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Bodes expiatórios Líder de direita ataca aposentados no exterior

Uma proposta de redução das pensões de velhice para os beneficiários que vivem fora da Suíça causou um alvoroço público. O debate sobre a reforma da aposentadoria promete gerar bastante polêmica.

Petra Gössi

Para a líder do Partido Liberal Radical, Petra Gössi, os aposentados que vivem no exterior não geram valor agregado, pois não pagam impostos e não são consumidores na Suíça.

(Keystone)

O sistema de aposentadoria da Suíça está sob pressão: o número de beneficiários continua crescendo, mas há menos contribuintes, causando o risco de um grave déficit.

A proposta de reduzir as pensões das pessoas que vivem no exterior vem de Petra Gössi, líder do Partido Liberal Radical, um dos principais partidos políticos da Suíça.

A decisão não só afetaria os 360 mil trabalhadores da Itália, Espanha e Portugal que passaram boa parte de suas vidas ativas na Suíça, geralmente em empregos mal remunerados, e voltaram para seus países de origem para passar a aposentadoria, mas também a comunidade suíça no exterior.

"Os aposentados que vivem no exterior não criam valor. Eles não pagam impostos nem gastam dinheiro na Suíça", declarou Petra Gössi.

"Nós lhes demos uma mão dourada e as próximas gerações é que terão que pagar a conta", acrescentou.

Os comentários fazem campanha para uma votação nacional em 24 de setembro sobre a polêmica reforma do sistema de previdência do país.

Gössi e a maioria de seu partido se manifestaram contra a emenda constitucional aprovada pelo parlamento com uma margem estreita em março.

A reforma inclui um pequeno aumento de 70 francos suíços (US$ 72) por mês para os aposentados e aumenta a idade da aposentadoria para as mulheres em um ano, passando para 65 anos, como os homens.

Fazendo a diferença

70 francos podem não parecer muito, mas esse dinheiro faz diferença para muitos pensionistas residentes no exterior. Atualmente, eles recebem entre 450 e 490 francos por mês.

Mas essas aposentadorias pagas fora da Suíça representam apenas 13% das pensões pagas, de acordo com os dados oficiais.

Gráfico
(swissinfo.ch)

As declarações de Gössi desencadearam uma reação irritada.

Vania Alleva, presidente do principal grupo sindical do país, o Unia, qualificou os comentários de Gössi como vergonhosos e totalmente contraditórios.

"Os italianos e os espanhóis que ajudaram a construir a Suíça moderna são as vítimas [mais uma vez]", disse ao tabloide “Blick”.

Um artigo publicado nos jornais “Tages-Anzeiger” e “Der Bund” acusa Gössi de atacar os aposentados que recebem os menores benefícios. “É irônico, pois seu partido sempre se recusou a discutir os salários exorbitantes dos altos executivos”, observou o artigo.

Custo de vida

Não importa como este debate continuará nas próximas semanas, a comunidade suíça do estrangeiro e suas pensões fazem agora parte da questão.

Uma análise mais detalhada das aposentadorias pagas aos cidadãos suíços no exterior mostra que estes representam 4,69% do total dos pensionistas.

Em média, os suíços que vivem no exterior recebem 1151 francos por mês, o que é mais do dobro da pensão média paga por mês pela previdência pública suíça AHV/AVS para beneficiários não suíços residentes no exterior (CHF491).

A maioria das pensões vai para os expatriados suíços na vizinha França e Itália: 25.000 e 9.500 aposentados, respectivamente. Cerca de 2.300 aposentados suíços estão na Tailândia.

Ao ver as economias potenciais, os políticos da direita pediram que as pensões fossem adaptadas ao custo de vida dos países de residência dos aposentados.


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Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch

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