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Fabuloso destino de jardineiro suíço a serviço do xá

O xá do Irã e sua 2a. mulher, Soraya, em 1953 Keystone Archive

Novo livro conta a extraordinária aventura de um suíço que durante 17 anos foi confidente e conselheiro do xá do Irã.

Pela primeira vez um estudo científico – a ser publicado nesses dias em Zurique, pela historiadora Daniela Meier, de Berna – analisa o papel desempenhado pela Suíça na história movimentada do Irã, durante o reino do último xá.

Trabalho de detetive

O autor afirma em particular que na crise de petróleo que opunha o País à Grã-Bretanha, de 1951 a 1953 – um dos primeiros litígios Norte-Sul depois da Segunda Guerra Mundial – a Suíça nem sempre teve papel de intermediária neutra.

A obra conta a surpreendente história do suíço Ernest Perron, amigo de infância, confidente e depois secretário particular do xá, verdadeiro Rasputine, segundo certos observadores. Uma pequena sensação.

É a primeira vez que essa história vem a público. E teria provavelmente ficado inédita sem a curiosidade de Daniela Meier que realizou verdadeiro trabalho de detetive para apurar os fatos.

Amigo de juventude

Tudo começou em setembro de 1931, quando o príncipe herdeiro, Mohammed Reza Pahlevi matriculou-se no célebre colégio particular “Le Rosey”, perto de Lausanne, sudoeste suíço. Rapidamente ele fez amizade com um certo Ernest Perron, que como filho do zelador do colégio, é utilizado por seu pai em diversos trabalhos, em particular o de jardinagem.

Nascido em 1908, Perron é nitidamente mais velho que Reza Pahlevi e se impõe ao jovem príncipe, em particular pelos seus conhecimentos da língua e literatura francesas.


Instalação na corte


Em 1936, Mohammed Reza volta a Teerã e convida seu amigo. Esnest instala-se na Corte, onde será sucessivamente preceptor do príncipe e jardineiro-chefe. Como o suíço é homossexual e um pouco excêntrico, o pai do futuro xá não gosta dele, mas acaba o suportando.

Por seu lado, Ernest Perron, se relaciona bem. Como se sabe que ele é confidente do príncipe, é muito procurado e em particular os embaixadores suíços utilizarão seus serviços, contentes em poder contar com alguém com livre trânsito no Palácio.

Em 1941, Reza Pahlevi sobe ao trono e dois anos mais tarde é nomeado “secretário particular de Sua Majestade Imperial”. Nessa condição desempenha papel não negligenciável quando de nomeações pelo xá de altos dignitários do Estado.

Fim trágico

Mas tudo desmorona subitamente em dezembro de 1953 quando o xá solicita Ernest Perron encontrar sigilosamente um emissário britânico. Após a nacionalização da Companhia Anglo-Iraniana de Petróleo, as relações entre Londres e Teerã são rompidas. E o xá gostaria, sem passar pelo Governo, concluir acordo amistoso com a Grã-Bretanha.

O encontro entre Perron e o emissário britânico aconteceu, mas fracassou. Pior ainda, o xá ficou desmoralizado, porque o emissário britânico avisou o Governo. E como o primeiro-ministro iraniano, furioso, se queixou ao xá, o gesto significou o fim para o ex-jardineiro suíço. Até porque, como monarca absoluto, o xá não pode admitir ter cometido um erro.

Toda a responsabilidade é então lançada sobre Ernest Perron que é expulso do Palácio. O ex-confidente refugia-se na casa da irmã do xá e depois de alguns anos regressa à Suíça, onde morre em 1961, em conseqüência de doença. Mas, parece, depois de tentar suicídio.

swissinfo / Michel Walter

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