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Família volta para Suíça em busca de escolas abertas

A família S. na cerimônia de formatura ''drive-through'' de seu filho em meio à pandemia de coronavírus na Califórnia, EUA. Doris S.

No verão passado, falamos com suíços no exterior que estavam pensando em voltar à Suíça por causa da escolaridade de seus filhos em tempos de pandemia. Uma família realizou este projeto. Nós fomos conecê-la em Winterthur.

Este conteúdo foi publicado em 28. janeiro 2021 - 11:00

Em julho de 2020, o fechamento das escolas na Califórnia levou Doris S. (50) e sua família a fazer as malas e voltar para a Suíça. Alguns meses depois, em outubro de 2020, a redação em inglês do swissinfo.ch visitou Doris e seus filhos Kai (9) e Nicolas (14) em Winterthur para descobrir como tinha sido o retorno deles. A pedido da família, não mencionamos o nome dela neste artigo.

Suíço-alemão na ponta da língua

A mudança dos Estados Unidos para a Suíça foi possível para a família porque Doris não estava presa a um emprego na Califórnia. Entretanto, seu marido Dirck, que trabalha como engenheiro, teve que retornar aos Estados Unidos por razões profissionais após algumas semanas na Suíça. Doris sempre considerou importante para seus dois filhos aprender o dialeto suíço-alemão. Esta é uma vantagem que agora torna mais fácil para eles se acostumarem com seu novo cotidiano. 

Doris S. com seus filhos Nicolas (esquerda) e Kai (direita). SWI swissinfo.ch

Doris, que cresceu em um vilarejo perto de Winterthur, vê algumas mudanças em comparação com a Suíça de sua infância e juventude. "Há mais diversidade aqui agora, o que eu gosto muito", diz. O barulho de fundo da vida cotidiana também é diferente: "Você pode ouvir os sinos da igreja tocando, por exemplo. Eu gosto muito disso". Kai, que como seu irmão só conheceu a Suíça durante as férias, não está acostumado a ouvir esses tipos de barulho.

O desafio da separação

Na Califórnia, a família tinha um rouxinol no jardim, que muitas vezes os acordava no meio da noite. O canto dos pássaros conecta Kai a seu pai: "Papai e eu costumávamos tentar imitar o canto dos pássaros o melhor que podíamos, para falar a língua deles". Ficar longe do pai é difícil. "Falar um com o outro através de uma tela nem sempre é fácil", diz Kai. "Muitas vezes há interferência ou ecos".

É também por isso que as aulas online nos Estados Unidos foram difíceis para os dois meninos.  Na escola de Nicolas, que deveria ter entrado no ensino médio no final do verão, as aulas teriam sido realizadas exclusivamente por ensino à distância. A escola de Kai tinha reaberto após o primeiro fechamento, mas muitos colegas de classe não voltaram por medo de serem infectados. "Aqui na Suíça, eu não tenho medo de mandar meus filhos à escola", observa a mãe deles.

Em Winterthur, Doris pôde ficar com o apartamento de seu pai e se mudar com seus dois filhos. Há muitas fotos de Appenzell, o cantão de origem de sua família. Os quartos também contêm muitas lembranças: "Os móveis são quase todos da casa de meus pais, tudo ainda está lá". Vinte anos após a morte de sua mãe, Doris é mais uma vez confrontada com seu passado. "Nós expatriados vivemos tão longe que quando perdemos alguém, precisamos de mais tempo para chorar", diz ela.

Paisagem do cantão de Appenzell, no apartamento da família em Winterthur. SWI swissinfo.ch

Kai gosta de sua nova escola: "Há mais crianças na classe. Na Califórnia, éramos dez. Aqui somos 21, o que faz uma grande diferença. Mas aqui temos mais que fazer". Nicholas menciona outra diferença: "O trabalho com têxteis não existia na Califórnia. Aqui, nós aprendemos a fezer nossa própria roupa. É muito legal".

Uma estadia prolongada

Doris está ciente de que a situação epidemiológica pode mudar rapidamente. "É um pouco como uma montanha-russa aqui e nos Estados Unidos", diz. "No início, planejamos ficar até dezembro, com a esperança de que as escolas da Califórnia pudessem reabrir em janeiro. Mas a mudança foi tão grande para as crianças que não quero fazê-las passar por isso novamente agora". Portanto, a família planeja permanecer até julho de 2021, um ano letivo inteiro.

Adaptação: Fernando Hirschy

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