Baselworld termina com balanço positivo
Depois de oito dias, a Baselworld, maior e mais prestigiada feira de relógios e joias do mundo, terminou ontem em Basileia e surpreendeu muitos dos expositores.
Mesmo sob os efeitos da crise econômica, que agora atinge alguns mercados europeus importantes do setor, bons negócios foram fechados e novos mercados conquistados.
De acordo com os organizadores, a feira recebeu 100.700 visitantes – 7% mais do que o ano passado- de 100 países. Para Karl-Friedrich Scheufele, co-presidente da Chopard, foi gratificante. “Em comparação com o ano passado, a feira foi bem melhor. Recebemos mais clientes, especialmente dos Estados Unidos, e recebemos mais pedidos”, disse.
Dentre os visitantes, alguns convidados ilustres, como o tenor Jose Carreras e o ator Leonardo DiCaprio, entre outros. Mas os anônimos também movimentam a cidade, que fica com os hotéis e bares lotados.
Na frente do centro de exposições, a Messeplatz, profissionais orientavam os turistas a comprar bilhetes para o bonde e até trocavam moedas para facilitar o fluxo de passageiros. Vez ou outra acontecia algo lamentável para a população local: o bonde atrasava um ou dois minutos por causa da quantidade de gente que deveria embarcar.
A presença de celebridades do mundo artístico, das passarelas e do design conferem à mostra a notoriedade internacional, firmada também pelo lançamento de tendências de moda no setor. Marcas como Chopard, Chanel, entre outras inovam em designs e materiais todos os anos. Expor na Baselworld, com ou sem crise, sempre vale a pena.
O presidente da Maurice Lacroix, Martin Bachmann, disse que a feira não o desapontou, muito pelo contrário. „ Alguns mercados superaram nossas expectativas como a Ásia, particularmente a China, Alemanha e Suíça“, disse ao jornal Daily News, informativo do evento. Este ano a mostra contou com 1915 expositores de 45 países, mas a maioria deles é da Europa. Muitos deles sentiram uma queda no número de visitantes, mas não nos negócios.
Negócios brasileiros
A participação de empresas brasileiras diminuiu. No ano passado, seis joalherias expuseram na Baselworld. Este ano, apenas três compareceram à feira: as marcas Brumani, Carla Amorim e Vianna.
“Foi a nossa melhor feira em Basileia”, disse Eduardo Brüner, da Brumani. Há cinco anos participam da mostra, mas este ano conseguiram não só expandir os negócios em países que já tinham clientes, como também conquistar novos mercados. “Agora temos nossas peças na Espanha, Caribe, Ucrânia, Porto Rico, países árabes e Rússia”, conta.
A marca exibe peças que variam de 1.500 a 8 mil dólares. “Acho que temos um preço competitivo em relação ao produto europeu com um design criativo e isso ajuda muito“, diz. As peças brasileiras estão em dez pontos de vendas da rede americana Saks, e o empresário acredita na recuperação daquele mercado. “Este ano já começaram a voltar a comprar, embora de maneira tímida, mas melhor do que no ano passado”, explica. “Em 2009 a presença deles era realmente inexpressiva”.
Brincos e ouro-rosa
A joalheria Carla Amorim sai da feira com cinco contas novas – e mercados interessantes a conquistar. Eles fecharam negócios com Líbano, Mongólia, Ilha Canárias, Jamaica e Portugal. „Para nós foi melhor do que no ano passado: ampliamos nossos clientes, mas mantivemos os antigos mercados como Estados Unidos, Rússia e Inglaterra“, disse Kelly Amorim. As peças da marca variam de mil a 20 mil dólares, e o interesse dos compradores é maior por brincos do que por colares e pulseiras. “Acho que os países com clima mais frio compram mais brincos”, diz. No que se refere a estilo, seguem a tendência internacional: a preferência pelo ouro rosa – composto por ouro, prata e cobre.
“Achei que a feira estava mais vazia este ano, mas não me arrependo e fizemos bons negócios”, disse Ricardo Vianna, da joalheria Vianna. Para ele, as empresas brasileiras podem crescer em vários mercados. “Podemos crescer e não por causa da diminuição da participação de outros países no mercado, mas pelo conceito da joia brasileira: que tem qualidade, design e preço”, explicou. As peças variam de 500 a 1500 dólares, e a nova coleção, a topázio imperial, agradou muito os compradores. A pedra, que só é encontrada em Ouro Preto, Minas Gerais, tem coloração que varia do amarelo ao vermelho.
Qualidade europeia em Hong Kong
Não são poucas as empresas que miram na Ásia. Afinal, as cifras são tentadoras e é preciso ir em busca de novos mercados – até que os Estados Unidos e Europa voltem a ter o fôlego de antes. A feira de joias de Hong Kong, que terminou na segunda-feira (22 de março), reuniu mais de 32 mil compradores de 123 países – 9% mais do que no ano passado. De acordo com os organizadores da feira asiática, há um aumento na participação de compradores de mercados emergentes, como leste europeu e Índia.
Entrar no mercado de Hong Kong é a meta traçada para a joalheria francesa Garel. “Vamos tornar a marca famosa internacionalmente e nosso principal foco agora é o mercado de Hong Kong”, avisa Christian Faivre, diretor geral da Elsa Diffusion, empresa que acabou de comprar a Garel. A marca chamou a atenção no ano passado por ter como símbolo a coleção Ipitonga, com sandálias flip-flops em ouro, diamantes e outras pedras. De acordo com Faivre, as peças continuarão a ser produzidas em Lyon, na França. “Queremos conquistar mercados emergentes, mas com a qualidade da joalheria francesa”, garante.
Ao que parece, pode-se conquistar outros mercados, mas para mostrar design e qualidade no mercado internacional é preciso expor peças onde as tendências de moda são lançadas pelas grandes marcas todos os anos: em Basiléia, na Baselworld.
Lourdes Sola, swissinfo.ch, Basileia
A 38° edição da Baselworld organizada em 2010 foi considerada bastante positiva para a maioria dos expositores.
O evento teve 100.700 visitantes, o que correspondeu a um acréscimo de 7% em relação ao ano passado.
Ocupando uma área de 160 mil metros quadrados, 1915 expositores originários de 45 países apresentaram seus produtos. A Suíça correspondeu ao maior grupo, com 465 expositores. Ela foi seguida por Hong Kong e Alemanha.
64% dos expositores eram originados da Europa e 27% da Ásia.
Dos 1915 expositores, 592 exibem relógios. Os estandes ocupam 61,7% da mostra, numa área de 98.600 m2 – o metro quadrado custa 380 francos.
A Baselworld prepara um novo centro de exposições para 2013 e já dispõe de 430 milhões de francos suíços. As primeiras obras começam no próximo verão.
Durante a feira, todas as noites o Village, um centro de lazer criado para o evento, apresentou música brasileira ao vivo, com apresentação da cantora Betina.
A marca de relógios Franck Muller, de Genebra, montou uma exposição à parte em Basileia. As peças ficaram à mostra na Villa Wekenhof, em Rihen, construída no Renascentismo e restaurado em 1714.
Um grupo de empresas francesas organizou uma exposição no anexo da feira, Palace 2. Mostraram aos clientes as técnicas e a qualidade da joalheria.
www.joailleriedefrance.fr
O Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos apresenta os números do mercado brasileiro em relação ao exterior. www.ibgm.com.br
A próxima edição da Baselworld será de 25 a 31 de março de 2011.
www.baselworld.com
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