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Centenário Com a Liga das Nações, a imprensa internacional descobriu Genebra

A Liga das Nações tinha 42 Estados membros na sua primeira reunião em janeiro de 1920, representando 74% da população mundial (1,860 bilhões de habitantes)

(United Nations Archives at Geneva)

Em junho de 1919, o Tratado de Versalhes lançou as bases da Liga das Nações, e Genebra foi escolhida como a sede desta que foi a primeira organização internacional para a manutenção da paz. Concluída sua instalação em Genebra, cerca de 1.500 jornalistas começaram a cobrir a organização para todo o mundo.

Enquanto o mundo buscava uma nova ordem internacional ao final da Primeira Guerra Mundial, durante a Conferência de Paz que começou em Paris em 18 de janeiro de 1919, o presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), o genebrino Gustave AdorLink externo, promoveu a candidatura de Genebra para sediar a primeira organização internacional de manutenção da paz, a Liga das Nações (LN). Esta proposta e a sua subsequente aceitação pelos vencedores da Grande Guerra aumentaram consideravelmente o renome mundial de Genebra.

Gustave Ador (1845-1928) promoveu Genebra como centro internacional para a paz

(United Nations Archives at Geneva)

Os jornalistas que convergiram para as margens do Lago de Genebra relataram sobre o início das relações internacionais do século XX, sobre estabelecimento do multilateralismo e sobre a história das organizações internacionais. Publicados na imprensa internacional, artigos como estes também se tornaram frequente na Suíça.

Segundo Davide RodognoLink externo, professor de História Internacional do Instituto de Pós-Graduação em Estudos Internacionais e de Desenvolvimento (IHEIDLink externo), "estes jornalistas desempenharam um papel fundamental no início da Liga das Nações porque lhe deram a legitimidade e a autoridade das quais a jovem organização desesperadamente precisava. Acredito também que o Departamento de Relações Públicas da LN foi uma invenção-chave para a organização, porque a informação foi canalizada, gerida e divulgada, inclusive entre os círculos de jornalistas mais críticos. Idem para a Suíça. A Suíça de repente surgiu no mapa”.

Enquanto a LN preconizada por Woodrow Wilson estava sendo concretizada, e repórteres estrangeiros chegavam a Genebra, uma viagem entre Japão e Genebra, por exemplo, levava cerca de um mês. Mas um jornalista japonês, Seigo Watanabe, se deslocou imediatamente para o local planejado para a LN. O Sr. Watanabe escreveu no Asahi Shimbun de 6 de agosto de 1919 que embora a sede da LN seja "um enorme edifício em estilo gótico", ele estava "surpreso por ele ser demasiado pequeno para ser uma sede [de organização mundial]".

O artigo intitulado "A Sede da Liga das Nações", publicado em 6 de agosto de 1919 no jornal japonês Asahi Shimbun. Genebra era chamada "Zeneba" em japonês

(swissinfo.ch)

Os jornalistas sediados em Genebra concentraram sua cobertura em temas de política internacional, da política de paz, de justiça social e nos esforços internacionais para a proteção dos trabalhadores. Estes dois últimos pontos foram tratados pela Organização Internacional do Trabalho (OITLink externo), também instituída pelo Tratado de Versalhes e com sede em Genebra. Com a revolução russa e a sua potencial expansão, os meios de comunicação social da época também se interessaram muito pelo trabalho da OIT.

Jornalistas da Liga das Nações

Desde a criação da LN, políticos, intelectuais, repórteres e turistas interessados em Genebra têm visitado a cidade. Os documentos deste período não foram preservados em sua totalidade, mas os arquivos da LN no Palácio das Nações contêm fotografias e parte da lista de correspondentes estrangeiros. A foto mostra os jornalistas holandeses, dinamarqueses, suíços e suecos que visitaram o secretariado da LN.

 Des journalistes de Hollande, du Danemark, de Suisse, et de Suède visitent le Secrétariat de la Société des Nations.

Jornalistas da Holanda, Dinamarca, Suíça e Suécia visitam o Secretariado da Liga das Nações

(United Nations Archives at Geneva)

A criação da "Associação Internacional de Jornalistas Acreditados junto à Liga das Nações" se deu em janeiro de 1921, um ano após o estabelecimento oficial da LN. De acordo com os arquivos, 1.456 jornalistas de 55 países e distritos estavam entre eles. Os jornalistas também vieram de países não-membros da LN, como os Estados Unidos e a União Soviética, ou de países como a Alemanha, Itália e Japão, que se retiraram da LN durante o período entre guerras.

Alguns também vieram da cidade livre de Danzig ou do Sarre, que estavam sob o regime de protetorado da LN durante o período entre guerras. Em 1933, cerca de 2.000 jornalistas cobriam as reuniões em Genebra e com o reinicio das tensões internacionais no começo da década de 1930, alegações de espionagem por parte de alguns jornalistas foram ocasionalmente veiculadas.

Assembleia Geral dos Jornalistas da Liga das Nações. Uma vez por ano, jornalistas de vários países que moravam em Genebra realizavam uma assembleia geral e participavam de um jantar

(United Nations Archives at Geneva)

Com a adesão da Suíça ao pacto da Liga das Nações no voto popular de 16 de maio de 1920, a mídia internacional passou também a se interessar pelo funcionamento e pelas tendências políticas da Suíça.

Até então, os repórteres estrangeiros raramente cobriam eventos suíços, exceto por reportagens turísticas sobre a natureza e sobre os Alpes. Com o aumento do número de jornalistas estrangeiros que permaneciam na Suíça, eles proporcionaram uma visão mais ampla da Suíça no exterior. Estes artigos já não tratavam apenas da beleza das paisagens, mas também do sistema político suíço, da neutralidade e da cultura do país. Com o aumento do número de jornalistas estrangeiros residentes na Suíça, foi criada em 1928 em Genebra a Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça, organização que continua ativa até hoje.

A agência de notícias Argus Suisse, que tinha sua sede em Genebra em 1919, fornecia informações obtidas na Suíça, país considerado neutro. Eles pesquisavam e traduziam jornais, resenhas, telegramas e telefonemas de todo o mundo, e prestaram seus serviços à LN e a outras partes interessadas. Centenas de pessoas estiveram envolvidas neste trabalho de tradução multilíngue. Desta forma, eles aumentaram o volume de informação e alargaram seu âmbito da distribuição, estabelecendo assim uma rede internacional de comunicações. Eles tornaram possível adquirir informações em países estrangeiros ao utilizar tecnologias modernas para a distribuição de notícias. A Suíça teve influência limitada na política internacional, mas as informações internacionais de interesse mundial eram redigidas ali, e os estrangeiros começaram a ouvir atentamente as informações transmitidas a partir da Suíça.

A Liga das Nações influenciou não apenas a política suíça, mas também a sociedade e a cultura genebrinas. Com o aumento do número de residentes estrangeiros, o intercâmbio entre comunidades estrangeiras tornou-se mais intenso. Concertos de música eram organizados por delegações de estados membros da LN. A Gazeta de Lausanne evoca as apresentações feitas em 1930 em Genebra e Lausanne pela trupe do Teatro Japonês, a estreia do teatro Nō na Suíça.

Em 1939, a Liga das Nações caiu em desuso com a eclosão da Segunda Guerra Mundial. A sede das Nações Unidas, estabelecida em 1945, foi localizada em Nova Iorque. Mas Genebra ainda abriga a sede europeia das Nações Unidas e 37 organizações internacionais. 178 estados estão representados. 32.000 diplomatas, 9.500 funcionários da ONU e cerca de 3.000 funcionários de ONGs estão baseados em Genebra. Ali são realizadas 3.400 reuniões todos os anos. Segundo o Clube Suíço da Imprensa (Club Suisse de la Presse, CSP), cerca de 500 jornalistas ainda estão ativos na cobertura internacional de Genebra.

 Personnel de la Division de l'information de la Société des Nations. Il était composé de différentes nationalités.

Pessoal da Divisão de Informação da Liga das Nações

(United Nations Archives at Geneva)


Adaptação: DvSperling

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