessoas convidadas para o lançamento de Viagem à Província do Espírito Santo, Imigração e Colonização Suíça 1860. A publicação contou com o apoio de swissinfo/Rádio Suíça Internacional.

Fotos inéditas

A cerimônia de lançamento do livro ocorre às 17 hs no Palácio Anchieta, sede do governo estadual, em presença do governador Paulo Hartung.

Por uma feliz coicidência e um trabalho sério do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, o livro inclui 16 fotografias inéditas do francês Jean Victor Frond, datadas de 1860 - as mais antigas do Espírito Santo até hoje conhecidas -e descobertas pelo pesquisador e jornalista Cilmar Franceschetto.

"Sabíamos da existência dos originais dessas fotos na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, mas elas estavam sem identificação de autoria", explica Cilmar Franceschetto. O fato de Vitor Frond ser citado por Tschudi é que permitiu a identificação dos únicos originais conhecidos do fotógrafo francês", explica o pesquisador.

A capa do livro sobre a emigração suíça foi feita a partir de uma foto de Victor Frond, da entrada da baía de Vitória, em 1860.

Textos inéditos em português

O dois textos que motivaram a publicação são relatos acerca das condições de vida dos suíços nas três primeiras colônias de europeus no Espírito Santo: Santa Isabel, Santa Leopoldina e Rio Novo, ambos de autoria do médico e cientista Johann Jakob von Tschudi.

Em 1860, como Enviado Extraordinário da Confederação Suíça ao Brasil,
Tschudi fez um relatório sobre as três colônias capixabas citadas e também já com as colônias de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Anteriormente ele já fizera o mesmo em Minas Gerais. Ainda estávamos na época imperial e os estados chamavam-se Províncias.

O período de imigração no Espírito Santo, de várias nacionalidades, foi de 1812 a 1900. Entre 1856 e 1894, 480 colonos suíços instalaram-se no Espírito Santo.

O primeiro grupo de suíços chegou em dezembro de 1856, depois de 58 dias de viagem a partir de Hamburgo, passando pelo Rio de Janeiro.

Era composto de 12 famílias, num total de 90 pessoas, originárias dos cantões de Argóvia, St.Gallen, Berna e Fribourg. O Projeto Imigrantes Espírito Santo do Arquivo Público Estadual (APEES) dispõe de dados até sobre a religião dos imigrantes suíços.

Relatório crítico

Em março de 1857, desembarcou no Espírito Santo um grupo de 117 suíços e 37 alemães, provenientes de Ubatuba-SP. Eles haviam se rebelado contra as condições de vida nas fazendas paulistas. Esses suíços eram originários dos cantões de Zurique, Glarus, Grisões, Argóvia, St.Gallen e Schaffausen.

Em seu relatório para o governo suíço, em 1860, Tschudi repertoria 38 famílias suíças no Espírito Santo. Elogia algumas e critica outras. Faz previsões pessimistas e mostra-se bastante crítico quanto ao futuro das colônias.

Sobre a colônia de Santa Isabel afirma não crer que "ela terá um futuro muito própero". Foi categórico ao afirmar que a "colônia de Santa Leopoldina não tem futuro". Quanto à colônia de Rio Novo diz que "tem potencial da terra e do clima" mas que, "com a miserável administração atual, pode-se dizer que ela não tem qualquer possibilidade de futuro".

Vasta obra

Outro texto publicado no livro é um capítulo de Viagens na América do Sul - Reisen durch Südamerika - obra em cinco volumes editada em Leipzig, Alemanha, entre 1866 e 1869.

Tschudi, antes de ter estado no Brasil, havia feito duas viagens à América do Sul, incluindo Peru, Bolívia, Chile e Estados do Prata.

Na obra em alemão, o autor suíço é ainda mais crítico em relação às colônias no Espírito Santo do que no relatório oficial.

"No meu entender, a razão disso é que Tschudi, escrevendo uma obra na Europa, sem a conotação oficial nem diplomática, se sentiu mais à vontade para carregar nas tintas, afirma a historiadora Gilda Rocha, especialista da imigração no Espírito Santo.

Transição para o trabalho livre

Na apresentação de Viagem à Província do Espírito Santo, quinto volume da coleção Canaã, o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (ele próprio descendente de alemães) afirma que, "felizmente (...) os imigrantes superaram os obstáculos de então e não confirmaram as previsões de Tchudi".

Para o escritor, cientista social e diretor do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, Agostino Lazzaro, a publicação representa "um avanço ao recuperarmos um fragmento importantíssimo da nossa história, que é a ocupação sitemática - implementada pelo governo da época - de grande parte do território espírito-santense".

Gilda Rocha lembra que a "política imigrantista" do Governo Imperial" visava promover o povoamento de imensas áreas inabitadas (...) mas já pairava em muitas mentes que a colonização era um meio de promover a transição do trabalho escravo para o trabalho livre".

swissinfo, Claudinê Gonçalves, em Vitória.

Fatos

1856 - chegada dos primeiros colonos suíços ao Espírito Santo; eram 12 famílias (90 pessoas)
1860 - Tschudi relata as condições de vida de 38 famílias suíças em três colônias: Santa Isabel, Santa Leopoldina e Rio Novo.
Entre 1856 e 1894, 480 colonos suíços instalaram-se no Espírito Santo.
As fotos eram inéditas e os textos idem, em português.

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