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Apple Watch Relojoaria suíça perdeu a virada dos relógios conectados

Recusando lançar-se no mercado do relógio conectado, os relojoeiros suíços repetem o mesmo erro dos anos 1970, quando negligenciaram a concorrências dos relógios a quartzo japoneses. É o que pensa Elmar Mock, coinventor dos relógios Swatch, quando recentemente foi lançado o Apple Watch. 



Muito aguardado, o Apple Watch nâo preocupa os relojoeiros suíços.  Com razão?

Muito aguardado, o Apple Watch nâo preocupa os relojoeiros suíços.  Com razão?

(AFP)

No final dos anos 1970, sob a direção de Ernst Thomke, Jacques Müller e Elmar Mock criaram o Swatch, um relógio barato que permitiu relançar a relojoaria suíça, em crise devido a produção japonesa. Hoje, o diretor da CreaholicLink externo, uma empresa de engenharia e consultoria técnica, Elmar Mock tem uma visão crítica da não participação dos relojoeiros suíços no mercado nascente do relógio conectado.

O relógio conectado da Apple

Apresentado recentemente, o primeiro relógio conectado da Apple estará disponível no começo de 2015, ao preço básico de 349 dólares, com dois tamanhos de tela táctil e uma série de pulseiras que poderão ser trocadas. Ela será equipada de captores permitindo controlar a pulsação e os movimentos, o que poderá avaliar a forma física do usuário. O iphone será indispensável para fazer funcional o Apple Watch.

É o próximo capítulo da história da Apple” afirmou o diretor geral do grupo, Tim Cook, ao apresentar o aparelho em evento muito aguardado, na Califórnia. Cook devia provar que a marca não tinha perdido sua capacidade a inovar, como no tempo de seu predecessor Steve Jobs, falecido em 2011.

Fonte: ATS, agência suíça de notícias

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swissinfo.ch: Muitos predizem que o Apple Watch tem o mesmo potencial revolucionário que tiveram o Mac, o Ifone ou o Ipad. O senhor compartilha esse entusiasmo?

Elmar Mock: O evento não é o lançamento desse smartwatch em si, mas o fato que a Apple, um gigante da comunicação, se lança nesse mercado. Faz muito sentido tentar colocar um aparelho conectado no pulso, uma zona estratégica e emocional que utilizávamos até agora para usar um relógio. Para mim, esse mercado tem um potencial colossal.  

O grande desafio reside no ambiente numérico desses relógios. Google, Samsung ou Apple terão cada um seu modelo. A experiência do consumidor será primordial. Ainda há muito a aprender, mas é somente fazendo que a gente aprende.

Tenho a convicção de que esses grandes grupos tecnológicos ganharão esse páreo.

swissinfo.ch: Mas os consumidores estão prontos a adotar esse tipo de objeto que muitos consideram supérfluo ?

E.M.: O Apple Watch já é claramente mais atraente do que os outros relógios conectados presentes no mercado. Pessoalmente, eu o usaria. Não podemos esquecer que os smartphones da primeira geração não substituíram imediatamente os antigos celulares. Quando surgiram os Ifones, Blackberry afirmava que a Apple não teria qualquer chance de convencer os consumidores que seriam privados de teclado e Nokia dizia que as telas grandes não seriam aceitas pelos clientes. 

Elmar Mock, um dos fundadores do famoso relógio Swatch. 

(rts.ch)

swissinfo.ch: A relojoaria suíça deve temer a invasão desses relógios conectados, como sugeriu o designer da Apple John Ive?

E.M.: A Suíça já perdeu a guerra do pulso. De 200 relógios fabricados no mundo, só um é fabricado na Suíça. Em contrapartida, o lucro que temos desse relógio é superior aos lucros dos outros 199 relógios.  Portanto, ganhamos a guerra do dinheiro. A relojoaria suíça conseguiu transformar latão em ouro, criando uma joia mecânica simbolizando o trabalho e a engenhosidade do homem. Foi feito um belo trabalho de design, de marketing e de comunicação. A kalachnikov não eliminou as espadas dos samurais, como o relógio conectado não vai matar o relógio mecânico.

Em contrapartida, a Suíça perdeu uma oportunidade magnífica. É chocante constatar que os barões da relojoaria suíça acham esse mercado desinteressante. Tomando o número realista de 100 milhões de smartwatches vendidos por ano, esse mercado pode pesar 30 bilhões de dólares, ou seja, mais do toda a relojoaria suíça.

swissinfo.ch: Nick Hayek, o patrão do Grupo Swatch, demonstra então uma grande desenvoltura frente aos smartwatches?

E.M: É evidente que sim. Não cabe a marcas como Breguet, Rolex, Cartier ou Patek Philippe de  lutar nesse terreno, mas é sim o papel do Grupo Swatch. Os patrões da relojoaria suíça se esqueceram da história. Em 1970, eles achavam o relógio a quartzo era um supérfluo eletrônico sem futuro e que a verdadeira relojoaria só podia ser mecânica. O resultado é que a relojoaria suíça quase desapareceu.

Quando do lançamento do Swatch, ganhamos uma batalha criando um relógio a quartzo. Mas em seguida perdemos a guerra da industrialização, da conquista de mercados. Obcecado pelos lucros a curto prazo, o Grupo Swatch deu um giro de 90 graus para a relojoaria de luxo e preferiu investir em pontos de venda no mundo inteiro  e não em ideias.

swissinfo.ch: A falta de diversidade da relojoaria suíça é um perigo?

E.M.: É evidentemente um risco. A relojoaria suíça parece cada vez mais uma reserva de índios. Ela escolheu deliberadamente não participar das mutações atuais. Não por falta de ideias, de criatividade ou de inovação, mas por escolha estratégica. Infelizmente, falta na Suíça um Steve Jobs, um verdadeiro patrão capaz de se projetar no futuro. Isso não quer dizer obrigatoriamente que estamos errados, mas os fatos já estão decididos no mercado do relógio conectado.


Adaptação: Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch

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