Pesquisadores suíços tentam desenvolver vacina contra o coronavírus

Uma imagem do coronavírus (Covid-19) tirada com um microscópio eletrônico. Keystone / Niaid- Rml/national Institutes O

A corrida para o desenvolvimento de vacinas contra o coronavírus (Covid-19) já começou. Dela participam também pesquisadores suíços: Jacques Dubochet, prêmio Nobel de Química em 2017, com seu sistema revolucionários de microscopia crioeletrônica, e uma equipe da Universidade de Berna, que conseguiu clonar "digitalmente" o vírus. 

Este conteúdo foi publicado em 06. março 2020 - 11:00
Marc-André Miserez, com informações da RTS e SRF

Em apenas um mês, pesquisadores da Universidade do Texas identificaram uma proteína-chave no vírus que se tornou um pesadelo mundial. Segundo a revista Science, os resultados devem-se, em grande parte, ao trabalho de Jacques Dubochet.

É a primeira vez que a microscopia crioeletrônica, uma técnica desenvolvida pelo suíço com seus colegas Joachim Frank e Richard Henderson, trouxe resultados tão espetaculares.

Técnica revolucionária

Como funciona? Ao contrário dos microscópios óticos convencionais, o microscópio eletrônico não examina as amostras através de um feixe de luz, mas as bombardeia com um feixe de elétrons, o que permite ampliar ainda mais a imagem e torná-la precisa.

A técnica permitiu resolver um antigo problema da ciência: as amostras de matéria orgânica só podiam até então ser observadas enquanto estavam desidratadas, coloridas ou expostas aos raios X. No entanto, essas técnicas alteram a amostra e o que se observa não é mais o estado natural.

A chamada "criomicroscopia" congela a amostra de uma forma especial: evitando que a água forme cristais de gelo que quebraria a matéria orgânica. Para isso o pesquisador utiliza etano líquido, para levar a amostra muito rapidamente a uma temperatura de 160 graus centígrados negativos, de modo a congelá-la em um gelo amorfo, ou seja, não cristalino.

Proteína colada ao vírus

Essa técnica permitiu aos pesquisadores da Universidade do Texas de criar uma imagem tridimensional de uma proteína ligada à superfície do coronavírus. Essa proteína-chave é o que permite que o vírus entre nas células pulmonares e as infecte.

Conhecer a forma dessa proteína é, portanto, crucial para determinar uma forma de combate ao vírus e encontrar a vacina, declarou Jason McLellan, professor de biociências moleculares e principal autor do estudo,
ao canal da televisão suíça RTS. "Se conseguirmos encontrar uma substância que desativa essa proteína, o vírus não poderá mais se espalhar."

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Vírus digital em Berna

Outro avanço espetacular na tentativa de desenvolver uma vacina também ocorreu na Suíça: uma equipe do Instituto de Virologia e Imunologia da Universidade de Berna conseguiu criar um clone digital do vírus.

Esses pesquisadores trabalham em um laboratório de alta segurança, com nível de biossegurança 3. Esse espaço tem duas portas da entrada, onde os pesquisadores trocam suas roupas por outras especiais, feitas de um tecido que permite a saída do calor do corpo, mas é impermeável de fora para dentro. Nenhuma parte do corpo fica exposta. No laboratório os pesquisadores trabalham com amostras reais do vírus Covid-19. 

Há pouco o coordenador Volker Thiel e seus colaboradores conseguiram produzir uma versão digitalizada do vírus, naturalmente inofensiva, mas muito instrutiva. "Ela nos permite fazer alterações direcionadas, como a remoção de um gene, para verificar se o vírus passa a ter problemas para se multiplicar. Assim é possível saber a importância de um gene para sua difusão", explicou o virologista ao canal SRF.

Esse clone já está desperta grande interesse nos círculos científicos em todo o mundo. "O clone será muito útil. De fato, ainda não sabemos muito sobre o coronavírus. Quanto mais conhecermos ele, mais fácil será desenvolver uma vacina ou outros medicamentos", disse Christian Griot, diretor do Instituto de Virologia e Imunologia da Universidade de Berna.

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