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Horta-Osório fortalece sua liderança no Credit Suisse

António Horta-Osório, ex-presidente do Lloyds Banking Group, juntou-se ao Credit Suisse como presidente em abril. Keystone / Andy Rain

O novo presidente do conselho do Credit Suisse, António Horta-Osório, assumiu mais funções executivas no banco suíço. Fontes internas descrevem a decisão como uma tomada de poder que dilui a autoridade do CEO Thomas Gottstein.

Este conteúdo foi publicado em 06. outubro 2021 - 17:30
Financial Times, Stephen Morris, Owen Walker e Arash Massoudi em Londres, Joshua Franklin em Nova York

Ex-CEO do Lloyds Banking Group, Horta-Osório assumiu em abril o cargo de presidente do conselho do banco suíço, logo após as duas crises envolvendo o escritório familiar Archegos Capital e a empresa de serviços financeiros Greensill Capital.

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Nos seus primeiros 134 dias no comando, o banqueiro luso-britânico – nomeado cavaleiro em junho por seu papel no rejuvenescimento do Lloyds após a crise financeira – estabeleceu sua autoridade no Credit Suisse colocando aliados próximos no conselho e na equipe executiva. Ele também expandiu significativamente o seu próprio cargo e está assumindo um papel ativo na tomada de decisões, à medida que tenta recompor o banco após os escândalos, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.

Entre os executivos do banco, a situação tem provocado discussões acerca do papel de Gottstein como CEO. Ela também tem alimentado rumores cada vez maiores em Zurique de que Horta-Osório planeja assumir o cargo de CEO, algo que outros funcionários de alto escalão do banco negam categoricamente.

“Por enquanto [Horta-Osório] está tentando orientá-lo e treiná-lo”, disse uma pessoa com conhecimento do relacionamento.

“Há uma crença de que Thomas foi jogado no cargo sem experiência ou treinamento e que ele talvez pudesse exercer a função com um mentor. Há o desejo de lhe dar uma chance, mas não há garantias de que isso vai funcionar”.

“Comitê tático de crises”

No cerne das mudanças está a introdução de um “comitê tático de crise”, criado para lidar com as consequências dos escândalos de Archegos e Greensill, mas que agora atua como o “centro nervoso” do banco, de acordo com várias pessoas que conhecem o comitê.

O TCC, como é conhecido internamente, é formado por Horta-Osório, Richard Meddings, presidente dos comitês de auditoria e de risco do conselho, e Christian Gellerstad, presidente do comitê de conduta e controle de crimes financeiros do conselho.

“Os três se reúnem frequentemente com Thomas [Gottstein], David [Mathers, diretor financeiro] e outros executivos”, disse uma pessoa envolvida. “António dá ordens a Thomas nessas reuniões. As decisões são suas”.

O TCC é anterior à chegada da Horta-Osório e foi criado em acordo com o regulador suíço Finma, como parte de uma resposta aos escândalos de Archegos e Greensill.

Desde que Horta-Osório se juntou ao comitê, ele também assumiu a responsabilidade de supervisionar as análises de gestão e estratégia de risco do grupo. Até agosto, o comitê se reunia toda semana, mas agora se reúne quinzenalmente.

Pelo menos dois dos principais investidores do Credit Suisse afirmaram apoiar a tomada de controle de Horta-Osório.

Archegos/Greensill

Um executivo suíço próximo a Horta-Osório disse que seu próximo objetivo é o rejuvenescimento da equipe executiva.

“Um dos problemas do Credit Suisse nos últimos anos foi que as pessoas na diretoria não tinham uma verdadeira competência bancária”, disse ele. “António lidou com a questão de imediato e agora ele está se voltando para os cargos de gerência – eles não têm uma forte experiência no setor bancário”.

Em julho, o Credit Suisse publicou um relatório do escritório de advocacia Paul Weiss sobre a forma como lidou com o colapso da Archegos. Em detalhes excruciantes, o relatório expôs as falhas que levaram a um prejuízo de US$ 5,5 bilhões para o banco, a maior perda em seus 165 anos de história.

O TCC está supervisionando uma investigação semelhante sobre sua relação com a Greensill, a qual levou à liquidação de US$ 10 bilhões de fundos de investimento.

A maior parte do trabalho já foi realizada, com a investigação revelando muitos dos mesmos problemas expostos no relatório sobre a Archegos, os quais incluem uma relação comercial permissiva com os clientes e uma cultura de gestão de risco frouxa.

Espera-se que o banco divulgue as conclusões da investigação nos resultados de seu terceiro trimestre, no dia 4 de novembro, mesmo que a publicação do relatório completo não seja esperada.

O Credit Suisse se recusou a comentar sobre o assunto.

Copyright The Financial Times Limited 2021

Clarice Dominguez

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