O fado de Amália Rodrigues

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A imigração de portugueses à Suíça se intensificou entre os anos 1970 e 1980. Ela trouxe não apenas trabalhadores ao país, mas também a própria cultura portuguesa. É como mostrou, em 1975, o jornalista Gabriel Barbosa em uma reportagem sobre uma cantora de fado, transmitido em 1975 nas ondas curtas da redação de língua portuguesa da antiga Rádio Suíça Internacional (RSI).

Este conteúdo foi publicado em 14. agosto 2018 - 12:34

A reportagem começa com o Fado da Adiça em que Amália Rodrigues canta "não é fadista quem quer, só é fadista quem calha". Indagada a esclarecer o que o fado representa para ela, diz nunca ter raciocinado sobre isso: "É como se eu me pusesse pensar porque é que eu respiro"...

Lembra-se de ter começado a cantar com 3 ou 4 anos, mas não pode definir o que para ela é o fado, essa canção fatalista (fado vem de fatum, destino), sendo por isso mesmo muitas vezes atacada pelas pessoas. (Segue-se interpretação de Que Deus me Perdoe). Se os portugueses cantam fado é porque são fatalistas, realça a cantora. Estima, porém, que o fado é o "grito contra esse fatalismo, contra a morte, contra as coisas que acontecem às pessoas independentemente de sua vontade".

Após interpretação de Fado Lisboeta, Amália distingue dois tipos de fado: o de Coimbra, que não passa de uma balada - é "um fado de rua, de serenata, de gente mais intelectual e circunstancial"; e o fado de Lisboa: "É um fado que diz dos portugueses". Segue-se a interpretação de Lá Porque Tens Cinco Pedras.

Amália Rodrigues aborda por fim o início de sua carreira artística, lembrando que na época, mesmo para homens, cantar fado era mal visto. Mas, por insistência das pessoas, e o próprio contentamento de cantar, - "embora nunca pensara em ser artista" - a levou a um empresário.

Toda a sua família era de Beira-Baixa, lembra Amália, levando-a a cantar o fado com características da região: de maneira diferente, nova. Isso tudo, associado a interesses de gente importante, de possibilidade de ganhar dinheiro, etc., convenceu os pais a deixá-la cantar. Seis meses depois do início da carreira, já era uma atração. Tinha 19 anos...


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