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Aplicativo SwissCovid – sucesso ou fiasco?

Ainda é preciso muita publicidade para que o aplicativo Covid seja aceito pela população. Keystone / Anthony Anex

Era para ser um "modelo exemplar" no mundo dos aplicativos de rastreamento: SwissCovid. Só que ele não decolou como planejado. O aplicativo está disponível para download desde o final de junho mas apenas 1.200.000 usuários o ativaram após um mês. A cientista política e jornalista da revista eletrônica Republik.ch, Adrienne Fichter, especialista em tecnologia e democracia, analisou o aplicativo e partilha conosco suas observações.

Este conteúdo foi publicado em 06. agosto 2020 - 11:00
Adrienne Fichter estudou o aplicativo de rastreamento em profundidade. zvg

SWI swissinfo.ch: O aplicativo SwissCovid é um "flop"?

Adrienne Fichter: Não. Nós temos um aplicativo disponível para download que funciona. Se é um flop ou não, só poderemos julgar em dois ou três anos.

Muitas pessoas não fazem o download do aplicativo por uma questão de princípio. Em pesquisas, as pessoas indicam que não querem ser monitoradas. Mas, ao contrário do Facebook ou do WhatsApp, o aplicativo SwissCovid dificilmente pode acessar os dados pessoais. Como você explica o comportamento dos suíços?

Este é um dos maiores mistérios. Talvez porque a saúde seja uma questão sensível. Eu não sei que direção está a tomar esta aversão: contra o Estado ou contra o Google e a Apple? O próprio Estado não terá nenhum acesso a esses dados.

Eu acho que a Confederação deveria comunicar de forma mais agressiva que cada aplicativo que usamos coleta muito mais dados. O modelo de aplicativo suíço é o que menos dados armazena de todos.

Além disso, o rastreamento de contatos, que ocorre offline, é uma invasão de privacidade muito maior do que o upload de identidades criptografadas e com pseudônimos para um servidor.

Há algo que realmente se justifique temer ao se fazer o download do aplicativo?

Não do meu ponto de vista. Eu não entendo o argumento da vigilância. O que eu entendo é quando as pessoas pensam que o aplicativo é inútil porque é impreciso. Sabe-se, por exemplo, que o Bluetooth por vezes registra contatos como ocorrências epidemiológicas, apesar de não ter havido nenhum contato próximo. Pesquisas mostraram que poderia haver uma enchente de mensagens, mesmo que não houvesse perigo algum.

"A Suíça definiu as regras de como funciona um aplicativo Covid."

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As pessoas que costumam atravessar as fronteiras reclamam que não podem ativar duas aplicações Covid ao mesmo tempo. Qual é o problema?

A regra básica é que você só pode executar um aplicativo de rastreamento por vez. As aplicações europeias, excepto na França, já podem se comunicar entre si através do servidor gateway no Luxemburgo. Apenas a Suíça está excluída, devido à ausência de um acordo-quadro. Espero que a Suíça encontre uma solução com a União Europeia.

O que há de melhor no aplicativo suíço do que nos outros?

Com o protocolo DP-3T, a Suíça lançou as bases para a forma como o aplicativo deve funcionar. Com seu sistema descentralizado, é um padrão muito favorável ao cidadão e econômico com dados. Mas este padrão só pode funcionar para registrar encontros. A Suíça estabeleceu as regras para o funcionamento de um aplicativo Covid. A maioria dos países acabou por mudar para este modelo.

Agora foi organizado um referendo contra a aplicação de rastreio. O que você acha disso?

Se todos os aplicativos de saúde fossem baseados no modelo centralizado, eu entenderia um referendo. O Departamento Federal de Saúde Pública saberia então de onde recebi a minha infecção e de quem, e os dados seriam armazenados. Mas isso não é possível com o sistema atual.

Por isso, não dou muita importância ao referendo. Especialmente desde que o Google e a Apple também já dissiparam as últimas reservas e tornaram pública a sua interface.

20 por cento da população não pode baixar o aplicativo porque seu aparelho é muito antigo. Porque é que isso não foi levado em conta?

Foi-me dito pelo Google e pela Apple que a penetração dos aparelhos modernos é muito elevada na Suíça. Mas aparentemente este não é o caso.

A solução seria provavelmente mudar para pulseiras se o dispositivo móvel não for suficientemente moderno. A questão aqui é, então, quem pagará por isso.

Adrienne FichterLink externo é cientista política, jornalista e autora.

Em breve suas matérias na Republik serão reunidas em um livro, "Das Netz ist politisch Teil I" (A Rede é Política, Parte I).

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