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Swiss Re no mercado brasileiro de resseguros

A Swiss Re também está presente no Brasil Keystone

Dois anos após obter licença para atuar no Brasil, a empresa suíça Swiss Re já ocupa lugar de destaque no mercado brasileiro de resseguros.

Este conteúdo foi publicado em 08. maio 2010 - 13:00

Depois de demarcar seu espaço em um setor que, no Brasil, permaneceu sob monopólio estatal durante décadas, a empresa anuncia que pretende se integrar a alguns dos mais importantes projetos em curso no país.

São projetos como as construções da usina hidrelétrica de Belo Monte e do trem-bala que vai ligar o Rio de Janeiro a São Paulo e também as obras de infraestrutura destinadas à Copa do Mundo de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016, entre outros.

Maior empresa de resseguros do mundo, a Swiss Re, que já mantinha um escritório de representação no Brasil desde 1996, recebeu licença para atuar diretamente no mercado brasileiro em maio de 2008, apenas um mês após o governo federal determinar a quebra do monopólio estatal no setor.

A importância dessa entrada no Brasil pode ser medida em números, uma vez que o país já responde por 25% da carteira de resseguros da Swiss Re na América Latina. A atuação da empresa suíça tem foco nos segmentos de seguro de vida, imobiliário, agrícola e de máquinas e equipamentos.

Apesar do balanço positivo, a chegada ao Brasil aconteceu em um momento delicado da conjuntura internacional, relata Rolf Steiner, que é diretor comercial da Swiss Re para o Brasil e Cone Sul: “A abertura do mercado de resseguros veio alguns meses antes do auge da crise dos mercados financeiros globais.

Quando os novos operadores começaram a ter suas autorizações ou registros para efetivamente atuarem no Brasil, a situação financeira mundial era extremamente delicada e por isso houve uma natural retração no processo das mudanças. Estas só viriam a acontecer de fato a partir do segundo ou terceiro trimestre de 2009. Portanto, na realidade, estamos nos aproximando do primeiro ano da abertura, o que é muito pouco para falarmos, comparado com os quase 70 anos de monopólio”.

Steiner, no entanto, avalia que o mercado brasileiro está crescendo: “Segundo estudos da área de Pesquisa Econômica e Consultoria da Swiss Re, feitos a partir de dados públicos, os prêmios de resseguros cresceram mais que os prêmios de seguros no Brasil em 2009.

As linhas que mais contribuíram para o crescimento mais forte do resseguro foram Rural, Engenharia, Riscos Financeiros e Responsabilidade Civil. A Swiss Re tem entrado com sucesso em todas as linhas, particularmente nas linhas especiais como agricultura, engenharia, aviação e marítima”, diz.

Além do notável crescimento em pouco tempo, a Swiss Re ganha reconhecimento no Brasil por suas análises da conjuntura do mercado, já tendo participado de diversos debates e seminários sobre seguros e resseguros: “Continuaremos trabalhando para oferecer a nossos clientes um valor cada vez maior.

"Nossa experiência global em subscrição será colocada à disposição de nossos clientes, em bases personalizadas, sejam elas em serviços de subscrição, treinamento, pesquisas, publicações, auditoria ou outros serviços de valor agregado”, diz Steiner.

Cenário animador

Para os próximos anos, o cenário no Brasil, segundo Steiner, é de otimismo: “O Brasil, segundo dados públicos, planeja investir um total de aproximadamente US$ 260 milhões em obras de infraestrutura nos próximos três anos. A Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos representam somente uma parte destes projetos. Segundo a McKinsey, o Brasil dará a quarta maior contribuição para o crescimento do PIB mundial e será o terceiro maior mercado automotivo, atrás da China e dos EUA, até 2025”.

Os planos de investimento da Swiss Re no Brasil, segundo o diretor, acompanharão o crescimento econômico do país: “Então temos que considerar também os projetos nas áreas de energia, petroquímica, rodovias e transporte, como redes de metrô, trens e portos. Esses projetos industriais, juntamente com a expansão da penetração das linhas pessoais resultantes do crescimento da classe média no Brasil, demandam volumes crescentes de capacidade de resseguro para dar sustentação ao mercado primário”.

Nesse sentido, o objetivo da empresa suíça é se tornar uma referência no Brasil: “A Swiss Re tem um compromisso com o mercado brasileiro. Usando de nossa solidez financeira, capital e liquidez, dedicamo-nos a respaldar nossos clientes brasileiros em todas as suas necessidades de resseguro. Nossas capacidades técnicas e de subscrição existem para sustentar o crescimento e a expansão dos negócios de nossos clientes”, diz Steiner.

Os grandes projetos de infraestrutura merecerão atenção especial: “No ramo de resseguros de engenharia em particular, a Swiss Re tem uma sólida reputação de liderança. Ao longo dos últimos 50 anos, estivemos envolvidos na maioria dos projetos de engenharia importantes em todo o mundo e somos uns dos primeiros fornecedores de capacidade para grandes projetos de construção e montagem. Neste ramo, esperamos ter no Brasil um crescimento entre 15% e 20% nos próximos três anos”, completa.

Catástrofes naturais

Segundo Steiner, as chuvas torrenciais que atingiram diversos estados brasileiros em 2010 revelam outro setor onde o mercado de resseguros precisa se estruturar cada vez mais: “As mudanças climáticas são um dos maiores desafios para nossa indústria nos próximos anos, mas é difícil prever onde as mudanças climáticas vão produzir danos à sociedade. Temos investido em pesquisas para quantificar o impacto das mudanças climáticas e tomar medidas apropriadas de mitigação, além de desenvolver novos produtos e serviços para apoiar a mitigação e adaptação às mudanças climáticas”.

A Swiss Re tem acompanhado estudos que mostram que a intensidade dos prejuízos decorrentes de eventos catastróficos está aumentando no mundo todo: “Entre 1970 e 1989, as perdas seguradas causadas por catástrofes naturais foram de US$ 5 bilhões por ano (em valores corrigidos), em média. Essa média de perdas subiu para US$ 27,6 bilhões ao ano, entre 1990 e 2008. Em relação ao Brasil especificamente, é possível perceber que algumas regiões - em particular as regiões Sul e Sudeste - estão cada vez mais expostas a adversidades do clima”.

Maurício Thuswohl, Rio de Janeiro, swissinfo.ch

Concorrência

Assim como a Swiss Re, algumas das maiores empresas mundiais do setor de resseguros se instalaram ou abriram processo para sua instalação no Brasil desde que o mercado brasileiro foi aberto à participação internacional em abril de 2008

Além da empresa suíça, outras resseguradoras de renome que já atuam no país são Munich Re (Alemanha), Lloyds (Inglaterra), Scor Re (França) e Transatlantic Re (Estados Unidos), entre outras.

A única empresa brasileira a atuar no setor continua sendo o Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), de controle estatal, que antes detinha o monopólio.

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Belo Monte

Um dos projetos de infra-estrutura que a Swiss Re planeja tomar parte no Brasil é a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no estado do Pará.

A obra vai acarretar a inundação de uma grande área próxima ao rio Xingu - onde vivem diversos povos indígenas e ribeirinhos - e provoca atualmente uma das maiores polêmicas políticas do país.

De um lado, a grande maioria das organizações ambientalistas ou representativas das populações atingidas se coloca contra a construção da usina.

De outro, o governo federal e o setor empresarial apontam Belo Monte como a solução para garantir a segurança energética do país.

Diretor da Swiss Re, Rolf Steiner mantém cautela enquanto a questão não é definida: “Confiamos que o debate atual sobre o assunto vai fornecer os meios para uma decisão final do governo brasileiro”, diz.

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