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Pega na mentira

Roberto Carlos deixa se fotografar ao lado de uma torcedora no treino de 1. de junho.

(Keystone)

Jogadores da seleção brasileira aproveitam a folga para se divertir numa boate. Eles não contavam que os fãs iam vender a história.

Roberto Carlos se chateia com a reportagem do jornal sensacionalista e promete nunca mais se deixar fotografar. Já o porta-voz da CBF fala que é cada vez mais difícil ser famoso.

Talvez seja o cansaço que o grupo sinta ao passar uma semana isolado numa gaiola de ouro. O certo é que, depois da goleada da seleção brasileira contra o FC Luzern na terça-feira (30.05) na Basiléia, o técnico Carlos Alberto Parreira havia resolvido dar uma folginha de meio-dia para os jogadores.

A maioria deles tomou um banho e embarcou no ônibus que os levaria para o descanso merecido no Park Hotel Weggis. Porém um pequeno e animado grupo formado por Ronaldo, Adriano, Roberto Carlos, Dida, Robinho, Emerson e Julio César estavam com vontade de esticar um pouco a noite. Depois de passar no hotel para trocar os uniformes por umas roupas mais descoladas, eles pediram que uma limusine os levasse para uma discoteca da moda em Lucerna.

Nessa noite tranqüila, os poucos freqüentadores do "Adagio" devem ter se espantado ao ver as estrelas do futebol entrando na pista de dança como cidadãos comuns.

Surpresa na noite

- Ao vê-los na casa, nós lhe oferecemos o lounge VIP para que eles tivessem a sua tranqüilidade – contou um dos gerentes da discoteca ao jornal sensacionalista "Blick".

Durante essa noite, alguns fãs aproveitaram a oportunidade para pedir autógrafos e se deixar fotografar ao lado de rostos conhecidos como Ronaldo, Roberto Carlos e Emerson. Os jogadores estavam animados, tomaram umas cervejas e até mesmo conversaram com as pessoas presentes. Ronaldo pediu ao DJ da casa lhe explicar como funcionava o efeito de scratch, o clássico movimento que o DJ faz com os dedos sobre o disco de vinil.

- O Ronaldo disse queria saber tudo. Ele falou que gosta muito de música pop. Mais tarde me contou que gostaria de retornar para Milão, pois ele não apenas adora o clube, mas também a própria cidade – contou o DJ Caputo, um italiano de Lecce, que no final do encontro ainda pediu para o jogador autografar alguns CDs.

Entre três e três e meia da manha, os brasileiros retornaram ao hotel. O único que ficou mais tempo foi o Roberto Carlos.

Mentira tem pernas curtas

A escapada da ala jovem da seleção não teria tido conseqüências, se não fossem dois detalhes.

Os jogadores haviam contado uma pequena mentira à comissão técnica, desmentindo antecipadamente a noitada e dizendo que iam ficar no hotel. Na quarta-feira, Roberto Carlos havia dito à imprensa que tinha aproveitado o período de folga para descansar. "Coloquei um chinelo, uma bermuda e fiquei no hotel falando de futebol", disse o lateral.

O segundo detalhe: as fotos tiradas e a história vivida no "Adagio" em Lucerna acabaram sendo publicadas na edição de quinta-feira (1° de junho) do Blick (Veja, em português), cujas cópias foram distribuídas posteriormente aos 200 jornalistas brasileiros que estão acompanhando a seleção em Weggis.

Segundo uma jornalista do Blick, as imagens foram entregues ao jornal pelo DJ Caputo, que também revelou o que os jogadores pediram para ouvir: Snoop Dogg, Bob Sinclair, Juanes e 50 cent, entre outros.

Ao chegar ao treino da quinta-feira, Roberto Carlos foi bombardeado pelos jornalistas com perguntas sobre a escapada noturna do grupo. Chateado, ele respondeu que não esperava que a sua foto, cercado de três belas mulheres, aparecesse numa publicação suíça no dia seguinte.

- Eu deixei fazer a foto, pois não tem problema nenhum. Se tivesse algum problema da gente ficar em lugar público, não teria ido. Sendo jogador da Seleção Brasileira é normal ser educado com as pessoas. Surpreendeu um pouco as fotos terem saído nos jornais. Não vou deixar mais fazer fotos minhas dentro de um bar ou discoteca, onde eu estiver com a minha namorada e meus filhos, pois infelizmente as pessoas utilizam isso contra nós.

A pergunta levantou a questão da privacidade de celebridades. Com seus rostos estampados em centenas de produtos, comerciais e até figurinhas autocolantes, os jogadores de futebol têm hoje status de estrelas de cinema. Por isso um jornalista brasileiro perguntou diretamente se ele não precisa agora evitar a exposição publica. Roberto Carlos não titubeou:

- Eu acho que sim. Pois chegou uma fase na Espanha onde eu deixei de sair, pois a gente não tem mais liberdade nenhuma. Quando estou num restaurante, bar ou discoteca, têm sempre um flash batendo na nossa cara. Até os telefones são complicados para nós hoje em dia. A partir de agora eu não faço mais foto dentro de lugares públicos, só na rua.

"Big-Brother"

O técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, preferiu minimizar a confusão causada pelas fotos. Parreira disse que cada jogador faz o que quiser durante a folga.

Já o assessor de imprensa da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rodrigo Paiva, se espantou com a atenção dada pela imprensa a "um fato tão irrelevante" como o da escapada dos jogadores. Na sua opinião, a mídia está ultrapassando seus limites.

- A cada dia vai ficando mais difícil para essas pessoas que são muito famosas. Hoje em dia a qualidade da foto de um celular é quase de uma câmera, é muito próxima já. É um "Big-Brother" mesmo. Outro dia estava conversando com um amigo meu muito famoso da música, e ele falou que estava jantando com dois amigos e uma mesa ao lado estava narrando para um blog a conversa deles. Quer dizer, não sei que mundo é esse em que nós estamos vivendo.

swissinfo, Alexander Thoele

Breves

Endereço da boite Adagio, em Lucerna:

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6002 Luzern

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Segunda a quinta: de 22.00 até 03.00
Sexta e sábado: de 22.00 até 04.00
Domingo: de 21.00 até 03.00

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Fatos

É garantido aos brasileiros, pela Constituição Federal, o direito à privacidade.
O artigo 5.º, inciso X assim destaca: "são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação" (16). Não se pode, portanto, expor as pessoas a constrangimentos ou de alguma maneira interferir, sem o consentimento do indivíduo, em sua vida particular.
Fonte: Direito à privacidade na contemporaneidade: João Luiz Pianovski Vieira
http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=4155

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