Navigation

Venda da Swiss é retratada como fatalidade

Na falta de comentários entusiastas, os chargistas deram o tom nos jornais desta quarta-feira. swissinfo.ch

Os jornais comentam sem entusiasmo a venda da companhia suíça Swiss para a alemã Lufthansa.

Este conteúdo foi publicado em 23. março 2005 - 08:57

Para a imprensa, não havia outra alternativa para a Swiss, uma empresa cheia de dificuldades. Mas os comentaristas também criticam os erros do passado.

Depois da falência da Swissair e dos 3 bilhões de francos investidos na sucessora Swiss, o jornal Le Matin, Lausanne, encontrou uma só frase para a partida da companhia suíça para Francfurt, sede da Lufthansa: "Já vai tarde". Doravante Suíça mais Swiss é igual a dois, escreve o jornal.

Outros jornais em francês são mais moderados. O Le Temps, de Genebra, julga que, do ponto de vista financeiro, a compra da companhia nacional pela Lufthansa é eqüitativa. Para o jornal, caberá à empresa alemã assumir os riscos industriais de Swiss.

Como a maioria da imprensa, o jornal de Genebra fala das numerosas incertezas ligadas a essa aquisição. As principais são o futuro do aeroporto de Zurique (Unique Airport) e o desenvolvimento da companhia dentro da Star Aliance. No final, as regras do mercado é que vão decidir, conclui o Le Temps.

Reestruturação

Para o aeroporto de Zurique, o futuro não parece tão brilhante frente ao de Francfurt e o de Munique, advertem o Impartial, de La-Chaux-deFonds e o L'Express de Neuchâtel. Essa aquisição para uma operação de "salvamento de última hora", afirma o Novelliste, de Sion.

"O que Swiss não ousou ou não tive tempo de fazer para sair de sua lenta agonia, Lufthansa vai fazer sem qualquer sentimento", afirma o jornal de Sion. As leis do mercado vão impor uma reestruturação que terá conseqüências, cedo ou tarde, para os aeroportos de Zurique e Genebra", prevê o Novelliste.

O Quotidien jurassien questiona a classe política. "A venda de Swiss é um fracasso para a Suíça. Apesar dos recursos financeiros investidos, a Suíça não esteve à altura de vencer esse desafio", afirma o jornal. Lembremos que o governo federal detém 20% da Swiss, tendo investido quase 3 bilhões de francos em sua criação.

O "Quotidien jurassien" opina que o "fracasso de Swiss deve provocar reflexões. Ele interpela o país e sua capacidade de conseguir aliados num mundo cada vez mais interdependente."

O 24Heures , de Lausanne, vai mais além e faz um paralelo entre o destino da companhia aérea e o isolamento («l'Alleingang», em alemão) da Suíça na Europa e no mundo. «A cruz branca vai ficar nas asas dos aviões mas as decisões serão tomadas alhures", afirma o redator-chefe. Assim será, se persistirmos em nosso isolamento formal, com nossa soberania nacional", conclui o "24 Horas".

«Única solução razoável»

Na parte alemã da Suíça, a imprensa mostra-se aliviada com a venda da companhia aérea, embora com reservas. É o caso da Berner Zeitung, da capital. «Os que pensam com a razão e não com a barriga poderão conviver com essa solução porque a companhia alemã abre novas perspectivas para Swiss".

Em Zurique, o Tages Anzeiger escreve que a "venda para a Lufthansa era a única solução razoável". O jornal diz que o povo - que rejeitou o Espaço Econômico Europeu, em 1992 - também tem sua parte de responsabilidade na deterioração das condições da aviação civil.

Ainda em Zurique, capital econômica do país, a Neue Zürcher Zeitung afirma que a justiça poderá pedir a prestação de contas sobre os erros cometidos. O jornal critica principalmente a falta de garantias políticas acerca do aeroporto de Zurique.

"Poderíamos ter medido o sucesso ou o fracasso do governo (Conselho Federal) com as melhorias concretas no aeroporto de Zurique muito mais do no preço de venda da Swiss", conclui o jornal.

Promessas, promessas

Mais incisivo sobre a questão da venda da companhia suíça, o Blick
lembra que durante três anos, o governo excluiu essa possibilidade. "Até onde os políticos e os empresários têm o direito de fazer promessas em total impunidade?" questiona o jornal popular, também de Zurique.

O Thurgauer Zeitung e o Bund de Berna destacam que nada garante o sucesso da Swiss dentro da companhia alemã. A esperança não pode esconder as incertezas quanto ao futuro da marca Swiss nem sobre seu papel dentro da galáxia Lufthansa.

swissinfo

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Em conformidade com os padrões da JTI

Em conformidade com os padrões da JTI

Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch

Os comentários do artigo foram desativados. Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!

Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch

Partilhar este artigo

Modificar sua senha

Você quer realmente deletar seu perfil?